Número de ataques a profissionais de enfermagem é assustador
Desinformação, medo e assistência precária fazem dos profissionais de enfermagem vítimas de agressões de pacientes e familiares

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Por Nicola Ferreira, da Agência Einstein - Do início do ano até maio, o Conselho Regional de Enfermagem do Estado de São Paulo (Coren) registrou 13 acusações de agressões contra profissionais da enfermagem (enfermeiros, técnicos e auxiliares). Pelo mundo, segundo dados do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, foram mais de 200 ataques no mesmo período.
Trata-se de uma situação paradoxal. Em poucos momentos da história os profissionais da saúde foram tão reconhecidos e, ao mesmo tempo, tão atacados. A razão tem origem no imenso panorama de desinformação - muita gente ainda não acredita na existência de um vírus por trás da pandemia, por exemplo –, nas situações extremas vividas diariamente por pacientes e familiares, levando-os ao estresse máximo, e na precariedade da assistência existente em grande parte do mundo. Os profissionais de enfermagem, especialmente, são os primeiros a manter contato com o paciente e seus acompanhantes. Por isso, acabam sendo os primeiros alvos de toda insatisfação e medo de quem procura ajuda.
Outros fatores contribuem para agravar o cenário. “As pessoas não sabem qual a atuação dos profissionais de enfermagem e tendem a colocar a responsabilidade do que acontece neles”, afirma a enfermeira Eduarda Ribeiro, presidente do comitê de crise da Covid-19 do Coren-SP e professora da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein, de São Paulo.
Como a violência afeta quem trabalha com saúde
As agressões reverberam profundamente na saúde física e mental dos profissionais. “Há um sofrimento moral e psicológico muito grande. Vários começam a acreditar que o seu trabalho não é importante e ficam desmotivados”, lamenta Eduarda. As repercussões físicas manifestam-se geralmente em crises de ansiedade, depressão e estresse pós-traumático. “Quem está na linha de frente do combate à Covid-19 vive em um estresse altíssimo”, afirma a psicóloga Sissa Valle, do Hospital Municipal Vila Santa Catarina Dr. Gilson Marques de Carvalho, de São Paulo. “A sensação de proteção, que deveria ser fundamental nesse período, acaba sumindo”, lamenta a psicóloga.
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