Witzel diz que, apesar de Bolsonaro, manterá isolamento social no Rio de Janeiro
A declaração do governador vai contra a política do Governo Federal de mandar a população de volta às ruas, apesar do agravamento da pandemia do coronavírus no Brasil
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247 - O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), disse que manterá o decreto estadual que fortalece o isolamento social, através da restrição da circulação de pessoas e os comércios, contra a disseminação do coronavírus, mesmo se o Governo Federal adotar medidas para a “normalização das atividades”, segundo informações da CNN.
“Vivemos momentos muitos difíceis, mas trabalhamos para que pessoas tenham chance de sobreviver”, afirmou o governador em entrevista no Palácio da Guanabara, sede do governo estadual. Segundo ele o decreto foi editado “com base em fundamentação técnica”, que ainda disse que “um eventual decreto [de Jair Bolsonaro] que venha flexibilizar o regime de isolamento social poderá ser questionado no STF”.
Witzel ainda ressaltou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello que dá autoridade para os estados deliberarem sobre a condução das medidas para combater o vírus. “Continuarei mantendo o decreto [estadual] rígido independente de qualquer outro federal que, se vier, questionamentos serão feitos, acredito eu, até pelo Ministério Público Federal no Supremo”, disse. “E nós também vamos avaliar se recorreremos”, reforçou.
Ele também declarou que Jair Bolsonaro pode ser acusado de crime contra a humanidade e que um chefe de Estado precisa respeitar os tratados internacionais assinados pelo Brasil.
"Eu não estou aqui para fazer pré-julgamento de ninguém, mas se pudesse dar um conselho como jurista diria que está colocando em risco sua liberdade. A um chefe de Estado não se admite que vá na contramão do que dizem organizações internacionais como a ONU (Organização das Nações Unidas) e a OMS (Organização Mundial de Saúde)".
O governador afirmou que medidas penais serão tomadas contra pessoas, empresas e comércios que descumprirem as restrições determinadas pelo estado, que serão responsabilizados civil, criminal e administrativamente.
A declaração do governador vai contra a política do Governo Federal de mandar a população de volta às ruas, apesar do agravamento da pandemia do coronavírus no Brasil. Bolsonaro lançou, na semana passada, a campanha “o Brasil não pode parar”, afirmando que o coronavírus é apenas uma “gripezinha”. Bolsonaro ainda disse que, com isso, “alguns vão morrer, lamento, é a vida”.
Segundo pesquisa do Imperial College de Londres, divulgadas na quinta-feira, 26, sem isolamento social, pode haver até 1,15 milhões de mortes no Brasil devido ao coronavírus.
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