'Verdadeiro terror': professor relata desespero e corpos nas ruas de Petrópolis

O professor de publicidade Flaviano Quaresma se deparou com cenas de "verdadeiro terror" ao ver corpos pendurados em pontes e presos em galhos e Petrópolis

Petrópolis
Petrópolis (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)


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Agência Sputnik - O professor de publicidade Flaviano Quaresma sobe a serra fluminense duas vezes por semana para dar aulas da Universidade Católica de Petrópolis (UCP). No final da tarde da terça-feira (15), sua rotina como docente foi interrompida pela tragédia que impactou a cidade serrana.

"Quando consegui sair [da universidade] com mais um professor vimos o estado em que estava a cidade: muita lama, muita pedra, as praças destruídas, gradeados contorcidos. A cada passo que a gente dava era sempre um cenário desolador", relatou o professor em entrevista à Sputnik Brasil, acrescentando que não conseguiu deixar a cidade no mesmo dia.

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Quaresma explica que caminhando pela cidade se deparou com cenas de "verdadeiro terror" ao ver corpos pendurados em pontes e presos em galhos, enquanto os moradores tentavam escapar da região.

"Muita gente assustada, muita gente querendo sair daquela situação, daquele lugar e entrando em alagamentos. Quando elas se deparavam com os corpos que estavam presos, principalmente na área do rio [Piabanha] na rua da Imperatriz, elas ficavam mais assustadas ainda, crianças, idosos que ainda estavam nas ruas", conta o professor, que diante de relatos de arrastões e tiroteios em meio ao caos na cidade, permaneceu em um hotel até a manhã seguinte.

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>>> “Estudo feito em 2015 destacou 102 áreas de risco alto em Petrópolis”, afirma engenheiro

Nos últimos meses, as chuvas deixaram rastros de destruição em diversos estados brasileiros. Cenas de caos e dezenas de mortos foram registradas em várias cidades de Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo e São Paulo, além da região serrana do Rio de Janeiro, que em 2011 passou por uma tragédia semelhante com quase mil mortos.

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Segundo declarações do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), a chuva que atingiu Petrópolis essa semana foi a pior desde 1932, chegando a 240 milímetros em duas horas. A cidade decretou estado de calamidade pública enquanto mais de 500 bombeiros trabalham no resgate das vítimas e as chuvas continuam. 

Tragédia poderia ter sido menor, explica especialista

Para o engenheiro civil Matheus Martins, especialista em drenagem urbana e professor da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), esse tipo de evento é "praticamente impossível de prever", uma vez que os modelos meteorológicos não estão prontos para a previsão de chuvas concentradas em pequenas regiões.

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Segundo o especialista, para evitar tragédias como a de Petrópolis é preciso identificar áreas de risco - suscetíveis a alagamentos, enxurradas e deslizamentos - e evitar a ocupação desses territórios. Nas áreas em que isso não for possível, um caminho pode ser a criação de planos de alerta e comunicação para a rápida evacuação das áreas.

"Em situações normais podemos tentar atuar reduzindo os efeitos da chuva sobre a cidade construindo canais, galerias, reservatórios, obras de contenção de encostas. Mas para uma chuva com um volume e intensidade tão fora do normal é inviável tentar seguir esse caminho. Para esses casos temos que atuar tentando reduzir a quantidade de pessoas que possam estar expostas diretamente a essa situação", afirma o engenheiro em entrevista à Sputnik Brasil.

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Para Martins, dificilmente alguma região passaria pelo que houve em Petrópolis sem perdas, mas seria possível reduzir a magnitude da tragédia. Dessa forma, o especialista aponta que o poder público é o responsável por avaliar os riscos e agir para minimizar o número de pessoas expostas, mas essa atuação é deficiente no Brasil inteiro.

Apesar da influência das mudanças climáticas em eventos como esse, o especialista ressalta que esse tipo de fenômeno natural não é novo e que as cidades precisam estar preparadas para tais eventualidades.

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"O Rio de Janeiro tem um histórico técnico muito bom nessa área e vem desenvolvendo ferramentas administrativas para melhor gerir as cidades, em especial a região metropolitana. Entretanto, quando a necessidade esbarra no mercado imobiliário, na falta de vontade política e na necessidade de investimentos, a situação é mais difícil. Ou seja, os avanços técnicos que conseguimos através de anos de dedicação em pesquisas sérias, nem sempre são implementados", lamenta o engenheiro.

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