UFRJ revoga título de doutor honoris causa de Medici
O Conselho Universitário da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) decidiu por unanimidade revogar o título de Doutor Honoris Causa concedido, em 1972, ao general Emílio Garrastazu Médici, Presidente da República durante o Regime Militar; o reitor da UFRJ, Roberto Leher, afirmou que o título jamais deveria ter sido concedido ao general, e que durante a ditadura, incluindo o período Médici, "foram violados todos os princípios da Declaração Universal dos Direitos Humanos, da qual o Brasil é signatário"
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Rio 247 - O Conselho Universitário da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) decidiu por unanimidade revogar o título de Doutor Honoris Causa concedido, em 1972, ao general Emílio Garrastazu Médici, Presidente da República durante o Regime Militar.
A anulação do título configura "reparação moral aos estudantes e professores da UFRJ torturados, mortos e desaparecidos e como resgate da dignidade acadêmica do Conselho Universitário", afirma o relatório da Comissão da Memória e Verdade (CMV) da UFRJ, responsável pela proposta de revogação. A votação ocorreu no último dia 10 de dezembro.
O reitor da UFRJ, Roberto Leher, afirmou que o título jamais deveria ter sido concedido ao general, e que durante a ditadura, incluindo o período Médici, "foram violados todos os princípios da Declaração Universal dos Direitos Humanos, da qual o Brasil é signatário".
De acordo com a Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos (CEMD), 24 estudantes e dois professores da UFRJ foram assassinados ou desapareceram quando o general governou o país.
"Inadmissível que, ao invés de seus nomes, esteja inscrito na lista dos homenageados desta universidade um dos principais responsáveis pela violência e morte que os vitimou, eles e tantos outros, jovens e não jovens, que não se submeteram ao arbítrio e à brutalidade", diz o relatório da CMV-UFRJ.
A CEMD registra 362 mortos e desaparecidos no país durante a ditadura, sendo 149 apenas durante o governo Médici, entre 1969 e 1974.
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