STJ revoga prisão preventiva da viúva do miliciano Adriano da Nóbrega

STJ revogou a prisão preventiva de Julia Emília Mello Lotufo, viúva do miliciano Adriano da Nóbrega, que tinha ligações com a família Bolsonaro. O tribunal determinou o cumprimento da pena em regime domiciliar e o uso de tornozeleira eletrônica

Júlia Lotufo com Adriano da Nóbrega
Júlia Lotufo com Adriano da Nóbrega (Foto: Reprodução)


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247 - O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Reynaldo Soares da Fonseca revogou a prisão preventiva de Julia Emília Mello Lotufo, viúva do miliciano Adriano da Nóbrega. Ela foi alvo de pedido de prisão do Ministério Público do Rio sob acusação de associação criminosa e lavagem de dinheiro. O ministro determinou o cumprimento da pena em regime domiciliar e o uso de tornozeleira eletrônica.

De acordo com informações do jornal O Globo, Reynaldo Fonseca disse que os crimes atribuídos a Julia Lotufo não envolvem violência ou grave ameaça. O ministro também citou o fato de ela ser mãe e responsável pelos cuidados de uma menina de 9 anos, que recentemente teve problemas de saúde. "Assim sendo, a fim de proteger a integridade física e emocional da filha menor e pela urgência que a medida requer, mister autorizar a substituição da prisão preventiva pela domiciliar", escreveu.

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O MP do Rio tentou prender Julia Lotufo no último dia 22 de março, mas não a localizou e, por consequência, ela passou a ser considerada foragida. A defesa argumentou ao STJ que ela não se entregou para cumprir a prisão por correr "perigo de vida". 

Adriano da Nóbrega foi morto em fevereiro de 2020 pela Polícia Militar da Bahia, em uma operação que tentou capturá-lo. Depois disso, o MP do Rio passou a investigar a lavagem dos recursos que eram pertencentes ao miliciano.

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Em nota, os advogados Délio Lins e Silva e Délio Lins e Silva Júnior afirmaram: "A defesa de Julia Lotufo reafirma seu respeito ao Poder Judiciário, especialmente após a brilhante decisão proferida pelo STJ, pela qual se concedeu de ofício habeas corpus em favor de uma mãe, indevidamente acusada com base em meras conjecturas que foram devidamente afastadas. O próximo passo será mostrar que as acusações feitas pelo Ministério Público não possuem qualquer sentido e são desprovidas de quaisquer elementos de prova que as sustentem, merecendo como único destino os arquivos judiciais".

'Escritório do Crime'

O miliciano integrava o chamado Escritório do Crime, grupo de matadores profissionais com "sede" no Rio de Janeiro e que é suspeito de envolvimento com a morte da ex-vereadora Marielle Franco (PSOL). Em março de 2018, a então parlamentar foi morta pelo crime organizado. Os atiradores efetuaram os disparos em um lugar sem câmeras na região central do Rio. 

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Em março de 2019, foram presos dois suspeitos de serem os assassinos de Marielle: o policial militar reformado Ronnie Lessa e o ex-militar Élcio Vieira de Queiroz. O primeiro é acusado de ter feito os disparos e o segundo de dirigir o carro que perseguiu a parlamentar. Lessa morava no mesmo condomínio de Bolsonaro. Élcio Vieira de Queiroz, de 46 anos havia postado no Facebook uma foto ao lado de Jair Bolsonaro. Na foto, o rosto de Bolsonaro está cortado. 

A ligação dos Bolsonaros com os milicianos da zona oeste do Rio vem de longa data. O atual senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) nomeou a mãe e a ex-mulher de Adriano em seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio. Raimunda Veras Magalhães e Danielle Mendonça da Nóbrega recebiam sem trabalhar e devolviam parte dos salários ao ex-PM Fabrício Queiroz, que atuava como assessor do parlamentar – as famosas rachadinhas.

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Após a morte de Adriano da Nóbrega, colegas dele contataram Jair Bolsonaro. Segundo as transcrições, Ronaldo Cesar, o Grande, diz a uma mulher que ligaria para o "cara da casa de vidro", uma referência ao Planalto. No telefonema, demonstrou preocupação com pendências financeiras. 

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