RJ: muda comando do Batalhão de Grandes Eventos

Comandante do Batalhão de Policiamento de Grandes Eventos do Rio de Janeiro (BPGE), tenente-coronel Wagner Villares de Oliveira abandonou o cargo às vésperas da Copa; grupo foi criado em janeiro deste ano pelo governo do estado para atuar em multidões; batalhão tem cerca de 600 policiais militares

Comandante do Batalhão de Policiamento de Grandes Eventos do Rio de Janeiro (BPGE), tenente-coronel Wagner Villares de Oliveira abandonou o cargo às vésperas da Copa; grupo foi criado em janeiro deste ano pelo governo do estado para atuar em multidões; batalhão tem cerca de 600 policiais militares
Comandante do Batalhão de Policiamento de Grandes Eventos do Rio de Janeiro (BPGE), tenente-coronel Wagner Villares de Oliveira abandonou o cargo às vésperas da Copa; grupo foi criado em janeiro deste ano pelo governo do estado para atuar em multidões; batalhão tem cerca de 600 policiais militares (Foto: Roberta Namour)


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Jornal do Brasil - Na contagem regressiva para a Copa do Mundo, o comandante do Batalhão de Policiamento de Grandes Eventos do Rio de Janeiro (BPGE), tenente-coronel Wagner Villares de Oliveira, abandonou o cargo e foi substituído por seu subcomandante, o tenente-coronel Heitor Henrique Pereira. A troca de comando foi anunciada no domingo (1º) no boletim interno da Polícia Militar. Em nota, a PM disse que “mudanças no comando das unidades são rotina na corporação”. O coronel Villares está na Diretoria-Geral de Pessoal, aguardando movimentação.

O BPGE foi criado em janeiro deste ano pelo governo do estado para atuar em multidões, seja em manifestações populares, jogos de futebol ou em qualquer outro evento esportivo ou cultural. O batalhão tem cerca de 600 policiais militares.

Na sua edição desta semana, a Revista Veja publicou que a saída do comandante está relacionada com a falta de estrutura para o trabalho e os policiais do BPGE reclamam da alimentação precária, dos locais para descanso improvisados e sem conforto e do excesso de horas sem folga. A publicação afirma que a troca de comando "não foi um procedimento de rotina", como justificou a PM em nota à imprensa. E destaca que os policiais do batalhão foram escalados pela Secretaria de Estado de

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Segurança apenas para compor uma "coleção de medidas de gabinete criadas mais para ter impacto na opinião pública do que resultados de fato".

A reportagem da Veja entrevistou policiais do BPGE, que contaram detalhes da decisão de Villares. Eles disseram que o comandante entregou o cargo contrariado com a falta de estrutura do batalhão, que também é compartilhada com a tropa. A revista cita as postagens no Facebook do BPGE, que deixa claro o descontentamento dos policiais.

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A insatisfação começa com a instalação improvisada do batalhão, segundo a Veja, que ocupa um galpão cedido pelo Batalhão de Choque, na Cidade Nova, no Centro do Rio. Os PMs contaram que o local tem apenas dois vasos sanitários, duas torneiras e um bebedouro, cuja a água não tem condições de consumo. Sem mobiliário, a tropa aguarda as ordens de saída para as manifestações sentados no chão e após uma rotina pesada, descansam no mesmo lugar: no chão.

Os policiais revelaram ainda que fazem plantões de doze horas e folgam 36, mas com as muitas manifestações na cidade, estão trabalhando por um período bem maior, além das frequentes convocações para reforçar o policiamento ostensivo em outros batalhões do Centro, Botafogo, Méier e Tijuca. "Nos bastidores, comenta-se que o empréstimo de soldados para outras unidades era um dos problemas que contrariavam o ex-comandante da tropa", afirma a publicação da revista. E durante as manifestações, os PMs são proibidos de se afastarem dos locais estabelecidos, mas não recebem lanches ou qualquer outra alimentação.

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Os policiais comentam para a Revista Veja que Villares "era visto como um comandante que defendia a tropa e enfrentava o comando, mas foi vencido". Uma postagem em um perfil que se identifica como sendo do Batalhão de Polícia em Grandes Eventos e que foi citado pela Veja, comenta nesta quinta-feira (5) a troca de comando e a dedicação de Villares. "VAMOS AGUARDAR ALGUMA MELHORIA, ALGUMA MUDANÇA, QUE AJUDE E DEIXE A TROPA SATISFEITA, SABEMOS QUE O CEL VILLARES, TENTOU DE TUDO , MAIS ACIMA DELE TINHA UMA BUROCRACIA", diz a postagem. A Revista Veja destaca que entrou em contato com a PM e a corporação negou que o batalhão funciona em um galpão e também qualquer problema com alimentação.

A Polícia Militar disse em nota que mudanças no comando das unidades são rotina na Corporação e o Batalhão de Policiamento em Grandes Eventos não funciona em um galpão e sim nas antigas instalações do extinto 1º BPM, dentro do Batalhão de Choque. Como o prédio é centenário, algumas obras acontecem gradualmente para adaptar as instalações à tropa. Os policiais contam com alojamentos e camas novas.

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O comunicado diz também que o efetivo do batalhão hoje é de 600 homens e a escala é 12 por 36. "Dificilmente esse número de homens se reúne em um único dia. Segundo o comando, não há excessos na escala e nunca ultrapassa 12 horas de serviço. Os policiais recebem lanche no local de atuação. Quando chegam ao batalhão de Choque é servida refeição - seja almoço ou jantar. Eles são autorizados a, caso preferirem, realizar refeições no batalhão que estiver mais próximo após o serviço", garante a PM.

O coordenador do Observatório das Favelas, Jailson de Souza e Silva, que acompanha o fenômeno das manifestações no Rio de Janeiro desde junho de 2013, observa que o fator mais relevante nessa troca de comando do Batalhão de Grandes Eventos é a manutenção da linha política estabelecida pelo estado para garantir a segurança da população nos protestos que devem acontecer durante a Copa do Mundo. "A preocupação fundamental nesse momento é o estado preparar essa tropa para lidar com a criminalidade nos movimentos. Esse é o grande desafio das Forças de Segurança. Se existe um grupo infiltrado nas manifestações que pratica atos de vandalismo, é responsabilidade do estado dar conta disso, mantendo a integridade da população", disse Jailson, enfatizando que as manifestações são legítimas e as Forças de Segurança devem atuar dentro das leis.

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