Rio: projeto prepara ex-detentos para o mercado
Cento e vinte ex-presidiários do sistema penitenciário fluminense receberam os diplomas de formação de cursos profissionalizantes pelo projeto Agência da Cidadania, do Banco da Providência, instituição ligada à Arquidiocese do Rio de Janeiro; coordenadora do projeto, Mariana Leiras disse que o trabalho de preparar o ex-preso para reintegrá-lo na sociedade existe desde 1975; mas, segundo ela, a partir de 2008, o projeto avançou ainda mais e passou a capacitar os ex-presidiários para inseri-los no mercado de trabalho; taxa de reincidência prisional no Brasil chega a 70%
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Akemi Nitahara – Repórter da Agência Brasil
Cento e vinte ex-presidiários do sistema penitenciário fluminense receberam nesta quinta-feira (7) os diplomas de formação de cursos profissionalizantes pelo projeto Agência da Cidadania, do Banco da Providência, instituição ligada à Arquidiocese do Rio de Janeiro. A coordenadora do projeto, Mariana Leiras, disse que o trabalho de preparar o ex-preso para reintegrá-lo na sociedade existe desde 1975. Mas, segundo ela, a partir de 2008, o projeto avançou ainda mais e passou a capacitar os ex-presidiários para inseri-los no mercado de trabalho.
"Anteriormente o atendimento era mais assistencialista. A gente tinha concessão de cesta básica, mas não tinha um acompanhamento. Hoje em dia a gente tem uma formação para o mundo do trabalho, uma capacitação profissional, a gente inclui esse egresso no emprego e acompanha essa pessoa. Eles passam por um período de nove meses no projeto", disse. De acordo com Mariana, a agência oferece 100 vagas por ano. Uma pesquisa feita pela equipe do projeto acompanhou 40 egressos incluídos socialmente, em 2010, e constatou que apenas um (3%) voltou a cometer delito, quando a taxa de reincidência prisional no Brasil chega a 70%.
Gláucio Luiz Silva Santos, antes de ser preso trabalhava com vendas. Após cumprir sua pena, teve dificuldade de conseguir um emprego como vendedor. Então foi trabalhar como segurança, mas não gostava dos riscos da ocupação, e viu no projeto a oportunidade de mudar de área. "Depois que eu passei pelo sistema penitenciário, você vê que aqui fora realmente tem um preconceito muito grande para [conseguir] curso e para emprego. Esse curso veio tirar esse preconceito da minha mente, abrindo a minha mente para a gente ter uma nova identidade, e sabendo que lá fora nós temos oportunidades também". Gláucio fez o curso inicial de formação para o mundo do trabalho e foi encaminhado para uma entrevista no Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), um dos parceiros do projeto.
Arley José de Carvalho Júnior fez curso de caldeiraria e trabalhou mais de um ano em estaleiro, mas também quis mudar de área. Foi convidado a participar do projeto, no cirso de informática, quando foi fazer a assinatura trimestral de acompanhamento do regime de prisão-albergue domiciliar. "Se eu não tivesse me preparado lá [na Agência da Cidadania] antes, eu não teria uma chance aqui fora, por conta de preconceito e por falta de formação nossa também. Eu resolvi mudar de área e eles me deram essa oportunidade, me ofereceram esse curso de graça e ainda me encaminha para o emprego. Estou bem encaminhado, passei na primeira parte da entrevista no Fórum do Rio e vou fazer a segunda fase agora".
A diretora da Divisão de Inclusão Social do TJRJ, Marilena Lemos da Silva, disse que o órgão oferece 100 vagas no projeto Começar de Novo, voltado para pessoas com condenação criminal, e atualmente 60 estão preenchidas. A vaga é de trabalho formal, com carteira assinada e todos os direitos trabalhistas, como férias e décimo terceiro. "É um resgate social. Para o tribunal, é muito importante que nós desenvolvamos o projeto de inclusão social. O objetivo é possibilitar a essas pessoas, num primeiro momento, desenvolvimento pessoal e profissional, possibilitar inserção no mercado de trabalho, o provimento da família, e, principalmente, a concepção do censo de pertencimento social".
Outra parceira do projeto é a Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae). De acordo com a companhia, mais de 2 mil ex-presidiários já participaram do Programa Replantando Vida, desenvolvido pela Cedae, como agentes de reflorestamento. Hoje, cerca de 100 trabalham na produção de mudas usadas no reflorestamento de matas ciliares na Bacia dos rios Guandu e Macacu. A cerimônia de diplomação foi feita no auditório da companhia.
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