Rio é líder em mortes de crianças por policiais

Independente de a bala que atingiu a cabeça de Eduardo de Jesus Pereira, de apenas 10 anos, ter partido ou não de um policial, levantamento feito pelo Globo aponta o Rio de Janeiro como líder no ranking em crimes cometidos por policiais contra crianças; dos 82 assassinatos de jovens de até 14 anos pela polícia no Brasil entre 2003 e 2012, 50 (60%) ocorreram no Rio; as estatísticas foram levantadas a partir de dados do Sistema de Informação de Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde

Independente de a bala que atingiu a cabeça de Eduardo de Jesus Pereira, de apenas 10 anos, ter partido ou não de um policial, levantamento feito pelo Globo aponta o Rio de Janeiro como líder no ranking em crimes cometidos por policiais contra crianças; dos 82 assassinatos de jovens de até 14 anos pela polícia no Brasil entre 2003 e 2012, 50 (60%) ocorreram no Rio; as estatísticas foram levantadas a partir de dados do Sistema de Informação de Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde
Independente de a bala que atingiu a cabeça de Eduardo de Jesus Pereira, de apenas 10 anos, ter partido ou não de um policial, levantamento feito pelo Globo aponta o Rio de Janeiro como líder no ranking em crimes cometidos por policiais contra crianças; dos 82 assassinatos de jovens de até 14 anos pela polícia no Brasil entre 2003 e 2012, 50 (60%) ocorreram no Rio; as estatísticas foram levantadas a partir de dados do Sistema de Informação de Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde (Foto: Leonardo Lucena)


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Rio 247 – Independente de a bala que atingiu a cabeça de Eduardo de Jesus Pereira, de apenas 10 anos, ter partido ou não de um policial, levantamento feito pelo Globo aponta o Rio de Janeiro como líder no ranking em crimes cometidos por policiais contra crianças. Dos 82 assassinatos de jovens de até 14 anos pela polícia no Brasil entre 2003 e 2012, 50 (60%) ocorreram no Rio. As estatísticas foram levantadas a partir de dados do Sistema de Informação de Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde.

Com 13 notificações no período, São Paulo aparece como o segundo estado que registrou o maior número de crianças mortas pela polícia. Os outros 19 assassinatos estão pulverizados em 12 estados de todas as regiões do país.

Segundo especialistas, o Rio desponta nas estatísticas por motivos que passam pelo despreparo dos policiais e pela cultura do enfrentamento, que culminam em alta letalidade policial.

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Em relação ao fato de as vítimas serem tão jovens, a justificativa padrão para os homicídios, que é a legítima defesa do agente, fica pouco crível, concluem os especialistas.

“Quanto menor a idade de quem foi morto, menos plausíveis são as versões comumente apresentadas pela polícia para explicar os assassinatos”, afirmou ao Globo Ignácio Cano, coordenador do Laboratório de Análise da Violência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).

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De acordo com o estudioso, “no caso do menino Juan, baleado em 2011, houve várias mortes naquela operação”. “Nos casos de vítimas de idade mais avançada, basta colocar uma pistola ao lado do corpo para sustentar a tese do confronto. Mas Juan tinha 11 anos, e tiveram de sumir com o corpo”, disse.

A professora da graduação em segurança pública da Universidade Federal Fluminense (UFF), Jacqueline Muniz, afirmou que “o problema das mortes cometidas por policiais se concentra no Rio de Janeiro pela chamada cultura do enfrentamento”.

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“Não basta dizer que a corporação é despreparada, que é necessário treinar mais. É preciso ter clareza sobre a doutrina na qual esse treinamento está baseado”, acrescentou.

Segundo ela, também há uma naturalização das mortes. “Matei em nome da lei, matei porque a vítima estava no crime”. A pesquisadora reforça para usar o última recurso da força, que é o armamento, existem táticas, como não atingir áreas vitais do oponente.

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Ainda com base no levantamento, pretos e pardos são as maiores vítimas, respondendo por 73% dos registros dos 82 casos. Para Jacqueline, os dados não surpreendem, pois “refletem orientações e políticas pautadas pelo preconceito e a discriminação com populações em situação de vulnerabilidade, sobretudo os moradores da periferia”, explicou.

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