Próximo passo: decapitação em praça pública?

"O Brasil está definitivamente mergulhado num estado policial. Por conta da necessidade de passar a limpo país, inquestionável anseio de todos os brasileiros, está se cometendo toda forma de arbitrariedade – sob o aplauso da população indignada pela impunidade e o olhar desatento dos tribunais superiores que, salvo exceções, se mostram sem disposição de contrariar o senso comum", diz o jornalista Ricardo Bruno, ao comentar a polêmica prisão do ex-governador Anthony Garotinho, já revista pela TSE; "Nesta escalada de insensatez, o próximo passo seria a decapitação em praça pública, sob o aplauso da turba num espetáculo medieval dantesco"

Rio de Janeiro - O ex-governador do Rio Anthony Garotinho deixa o Hospital Souza Aguiar, onde estava internado, para o Complexo Penitenciário de Bangu (Vladimir Platonow/Agência Brasil)
Rio de Janeiro - O ex-governador do Rio Anthony Garotinho deixa o Hospital Souza Aguiar, onde estava internado, para o Complexo Penitenciário de Bangu (Vladimir Platonow/Agência Brasil) (Foto: Leonardo Attuch)


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Do jornalista Ricardo Bruno, em seu Facebook

Ainda que Garotinho tenha práticas políticas reprováveis, foi arbitrária e indigna a forma como seu deu sua transferência para Bangu. Submetido a tratamento de saúde, cuja fragilidade fora comprovada pelo corpo médico do Souza Aguiar, o ex-governador foi arrancado à força do leito hospitalar por conta de uma insensata decisão judicial cujo objetivo seria evitar supostas regalias ao acusado. Negou-se até mesmo o direito de Rosinha, sua esposa, acompanhá-lo na ambulância. 

A prisão de Garotinho em si é alvo de contestação. O delegado, responsável pelas investigações, não teria isenção para conduzir o processo, como mostra matéria do Brasil 247. 

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O Brasil está definitivamente mergulhado num estado policial. Por conta da necessidade de passar a limpo país, inquestionável anseio de todos os brasileiros, está se cometendo toda forma de arbitrariedade - sob o aplauso da população indignada pela impunidade e o olhar desatento dos tribunais superiores que, salvo exceções, se mostram sem disposição de contrariar o senso comum. 

Em que pese as fortes acusações arroladas, a prisão de Cabral - sem condenação - também é própria de deste momento tormentoso da vida nacional, deste vale-tudo sem limites conduzido por setores do judiciário em nome da saudável moralização dos costumes. Os ritos legais foram flagrantemente atropelados: Cabral foi preso sem sequer ter sido denunciado pelo Ministério Público. Mesmo em Bangu, ele até agora é somente um cidadão investigado pela Justiça.

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Como não há dissenso a respeito dos objetivos finais moralizadores , estão deixando de lado a forma. As formalidades legais estão sendo substituídas pela punição rápida e célere - às vezes injusta. 

Nesta escalada de insensatez, o próximo passo seria a decapitação em praça pública, sob o aplauso da turba num espetáculo medieval dantesco.

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