Porteiro é demitido por deixar guarita para salvar crianças em acidente de carro em SP

Juliano Amaro da Silva Paula, de 44 anos, contou que segue desempregado 38 dias após o acidente



✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.

247 - Um porteiro foi demitido por ter deixado temporariamente a guarita durante o expediente. O motivo: ele correu para salvar a vítima de um capotamento na frente do edifício onde trabalha, em Marília (interior de São Paulo).

Em entrevista ao portal UOL, Juliano Amaro da Silva Paula, de 44 anos, contou que segue desempregado 38 dias após o acidente, mas não se arrepende do ato de heroísmo. Segurança há 20 anos, ele trabalhava no edifício havia nove meses e tinha curso de primeiros socorros para ajudar o homem, de 41 anos."Na hora que eu fui sair correndo, a cadeira chegou a bater na mesa e até caiu comida no chão. Eu só conseguia pensar em ajudar aquelas pessoas", disse ele.

continua após o anúncio

O caso ocorreu na noite de 1º de fevereiro, quando, por volta das 23h30, ouviu gritos de crianças e, em seguida, uma pancada muito forte. Ele olhou para a janela de onde estava e viu um carro capotando, passando por cima de outro que estava parado no cruzamento.

"Quando eu ouvi as crianças gritarem, saí de imediato. Eu tenho três filhos então foi uma coisa automática", conta ele ao UOL. O porteiro é pai de uma menina de 3 anos, um menino de 5 anos e outro de 13. As crianças estavam conscientes e em bom estado de saúde.

continua após o anúncio

"Eu entrei no carro e não vi ninguém. Olhei para os lados, para ver se a pessoa tinha sido lançada fora, mas ele não estava lá. Então dei a volta, quebrei o vidro de trás, entrei por trás do carro e achei a vítima, um homem de 41 anos", relatou. "Ele estava em uma posição muito ruim, sobre o próprio pescoço. Se demorasse o socorro, ele seria prejudicado. Então, como sou socorrista, eu coloquei ele em uma posição melhor para não causar danos a possíveis fraturas na coluna. Ele estava desacordado, sangrando muito e aspirando esse sangue", prosseguiu.

"Coloquei ele na maca, ele se encaminhou para o hospital e eu subi para o prédio para me lavar. A todo tempo eu olhava a portaria para ver se tinha algum movimento de morador, mas naquela hora não havia ninguém", contou o porteiro.

continua após o anúncio

No dia seguinte, o grupo responsável pela segurança do edifício entendeu que ele havia descumprido procedimentos internos ao socorrer a vítima do capotamento, já que ele não poderia deixar a guarita. A empresa deu a Juliano duas alternativas: pedir a demissão ou ser demitido por justa causa. "Eu falei: 'eu vou embora por ter salvado uma pessoa? Eu fiz um juramento de que se eu não realizar socorro, eu estou cometendo um crime'", relembrou. 

"Eu passei mal. Fiquei constrangido, mas eles não mudaram de ideia."

continua após o anúncio

Desde então, Juliano tenta procurar um emprego que possa atender às necessidades dele e da família. 

Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

continua após o anúncio

iBest: 247 é o melhor canal de política do Brasil no voto popular

Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

continua após o anúncio

Ao vivo na TV 247

Cortes 247