População em situação de rua de São Paulo está à própria sorte após pandemia

Gestão do prefeito Bruno Covas (PSDB) não apresentou qualquer plano para proteger da epidemia de coronavírus cidadãos que já não têm nada

População de rua desperta preconceito, ódio e a habitual falta de educação da classe média.
População de rua desperta preconceito, ódio e a habitual falta de educação da classe média. (Foto: Agência Brasil)


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Rede Brasil Atual- Em meio à epidemia de coronavírus em São Paulo, os governos estadual e municipal – ambos do PSDB – não apresentaram qualquer medida para proteger a população em situação de rua. “A população de rua está à própria sorte. Não sabemos se é pior a pessoa ir para um abrigo ou ficar na rua. Não adianta ter galpão, sem arejar, com 400 pessoas no mesmo espaço e 50 centímetros de espaço entre as camas, sem condições básicas de higiene”, afirma Edvaldo Gonçalves, coordenador paulista do Movimento Nacional da População em Situação de Rua (MNPR).

Gonçalves diz que o movimento tentou uma reunião de emergência com a Defensoria Pública, o Ministério Público e o governo do prefeito Bruno Covas. Mas todos alegaram os cuidados de isolamento e evitar aglomerações para não aceitar a proposta. “Esse era um planejamento para ser feito antes. Mas ninguém se preocupou. Agora não adianta colocar álcool gel na entrada do abrigo, não é isso que vai proteger a população de rua”, afirmou. Entre as medidas que o MNPR defende, estão a colocação de divisórias nos espaços, afastamento das camas, isolamento de idosos, ampliação da ventilação e disponibilidade de material de higiene.

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Segundo o MNPR, cerca de 40% da população de rua tem algum problema de saúde que pode levar a complicações no caso de uma infecção por coronavírus. Das 24 mil pessoas nessa situação, segundo o censo municipal – que o movimento indica ser mais de 30 mil –, cerca de 7 mil são idosos. Tuberculose, má alimentação, más condições de higiene são alguns dos principais problemas. O governo Covas não informou se há plano de ação para proteger a população de rua do coronavírus.

O padre Júlio Lancellotti, coordenador da Pastoral do Povo da Rua, avalia que as medidas anunciadas até agora pelos governos municipal e estadual são inacessíveis para essa população. “A doença é para todos, mas a prevenção é para alguns. Como vão higienizar as mãos constantemente, se nem nos centros de acolhida (os CTAs) tem sabão ou álcool gel disponível? Nesses locais você chega a ter 400 pessoas no mesmo espaço, sem ventilação, com condições de higiene precárias”, destacou.

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A Arquidiocese de São Paulo ofereceu a Casa de Oração do Povo da Rua para acolher pessoas em situação de rua que estiverem com coronavírus. O espaço fica no centro da capital paulista e tem capacidade para isolar até 50 pessoas. As secretarias municipais da Saúde e da Assistência Social estão analisando a proposta.

Lancellotti defende que as mesmas medidas do MNPR, além da distribuição de máscaras, luvas e álcool gel nos espaços. As medidas foram adotadas na Missão Belém, espaço da pastoral que acolhe a população de rua. “A população também pode ajudar, abrindo espaço para que essas pessoas possam lavar as mãos, doando álcool gel. Vivemos um tempo de egoísmo, mas é preciso solidariedade”, afirmou.

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