(Vídeo) PM deixou baleados agonizarem na rua e jogou bomba em quem reclamou

Policiais atacaram população de Osasco (SP) que se revoltou com demora no socorro; os dois feridos morreram

(Foto: Reprodução)


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Ponte - Um grupo de policiais militares de São Paulo deixou dois homens baleados sem atendimento na rua em Osasco (Grande SP), após suposta perseguição na tarde de domingo (23/2). Os dois morreram.

Vídeos obtidos pela Ponte junto à Rede de Proteção e Resistência ao Genocídio mostram que as duas pessoas estão deixadas no chão, ao lado de uma moto que teriam usado na fuga. Em volta deles estão vários PMs e suas viaturas, os cercando para que as pessoas no entorno não chegassem perto.

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As imagens mostram de vários ângulos o que acontece depois que os dois homens são baleados e caem. Conforme as pessoas foram se acumulando e queriam prestar socorro, as viaturas cercaram os suspeitos.

Quem registrou a cena se revoltou. “Tudo comedião, nem para chamar socorro os caras prestam. Verme. Vão deixar os moleques morrer”, afirmou, indignado, um homem. Os dois baleados morreram após serem socorridos.

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De acordo com a resolução nº 5, de 7 de janeiro de 2013, os policiais devem acionar o Samu para atender casos de feridos em confronto e não podem eles próprios realizarem o socorro de pessoas feridas.

Em determinado momento, um policial jogou uma bomba de gás no meio da multidão. As pessoas, que já estavam revoltadas com a falta de socorro, começaram a tirar objetos nos PMs em resposta à violência.

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Segundo a SSP (Secretaria da Segurança Pública) de São Paulo, administrada pelo general João Camilo Pires de Campos neste governo de João Doria (PSDB), a dupla era suspeita de roubar a moto de um casal.

“Um policial, que estava a caminho do trabalho, presenciou os fatos e interveio. Os dois suspeitos foram socorridos ao Hospital Municipal da cidade, mas não resistiram aos ferimentos”, sustentou a SSP em nota enviada à Ponte.

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De acordo com a pasta, os moradores da região “danificaram uma viatura, um semáforo e um radar” e, por conta disso, a tropa precisou usar bombas para “conter o tumulto”.

A secretaria ainda explicou que o SHPP (Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa) de Osasco, vinculado à Polícia Civil, investiga a ocorrência. A PM também abriu inquérito para apurar as circunstâncias da suposta perseguição.

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Para o advogado Ariel de Castro, conselheiro do Condepe (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana), a ocorrência precisa ser investigada de “forma isenta e não corporativista”. E complementou que os policiais transformaram a ocorrência em um “desfile de viaturas”.

“Nenhuma ambulância ou viatura de resgate compareceu no local, conforme as imagens”, criticou o advogado. Segundo ele, os PMs podem ter cometido o crime de reduzir a capacidade de resistência a pessoa, crime que pode render em pena de 1 a 4 anos de prisão, além de multa.

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“Os PMs podem responder por omissão de socorro e por esse crime previsto na lei de abuso de autoridade”, definiu Castro. “Ao invés de socorrer, aparentemente estavam pretendendo exibir uma suposta ‘ação bem sucedida’ ao público. E matar virou sinônimo de ‘ação bem sucedida’ na visão de muitos policiais”.

O advogado explicou que há a possibilidade de terem cometido crime de omissão ao não prestarem socorro, com pena de um a seis meses em casos normais, mas triplicado em caso de morte – como nesta ocorrência.

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Ariel ainda questionou o posicionamento da SSP sobre a dispersão das pessoas que acompanhavam a ocorrência. “Pela imagens é possível verificar que os PMs agiram com violência para dispersar as pessoas que se aglomeravam no local”, definiu. “[Os PMs] Partem para agressão com chutes, socos e uso de cassetetes e disparos de gás lacrimogênio sem nenhuma justificativa. Não foram atacados antes por ninguém”.

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