Pezão assume no lugar de Cabral para ser anti-Cabral
Luiz Fernando Pezão tomou posse na manhã de hoje como governador do Rio de Janeiro, no lugar do parceiro e amigo Sergio Cabral; "É a pessoa mais generosa que conheci na vida", disse o novo titular sobre o antecessor; porém, Pezão terá de demarcar um estilo franciscano no Palácio Guanabara, sem o uso de mordomias como helicópteros oficiais para se deslocar nos finais de semana de folga; gestos assim queimaram a imagem de Cabral; com apoio da presidente Dilma, Pezão já isola a pré-candidatura do senador Lindbergh Farias, do PT, mas precisa dar um grande salto de popularidade para ter chances na eleição de outubro; afinal, ainda é o último colocado em todas as pesquisas; Pezão conseguirá dar o seu pulo do gato?
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247 – A primeira parte, mais fácil, deu certo – agora o PMDB torce para que dê zebra no segundo tempo. Trata-se da operação política, consumada parcialmente na manhã desta sexta-feira 4, em cerimônia oficial na Assembleia Legislativa, que deu posse no cargo de governador do Rio de Janeiro ao até então vice Luiz Fernando Pezão. Sergio Cabral apresentou carta de renúncia com a intenção, ainda não tornada pública, de concorrer ao Senado.
Amigo e parceiro de Cabral, a quem chamou hoje de "a pessoa mais generosa que conheci na vida", o governador Pezão, na verdade, já se comporta como uma antítese de Cabral. Para demonstrar humildade, Pezão alugou um apartamento no bairro de Laranjeiras, onde fica o Palácio Guabara. Poderá, assim, ir trabalhar a pé. Ele quer passar longe do risco de ter a mesma imagem do ex-governador, que passou maus bocados com a opinião pública após a revelação do uso de helicópteros oficiais para seus finas de semana, com a família, babás e cachorrinho, na paradisíaca cidade litorânea de Mangaratiba, onde tem uma casa de luxo.
Pezão quer sublinhar a imagem de humilde e tocador de obras para, no exercício do governo, avançar em sua própria eleição de governador, em outubro. Terá, para tanto, o apoio do governo federal. A presidente Dilma Rousseff é fã do estilo informal de Pezão, que mal usa terno e gravata em seu dia-a-dia. Ela driblou os apelos do PT para que apoiasse o senador Lindbergh Farias, do PT, para a disputa no governo. O candidato de Dilma, no Rio, é mesmo Pezão.
Com esse apoio, a presidente espera resolver boa parte de seus problemas de relacionamento com o PMDB no plano nacional. Lembre-se: o líder do partido na Câmara, Eduardo Cunha, que tem dado dores de cabeça à presidente no Congresso, é o Rio. A tendência, com a paz firmado em torno da posse de Pezão, é a de que ele se acalme.
Abaixo, notícia da Agência Brasil a respeito:
Vinícius Lisboa, repórter da Agência Brasil - O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, assinou hoje (4), na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), o termo de posse que marca o início de seu mandato. O peemedebista, que era vice-governador, estará à frente da administração estadual durante cerca de nove meses, até 31 de dezembro. Pezão assume depois da renúncia de Sérgio Cabral, que deixou o cargo ontem (3) para concorrer a uma vaga no Senado nas próximas eleições.
Pezão discursou por cerca de 25 minutos, exaltando as ações do governo Cabral, que ocupou o Palácio Guanabara desde 2007. O governador recém-empossado também lembrou sua trajetória política na cidade de Piraí, onde nasceu, e de onde vieram aliados para a cerimônia, com faixas de apoio.
Sobre sua administração, Pezão declarou que "vai dar continuidade ao trabalho do governo Cabral" e investir em novas parcerias. Entre ações futuras, anunciou a intenção de obter empréstimo para a Companhia Estadual de Águas e Esgostos na Caixa Econômica Federal com o objetivo de construir a Estação de Tratamento de Água Guandu 2, para o abastecimento da Baixada Fluminense. Outro plano é a assinatura de uma parceria com o governo federal para construir o Hospital de Oncologia de Nova Friburgo.
Ao sair da Assembleia Legislativa em direção ao Palácio Guanabara, Pezão afirmou que sua primeira ação será visitar hoje a Santa Casa de Misericórdia, no centro da cidade, que foi interditada pela Vigilância Sanitária no ano passado. "Conto com o apoio da Prefeitura e do Governo federal para reabrir a Santa Casa. Sei que não é fácil, porque ela estava na mira da vigilância sanitária e perdeu a filantropia, mas quero somar forças para reabilitá-la até o fim do mês. Não é admissível que, em um estado como o Rio de Janeiro, haja 600 leitos ociosos no centro da cidade", afirmou.
Pezão também se posicionou sobre o recente impasse envolve as águas do Rio Paraíba do Sul. O governo do estado de São Paulo demonstrou interesse em captar águas do rio, devido à queda do nível dos reservatórios do Sistema Cantareira. "Não vejo qualquer destinação àquelas águas a não ser o bom uso que já é feito pelos estados de Minas Gerais e do Rio de Janeiro", disse Pezão, que afirmou que não medirá esforços para evitar que esse uso seja prejudicado.
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