Pesquisadora contesta O Globo sobre mortes no SUS

Ligia Giovanella, pesquisadora da Fiocruz, rebate manchete do jornal que diz que o "Rio tem a maior taxa de mortalidade no SUS em três décadas"; segundo a professora, a reportagem, assinada por Eduardo Barretto, é "bastante tendenciosa em suas manchetes e erros de transcrição e interpretação de dados"

Ligia Giovanella, pesquisadora da Fiocruz, rebate manchete do jornal que diz que o "Rio tem a maior taxa de mortalidade no SUS em três décadas"; segundo a professora, a reportagem, assinada por Eduardo Barretto, é "bastante tendenciosa em suas manchetes e erros de transcrição e interpretação de dados"
Ligia Giovanella, pesquisadora da Fiocruz, rebate manchete do jornal que diz que o "Rio tem a maior taxa de mortalidade no SUS em três décadas"; segundo a professora, a reportagem, assinada por Eduardo Barretto, é "bastante tendenciosa em suas manchetes e erros de transcrição e interpretação de dados" (Foto: Gisele Federicce)


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247 – A professora e pesquisadora titular da Fiocruz Ligia Giovanella rebateu, em uma carta ao repórter Eduardo Barretto, do Globo, reportagem que afirma, na manchete, que o "Rio tem a maior taxa de mortalidade no SUS em três décadas".

Lígia responde ponto a ponto os dados utilizados na matéria e conclui que ela é "bastante tendenciosa em suas manchetes e erros de transcrição e interpretação de dados".

"A informação jornalística clara e transparente é um elemento crucial para a democracia. Todos nós estamos preocupados em melhorar a qualidade de serviços do SUS para que se torne efetivamente um serviço nacional de saúde público, universal de qualidade garantindo o direito cidadão de acesso aos serviços de saúde de qualidade. Boas reportagens podem contribuir para isto", diz a pesquisadora na carta.

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Leia aqui a íntegra do texto de Lígia rebatendo os dados da reportagem do Globo e, abaixo, um novo texto publicado em sua página no Facebook, depois que o jornalista entrou em contato com ela.

Ainda sobre a reportagem do Jornal OGlobo bastante tendenciosa em suas manchetes e erros de transcricao e interpretacao de dados:

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O repórter posteriormente me informou tratar-se de taxa de mortalidade hospitalar.

A taxa de mortalidade hospitalar disponibilizada pelo tabnet do Datasus a partir de dados do Sistema de Informação Hospitalar do SUS (SIH SUS) refere-se à proporção de internações com alta por óbito. Trata-se da " Razão entre a quantidade de óbitos e o número de AIH aprovadas, computadas como internações, no período, multiplicada por 100."

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A matéria no jornal o Globo impresso apresenta uma tabela e repete diversas vezes tratar-se de uma taxa de mortalidade por cem mil habitantes. Não refere que seriam mortes hospitalares ademais de equivocar-se na reprodução do indicador que de fato se refere a uma porcentagem das internações e não a uma razão por cem mil habitantes como descrito na tabela.

A taxa de mortalidade hospitalar está relacionada à gravidade dos casos internados e à complexidade da estrutura hospitalar. Assim um hospital que realiza principalmente internações por cirurgias eletivas ou para partos terá uma taxa de mortalidade hospitalar muito mais baixa do que um hospital que interna pacientes graves e complexos. Somente é possível comparar hospitais com perfil de internações similares e para tal existem diversos métodos de padronização das taxas.Somente as taxas de mortalidade hospitalar padronizadas podem assim ser usadas como indicador de desempenho hospitalar.

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