Paraisópolis: laudo parcial visa tirar culpa da PM, afirmam famílias

Familiares das nove vítimas que morreram por repressão policial em um baile funk criticam a divulgação apenas parcial dos laudos dos exames dos corpos. Os documentos indicam que "todas as vítimas tinham substâncias tóxicas na corrente sanguínea"

Familiares de vítimas de Paraisópolis participam de velório
Familiares de vítimas de Paraisópolis participam de velório (Foto: Reprodução)


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247 - Familiares dos nove jovens que morreram durante ação da Polícia Militar no baile da DZ7, em Paraisópolis, zona sul de São Paulo, criticaram a divulgação apenas parcial dos laudos dos exames dos corpos dos adolescentes e afirmam que a intenção foi isentar a PM de responsabilidade sobre o caso.

Reportagem do jornal Folha de S.Paulo aponta que laudos informam que "todas as vítimas tinham substâncias tóxicas na corrente sanguínea". Até o momento, as famílias não tiveram acesso aos laudos. Elas acreditam que a informação de uso de drogas é para desviar o foco das investigações.

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O presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana do Estado de São Paulo (CONDEPE), Dimitri Sales, criticou a conduta da PM e disse que "o que tem que ser apurado de fato é a conduta da PM, se ela contribuiu direta ou indiretamente para as mortes dessas pessoas".

Confira abaixo a íntegra de seu posicionamento:

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Na tarde de hoje, a imprensa informou que os laudos das mortes em Paraisópolis haviam sido entregues para o DHPP, órgão responsável pela investigação do ocorrido na madrugada de 1º de dezembro, em Paraisópolis. Deu-se destaque para o eventual consumo de álcool e entorpecente pelas vítimas. 

Os laudos devem esclarecer, contudo, não só a causa das mortes dos jovens, mas as razões destes óbitos, contribuindo para esclarecer suas responsabilidades. Uso de álcool ou entorpecentes não é crime, muito menos razão que justifique eventual arbitrariedade por agentes do Estado.

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Até o presente momento, o CONDEPE não teve acesso aos laudos, mas afirmamos ser imprescindível que as investigações apurem com rigor os responsáveis, diretos e indiretos, pelas mortes de nove jovens em Paraisópolis. 

Para acompanhar a apuração, o CONDEPE criou uma Comissão Especial, formada por membros do próprio Conselho, familiares, Núcleo de Direitos Humanos de São Paulo da Defensoria Pública da União e Centro de Antropologia e Arqueologia Forense da UNIFESP. Também, terá a participação de movimentos sociais e especialistas em direitos humanos e segurança pública.

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Na próxima semana, o CONDEPE se reunirá com movimentos sociais para apresentar suas ações e definir as próximas iniciativas coletivas. Em seguida, a Comissão Especial de Paraisópolis se reunirá para traçar os próximos passos de atuação no trabalho de acompanhamento da investigação. 

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