Padre Júlio Lancellotti: ‘temos que arrebentar as pedras desse capitalismo selvagem’
‘Queremos que as pessoas tenham casa para morar e que, em vez de gastar dinheiro público para colocar pedras, façam um ecoponto, façam qualquer outra coisa, e façam casas para os moradores de rua’, disse o padre à TV 247. Assista
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247 - Defensor dos mais pobres há décadas, principalmente na Zona Leste de São Paulo, o padre Júlio Lancellotti ganhou os jornais mais uma vez há quase dez dias quando, simbolicamente, usou uma marreta para derrubar pedras colocadas pela prefeitura da capital paulista sob um viaduto para impedir que pessoas em situação de rua se alojassem no local. “Me deu uma tristeza na hora”, disse o padre, lembrando que as pedras foram colocadas embaixo do viaduto Dom Luciano Mendes de Almeida.
A atitude da prefeitura faz parte de uma linha chamada de “arquitetura hostil” que, na prática, expulsa os moradores de rua de espaços públicos. O padre esclareceu que não defende que homens e mulheres morem sob viadutos e pontes, mas sim que tenham moradia digna. “Alguns se enganam achando que nós queremos que as pessoas fiquem embaixo do viaduto. Nós não queremos. Nós queremos que elas tenham casa para morar e que, em vez de gastar dinheiro público para colocar pedras, façam um ecoponto, um canteiro de mudas para verdejar as cidades, façam qualquer outra coisa, e façam casas para os moradores de rua”.
“As pedras que nós temos que tirar são as pedras da indiferença, desse capitalismo selvagem, desse neoliberalismo exacerbado. Essas pedras todos nós podemos arrebentar. E a marreta é a marreta da resistência, da coragem”, completou.
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