No Rio, 620 mil pessoas estão sob poder de milícias
Apesar da atuação das forças de Segurança Pública, que desde 2009 já realizou a prisão de 989 pessoas, grupos milicianos crescem no Estado do Rio de Janeiro e exercem influência no cotidiano de pelo menos 620 mil pessoas; violentos, esses grupos são responsáveis pela morte de pelo menos 219 pessoas, entre 2006 e 2009; poder paralelo está presente em 368 localidades, incluindo 51 bairros da capital; no interior, áreas controladas por milícias subiu de duas para 23
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Rio 247 - Apesar da atuação das forças de Segurança Pública, que desde 2009 já realizou a prisão de 989 pessoas, grupos milicianos crescem no Estado do Rio de Janeiro e estão atuando em 36 dos 92 municípios fluminenses. Esses bandos exercem influência no cotidiano de pelo menos 620 mil pessoas, controlando a venda de produtos de primeira necessidade, meios de transporte e até a administração de conjuntos habitacionais. Pelo menos 219 pessoas foram mortas em locais dominados por milícias entre 2006 e 2009.
O poder paralelo está presente em 368 localidades, incluindo 51 bairros da capital. No interior, cresce em proporção geométrica, principalmente no Norte Fluminense: em seis anos, o número de áreas controladas na região saltou de duas para 23. Os dados são de levantamento feito pelo jornal O Globo com base em dados da Polícia Civil e do Disque-Denúncia (2253-1177).
De janeiro a agosto deste ano, o Disque-Denúncia recebeu 2.522 ligações com relatos sobre ações de milícias em diferentes regiões do estado. A capital concentra o maior número de denúncias: foram 1.811 telefonemas — 73% do total. Predominantemente comandadas por policiais e bombeiros da ativa ou expulsos de suas corporações, essas quadrilhas ganharam notoriedade em meio às investigações da CPI das Milícias da Assembleia Legislativa. O relatório final elaborado pela comissão em 2008 cita a presença de grupos paramilitares em 171 localidades. Passados seis anos, a quantidade de favelas e conjuntos dominados cresceu 115%.
Atualmente, milícias que buscam novas áreas têm uma prioridade: os conjuntos habitacionais. Quadrilhas já controlam 17 empreendimentos do programa do governo federal Minha Casa Minha Vida na Zona Oeste, nos quais vivem 14 mil pessoas. O avanço sobre esse tipo de moradia começou nos condomínios do Quitungo, em Cordovil; no IAPI e no IAPTec, na Penha; no IAPC e no Pombal, em Cascadura; no Conjunto dos Ex-Combatentes, em Benfica; e na Cohab em Realengo. Neles, paramilitares assumiram a administração dos serviços de manutenção dos prédios, cobram taxas de segurança e ainda lucram com a exploração ilegal de sinais de TV a cabo, entre outras atividades.
Em nota, o Ministério das Cidades informou que está a par do problema nos conjuntos do Minha Casa Minha Vida e que, em parceria com a Secretaria Nacional de Segurança Pública, formou um grupo de trabalho para ''integrar ações voltadas à prevenção de condutas ilícitas nos programas habitacionais da União".
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