'Não faça do coronavírus o tema mais importante do seu dia', aconselha psiquiatra
Professor de psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, Wagner Gattaz também afirma que "a Covid-19 pode desencadear o medo racional, normal frente ao desconhecido". "Mas também existe o medo patológico, das pessoas que já têm uma vulnerabilidade maior para situações extremas, com transtornos de ansiedade e quadros depressivos", diz
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247 - Professor de psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e presidente do Conselho Diretor do Instituto de Psiquiatria da USP, Wagner Gattaz alerta que, durante a epidemia do coronavírus, manter a sanidade mental requer atenção redobrada para quem já tem transtornos psiquiátricos, especialmente, para quem tem predisposição para ansiedade e sintomas depressivos. O estudioso destaca a necessidade de ocupar tempo no isolamento.
"A pessoa deve procurar atividades como ver um filme,ler um livro. Atividade física é importantíssimo, em casa ou dando uma volta - ainda é possível desde que mantendo a distância das pessoas. E, acima de tudo, manter contato com as pessoas, ligar, falar com amigos, perguntar como estão, como passam pela crise, acentuar mais o contato cibernético", diz. A entrevista foi publicada no jornal O Globo.
"Outra questão importante é resistir à tentação de ficar o dia inteiro vendo noticiário, de manhã até a noite. Leia um jornal, veja um ou dois noticiários. Não faça da Covid-19 o tema mais importante do dia. Isso ajuda a se manter bem", afirma.
De acordo com o professor, "a Covid-19 pode desencadear o medo racional, normal frente ao desconhecido, porque estamos confrontados com dois riscos: um deles é o do agora, a infecção em si, o outro é o do futuro, de gente que não sabe como vai ser a vida em dois, três meses, por medo do desemprego. É um teste duplo para a sociedade, sobre como vamos reagir frente a essas duas ameaças".
"Mas também existe o medo patológico, das pessoas que já têm uma vulnerabilidade maior para situações extremas, com transtornos de ansiedade e quadros depressivos", continua.
O docente esclarece que "o medo normal não nos rouba a ação, pelo contrário". "Já o medo patológico é paralisante A reação é fisiológica: o coração dispara, há calafrios, dificuldade para respirar, sudoreses, tonturas e medo de desmaiar, de morrer, de perder o controle, de ficar louco".
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