“Não era para ter diálogo antes”, diz governador do Rio sobre ocupações no Jacarezinho
Moradores relataram tiroteios e toques de recolher pela polícia nesta sexta-feira (21), dois dias após a ocupação pela PM
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247 - Após críticas por não ter ouvido os moradores das comunidades ocupadas nesta semana por policiais do estado, o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, disse que a ocupação não se faz com diálogo.
“Eu nunca vi ter diálogo antes de ocupar. Não era mesmo para ter diálogo, eu entendo a crítica, mas não concordo”, afirmou em coletiva neste sábado (22), três dias após a ocupação. Ele disse se tratar do ‘Cidade Integrada’, ocupação social sem violência.
Nesta sexta, dois dias depois de os policiais ocuparem a comunidade do Jacarezinho, moradores relataram tiroteios e toques de recolher ordenados pela PM. No dia da ocupação, também descreveram invasões de casas.
Uma comissão formada por lideranças comunitárias, coordenadores de projetos e representantes da Comissão de Direitos Humanos da Alerj manifestaram-se em carta ao governador. Leia abaixo o texto publicado no Portal Favelas:
*Carta da Comissão do Jacarezinho*
A comissão formada por lideranças comunitárias, Coordenadores de Projetos e Representantes da Comissão de Direitos Humanos da ALERJ, vem a público externar a insatisfação com a forma com que o Governo do Estado tem proposto a intenção de implantar o projeto denominado Cidade Integrada.
Mais uma vez, a sociedade local amanheceu com uma grande atuação das forças de Segurança Pública em nosso Complexo de Favelas aqui do Jacarezinho. Acreditamos que toda intenção de melhoria para este território tão empobrecido e carente de transformações sociais, deveriam ter a participação das lideranças e instituições locais para a formação de uma proposta que atenda a realidade dos mais de 80 mil moradores que vivem aqui no Jacarezinho.
Entendemos, que a ausência deste diálogo na construção do projeto, dispensa a voz da Comunidade, no contexto dessa Ação. Reiteramos a necessidade de fortalecimento dos equipamentos públicos já existentes no território, trazendo cidadania, educação, esporte, cultura, lazer, saúde, trabalho e renda. Contribuindo com as lideranças, e fortalecendo os projetos sociais já existentes no território.
Não somos contra o trabalho do Estado, muito pelo contrário, entendemos que uma sociedade civilizada precisa de instituições atuantes, agindo dentro dos limites da lei.
Diante da dramática situação de total abandono social em que vivemos no Jacarezinho (dentro dos piores índices de IDH do Estado), torna-se fundamental lembrar as autoridades que aqui vivem pessoas de bem, pagadores de impostos e que merecem serem tratadas com dignidade. Exigimos que toda a ação do Governo de intervenção de segurança, seja precedida de uma intervenção social.
A Comunidade segue acreditando que o diálogo será sempre o melhor caminho.
ASSINAM OS REPRESENTANTES DAS SEGUINTES ENTIDADES
Centro de Relação, Inovação e Articulação em Rede
Centro Cultural do Jacarezinho
Jaca em Cena
Comissão de Direitos Associação de Mulheres
MNU Favelas
Portal Favelas
Articulação Nacional dos Psicólogos e Psicólogas Negras
Ativistas comunitários
Coletivo Psicointegra Favela
Psicanalistas Unidos pela Democracia
ONG Viva Jacarezinho
G.R.E.S Unidos do Jacarezinho
Viva Rio
Rio de Janeiro, 20 de janeiro de 2022
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