Não é cuidado paliativo, é homicídio, diz paciente da Prevent durante CPI
"Homicídio doloso qualificado", afirmou o advogado Tadeu Frederico de Andrade sobre os estudos da Prevent Senior com medicamentos sem eficácia comprovada para o tratamento de pessoas diagnosticadas com a Covid-19. O depoente também havia falado à CPI da Covid no Senado, que pediu o indiciamento de 11 pessoas ligadas à operadora de saúde
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247 - O advogado Tadeu Frederico de Andrade afirmou que os estudos da Prevent Senior com medicamentos sem eficácia comprovada para o tratamento de pessoas diagnosticadas com a Covid-19 "não tem o nome de cuidados paliativos, tem o nome de homicídio". "Homicídio doloso qualificado", disse ele nesta quinta-feira (28) na CPI da Câmara Municipal de São Paulo instaurada para apurar a atuação da operadora de saúde durante a pandemia. Foi o primeiro depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito da capital. Os relatos dos depoentes foram publicados pelo jornal Folha de S.Paulo.
O defensor já havia falado à CPI da Covid, no Senado, que pediu o indiciamento de pelo menos 11 pessoas ligadas à Prevent Senior - os donos Fernando Parrillo e Eduardo Parrilo, o diretor-executivo Pedro Benedito Batista Júnior, mais oito médicos. A operadora ocultou mortes de pacientes com a doença durante estudo para testar a eficácia da hidroxicloroquina, associada à azitromicina.
"Sou um dos poucos sobreviventes do procedimento que a Prevent tinha tomado como política interna de levar a óbito pacientes que estavam em estado grave, mas não eram terminais", disse Andrade aos vereadores da capital paulista.
De acordo com o advogado, os médicos queriam encaminhá-lo para os cuidados paliativos, e o seu óbito aconteceria em poucos dias. Mas sua família resistiu e ele sobreviveu. "Fiquei 120 dias internado e era para estar indo a óbito já no primeiro mês. Porque estava na UTI, intubado, internado, gerando custo e a desculpa foi essa, que eu não tinha salvação. E hoje sabemos que dezenas, talvez centenas de famílias foram convencidas com esse conceito de cuidado paliativo", disse.
Mais depoimentos
O escritor Gilberto Nascimento disse que os médicos da operadora tentaram convencer seus familiares a aceitar que sua mãe, Terezinha, fosse mandada para os cuidados paliativos. Ele disse que seus parentes ouviram uma conversa dos médicos, na qual um deles perguntou: "Para que internar uma pessoa de 90 anos?".
De acordo com o relato, só depois ela foi deslocada para a UTI, mas acabou morrendo. "Todas as pessoas idosas que deram entrada na Prevent Senior, a maneira de agir, de abordar, as conversas eram todas iguais. Nós nos sentimos completamente enganados", afirmou. "Era um procedimento no sentido de convencer a família a todo custo de aceitar os cuidados paliativos".
Tomás Monge, neto de uma paciente de 94 anos que morreu, relatou situação parecida. "Depois de tudo que foi mostrado, para mim fica muito claro que é uma prática escabrosa", disse. "A gente nunca vai saber se a minha avó tinha condições de lutar".
Tércio Felippe Mucedolia Bamonte perdeu o pai de 71 anos e afirmou que os sintomas dele foram tratados como "preguiça" pela operadora. Ao chegar ao hospital, o paciente era mandado embora. "Ele se arrastando, mal conseguindo falar, a Prevent mandava de volta para casa. Foram quatro vezes que isso aconteceu", complementou.
CPIs na Câmara podem ter 120 dias, prorrogáveis duas vezes por igual período.
Outro lado
Em nota, a Prevent Senior afirmou que "lamenta a dor sofrida pelas perdas". "Reafirma que jamais tratou seus pacientes adotando procedimentos com o objetivo de reduzir custos ou liberar leitos. Trata-se de uma narrativa mentirosa, equivocada, com o objetivo de atingir a imagem da empresa", disse.
"A Prevent continuará prestando atendimento de qualidade aos mais de 550 mil beneficiários e buscará na Justiça a retratação de todos os que buscam desacreditá-la", acrescentou.
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