Mortos no Jacarezinho foram atingidos no rosto, abdômen e nas costas, dizem boletins médicos

Descrições de boletins de atendimento médico (BAMs) apontaram corpos com "faces dilaceradas" na chacina do Jacarezinho (RJ). Por consequência, os BAMs reforçaram os relatos de moradores da favela sobre o fato de as vítimas terem sido retiradas de lá já mortas

Corpo de morador do Jacarezinho retirado num saco pela polícia
Corpo de morador do Jacarezinho retirado num saco pela polícia (Foto: RICARDO MORAES / REUTERS)


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247 - As vítimas da chacina policial no Jacarezinho (RJ) foram atingidas por arma de fogo no rosto, no abdômen e nas costas, de acordo com boletins médicos. Ao todo, 28 pessoas morreram durante o massacre na zona norte do Rio de Janeiro. O tiro nas costas pode levantar a suspeita de que não houve confronto. As descrições apontaram corpos com "faces dilaceradas". Por consequência, os boletins reforçaram os relatos de moradores da favela sobre o fato de as vítimas terem sido retiradas de lá já mortas, o que reforçou ainda mais o descumprimento pela polícia de uma determinação do Supremo Tribunal Federal, no ano passado, quando foi proibida a realização de operações nas favelas do Rio durante a pandemia do coronavírus.

As informações constam nos cinco BAMs (boletins de atendimento médico) produzidos no Hospital Municipal Evandro Freire, uma das três unidades para as quais foram levados os baleados na operação, de acordo com informação foi publicada pelo jornal Folha de S.Paulo. Os hospitais Souza Aguiar e Salgado Filho não disponibilizaram a documentação. Sabe-se apenas que as vítimas também chegaram mortas a essas unidades.

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De acordo com a presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ, Nadine Borges, além de violar a decisão do STF, a operação contrariou as determinações da Corte Interamericana de Direitos Humanos no julgamento da chacina de Nova Brasília, ocorrida na década de 1990. "O que é apontado nos boletins demonstra indício de desfazimento da cena de crime. Eles transformaram uma obrigação em fazer num roteiro, às avessas, de fraude processual", afirmou.

A Polícia Civil informou que a operação teve como objetivo o cumprimento de 21 mandados de prisão contra pessoas denunciadas sob acusação de associação ao tráfico de drogas. 

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A Defensoria Pública afirmou haver relatos de mortos que se entregaram para a polícia. O órgão também criticou o desfazimento das cenas dos crimes antes da realização de perícia.

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