Manifestantes e PMs se enfrentam em protesto por sumiço de Amarildo

Manifestantes que protestavam para lembrar os dois anos de sumiço de Amarildo de Souza, na Rocinha, zona sul do Rio de Janeiro, entraram em confronto com PMs, depois de tentar fechar a Auto-Estrada Lagoa-Barra, na comunidade; parentes e amigos do pedreiro acabaram reprimidos pelos policiais; os PMs tentavam impedir que eles bloqueassem a via, que liga a Barra da Tijuca à zona sul da cidade, e usaram gás de pimenta

Policiais militares tentam conter protesto na favela da Rocinha pelos dois anos de desaparecimento do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza durante uma operação policial (Fernando Frazão/Agência Brasil)
Policiais militares tentam conter protesto na favela da Rocinha pelos dois anos de desaparecimento do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza durante uma operação policial (Fernando Frazão/Agência Brasil) (Foto: Leonardo Lucena)


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Vladimir Platonow - Repórter da Agência Brasil

Manifestantes que protestavam para lembrar os dois anos de sumiço de Amarildo de Souza, na Favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, entraram em confronto com policiais militares (PMs), depois de tentar fechar a Auto-Estrada Lagoa-Barra, na comunidade. Parentes e amigos do pedreiro acabaram reprimidos pelos policiais. Os PMs tentavam impedir que eles bloqueassem a via, que liga a Barra da Tijuca à zona sul da cidade, e usaram gás de pimenta.

A viúva de Amarildo, Elisabete Gomes da Silva, ficou indignada com a ação da polícia e perguntava, aos gritos, onde estava o marido. “Dois anos se foram, e são dois anos que não temos resposta. A gente não sabe onde está Amarildo. Eu quero que eles paguem pelos erros que fizeram. Destruíram minha família. Cadê o cadáver de Amarildo? Eu quero respostas sobre onde estão os restos mortais de meu marido”, falou Elisabete.

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O filho de Amarildo, Emerson Gomes da Silva, disse que a família sofre sem poder dar um enterro digno ao pedreiro, que sumiu no dia 14 de julho de 2013, depois de ser levado por policiais militares para a base da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), no alto da favela. “Até hoje a família está angustiada, sem ter os restos mortais dele. Quero achar o corpo do meu pai, porque eles sabem onde está”, acredita.

Após cerca de dez minutos de confrontos entre PMs e manifestantes, uma parte da via foi liberada ao trânsito, que seguiu em meia pista. Durante a confusão, um dos policiais tentou arrancar uma faixa de protesto das mãos dos manifestantes. Outros policiais tentaram algemar um dos ativistas, mas foram impedidos. O ex-comandante da UPP major Edson Santos e 24 policiais ainda aguardam julgamento. Eles foram indiciados por tortura, ocultação de cadáver, fraude processual e formação de quadrilha pelo sumiço do pedreiro.

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