Manifestação no Rio defende parto humanizado e redução de cesarianas

Um grupo de mulheres a favor da humanização do parto, com o apoio de ativistas e de profissionais de saúde, fez hoje (19) um ato silencioso no Hospital Maternidade Maria Amélia Buarque de Hollanda, no centro da capital fluminense. A manifestação dá continuidade a uma série de atividades que vêm ocorrendo desde o ano passado, quando foram realizados os primeiros protestos nacionais. Este ano, as ações envolvem 34 cidades

Rio de Janeiro - Famílias realizam ato pela humanização do parto em frente à maternidade Maria Amélia Buarque de Hollanda (HMMA), no centro da cidade, para chamar atenção para a humanização do parto e apoiar profissionais de saúde e instituições que segue
Rio de Janeiro - Famílias realizam ato pela humanização do parto em frente à maternidade Maria Amélia Buarque de Hollanda (HMMA), no centro da cidade, para chamar atenção para a humanização do parto e apoiar profissionais de saúde e instituições que segue (Foto: Valter Lima)


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Douglas Corrêa
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - Um grupo de mulheres a favor da humanização do parto, com o apoio de ativistas e de profissionais de saúde, fez hoje (19) um ato silencioso no Hospital Maternidade Maria Amélia Buarque de Hollanda, no centro da capital fluminense. A manifestação dá continuidade a uma série de atividades que vêm ocorrendo desde o ano passado, quando foram realizados os primeiros protestos nacionais. Este ano, as ações envolvem 34 cidades.

O Brasil tem a mais alta taxa de cesarianas do mundo: o número de cirurgias aumentou de 37,8% para 52,3% entre 2000 e 2010. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que essa taxa seja 15%, tanto na rede pública, quanto na privada.
"O nosso ato é para apoiar nesse local [Maternidade Maria Amélia Buarque de Hollanda] todos os profissionais que lutam para que a mulher seja protagonista do seu trabalho de parto e, isso faz com que as cesáreas feitas por conveniências médicas não aconteçam", destacou a funcionária pública Paula Inara, de 38 anos, uma das coordenadoras do Movimento pela Humanização do Parto.

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Segundo a médica e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Maria do Carmo Leal, o número de cesarianas está aumentando a cada ano, na contramão do que acontece em países desenvolvidos, como na Europa, onde não ocorre a prática indiscriminada de partos cirúrgicos. "Nos Estados Unidos, que têm um modelo de atenção um pouco parecido com o nosso, eram 33% de cesáreas e agora estão com 31%, porque estão fazendo um imenso esforço para diminuir essa taxa.”

Em março de 2014, Maria do Carmo lançará a pesquisa Inquérito Nacional sobre Parto e Nascimento, realizada nos últimos três anos em todo o país. O documento vai descrever como é a assistência ao parto; quais são as intervenções que vêm sendo feitas sobre o parto vaginal; qual é a aprovação de cesáreas; como a decisão pela cesárea está sendo feita no Sistema Único de Saúde (SUS) e na rede privada. "É uma pesquisa muito grande, que também vai contemplar os resultados sobre como o parto é realizado, sobre a mãe e o recém-nascido.”

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O Movimento pelo Parto Humanizado também se solidariza com as mães que perderam quatro bebês de cesariana no início do ano na Maternidade Maria Amélia e pede que as causas sejam apuradas rapidamente. O movimento afirma ainda que não é contra a realização de cesarianas. Apenas considera que elas devem ser feitas quando há indicação clara e real para mãe ou para o bebê e não de forma indiscriminada, como tem sido feita no país.

Segundo a enfermeira obstétrica Mara Libertad, que acompanha partos normais em casa e trabalha junto ao Movimento pela Humanização do Parto, o que a maternidade faz é o recomendado pelo Ministério da Saúde como mais adequado para as mulheres em trabalho de parto. "Ela tem acompanhamento em uma sala individual, com recursos para o alívio da dor, e direito ao acompanhante, reconhecido por lei.”

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Edição: Andréa Quintiere

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