Maior operação policial já feita no Rio prende 63 PMs e 22 traficantes
Policiais e traficantes são acusados de participar de um esquema de propina para favorecer bocas de fumo de São Gonçalo, na região metropolitana; os acusados recebiam cerca de R$ 1 milhão por mês para proteger e deixar traficantes atuarem; os agentes chegavam até a sequestrar traficantes e parentes deles quando as propinas não eram pagas e liberavam quando o valor acertado era quitado. “Manda três caixas (R$ 3 mil) que a gente libera os moleques sem esculacho”, afirma um dos PMs, em escuta; em 2016, 302 PMs foram presos. Neste ano, o número chega a 200, após a operação desta quinta
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Rio 247 - A operação contra a corrupção policial já realizada no Estado do Rio de Janeiro prendeu nesta quinta-feira (29) 63 policiais e 22 traficantes acusados de participar de um esquema de propina para favorecer bocas de fumo de São Gonçalo, na região metropolitana. O grupo foi descoberto a partir da delação premiada de um intermediário da quadrilha, no ano passado. Os acusados recebiam cerca de R$ 1 milhão por mês para proteger e deixar traficantes atuarem. Segundo as investigações, eles também revendiam armas e drogas apreendidas para o Comando Vermelho, forjavam apreensões em comunidades da região metropolitana. Os agentes chegavam até a sequestrar traficantes e parentes deles quando as propinas não eram pagas e liberavam quando o valor acertado era quitado. “Manda três caixas (R$ 3 mil) que a gente libera os moleques sem esculacho”, diz um dos PMs, em escuta. Os crimes investigados aconteceram entre 2014 e 2016.
Em 2016, 302 PMs foram presos. Neste ano, o número chega a 200, após a operação desta quinta. De acordo com o delegado Fábio Barucke, titular da Divisão de Homicídios de Niterói e São Gonçalo, os militares agiam de forma organizada e mantinham organização hierárquica, divididos em grupos chefiados pelos chefes do esquema. “Extraímos de lá essas laranjas podres para fortalecer ainda mais essa instituição”, afirmou.
De acordo com as apurações, existem informações de que os PMs ordenavam que os traficantes praticassem assaltos, para pagar a propina aos militares. Para não levantar suspeitas, combinavam algumas apreensões.
Entre os presos está o sargento André Luiz de Oliveira, que ganhou o prêmio de Policial do Ano por uma revista especializada. Ele tinha o apelido de “Sobrancelhudo” entre os traficantes e arrecadava R$ 1 mil por semana. Entre os crimes apurados praticados pelos PMs do “batalhão da propina” estão formação de quadrilha, extorsão, assalto, sequestro, venda de armas e drogas.
Foram interceptadas cerca de 220 mil ligações telefônicas entre agentes e traficantes.
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