Jovem relata ataque da PM em Paraisópolis: "Agora corre, vagabunda"
A jovem I.S., 17 anos, relata a ação da PM durante baile funk em Paraisópolis, que deixou nove mortos pisoteados e sufocados. "Coloquei a mão na cabeça e fiquei muito assustada quando vi aquela quantidade de sangue. Jorrava sangue da minha cabeça", relata. "Nessa hora o policial que jogou a garrafa me disse: 'Agora corre, vagabunda'"
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247 - A jovem I.S., 17 anos, que na madrugada de sábado para domingo mudou seus planos para ir ao baile da DZ7 em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, relata a angústia de sair do local. Nove pessoas morreram pisoteadas em um baile funk após ação da Polícia Militar para dispersão do baile.
"Os policiais mandaram a gente por a mão na cabeça e sair correndo da viela. Saí correndo com meu namorado, mas, no caminho, ele começou a apanhar de um policial. Foi nessa hora que vi uma menina também sendo agredida por um policial. Quando o policial parou de bater, ela foi pisoteada por quem estava passando ali", disse ela em entrevista ao site Uol.
"Fui ajudar essa menina, ela disse que tinha perdido o tênis e abaixou para procurar. Ela achou o tênis, levantou, e eu vi um policial parado com uma garrafa na mão. Virei para ela e falei: 'abaixa a cabeça que o policial está com uma garrafa e acho que ele vai tacar na gente.' Quando olhei de novo para o policial, a garrafa veio no meu rosto, uma garrafa de uísque de vidro", continua.
"Nesse momento eu comecei a sangrar, coloquei a mão na cabeça e fiquei muito assustada quando vi aquela quantidade de sangue. Jorrava sangue da minha cabeça. Eu estava com duas blusas de frio, tirei uma delas e coloquei na cabeça. Nessa hora o policial que jogou a garrafa me disse: 'Agora corre, vagabunda'".
A jovem disse ter levado "50 pontos no rosto por causa dos cortes da garrafa". "Eu tenho que ficar em casa, não posso sair de casa, não posso receber nenhuma visita para não correr o risco de pegar algum tipo de infecção".
O procurador-geral de Justiça Gianpaolo Smanio confirmou que o Ministério Público de São Paulo está investigando o caso como homicídio.
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