Jacarezinho: depoimento de testemunha contradiz versão de policiais sobre socorro a mortos

Moradora de um local onde duas pessoas foram baleadas afirmou ter visto os homens já mortos em um cômodo da residência. Os policiais, por outro lado, relatam que socorreram ambos com vida, na operação que matou 27 pessoas no Rio, em maio

(Foto: RICARDO MORAES/Reuters)


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247 -  O depoimento de uma testemunha de duas das 27 mortes cometidas por policiais durante operação realizada pela Polícia Civil na favela do Jacarezinho, no Rio de Janeiro, em 6 de maio, contradiz a polícia e o depoimento dos agentes envolvidos na ocorrência, levantando à suspeita de fraude processual.  

De acordo com reportagem do portal UOL, em seu depoimento à Delegacia de Homicídios da Capital, responsável pela investigação das mortes, uma moradora que viu os corpos de dois homens baleados em um cômodo da residência, afirmou que ela e a família estavam abrigadas no apartamento de um vizinho, no segundo andar do imóvel. Após ouvir os disparos, ela foi chamada por um dos policiais para acompanhar as buscas em sua residência, que fica no terceiro andar, e viu os dois homens mortos na sala, Isaac Pinheiro de Oliveira, de 22 anos, e Richard Gabriel da Silva Ferreira, de 23.

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"Eles [os policiais] pediram para a gente subir para ver como estava a casa, como tudo aconteceu. E os dois corpos estavam aqui na minha sala. Minha sala estava toda banhada de sangue. Sangue na parede, no sofá, tudo. E os dois corpos aqui no chão", relatou ela.

A versão da moradora contradiz a dos policiais, que em depoimento disseram que receberam uma denúncia anônima de que Isaac e Richard Gabriel faziam os moradores de reféns. 

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Três policiais entraram no apartamento do 3º andar e dizem terem se deparado com os dois jovens apontando pistolas para os policiais —o que, na versão deles, fez com que os agentes atirassem em legítima defesa

No entanto, segundo a moradora, mesmo sem conhecer os dois homens, ela disse em depoimento que eles não estavam armados quando invadiram a casa dela.

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A versão dos policiais, entretanto, contrasta com as informações trazidas nas provas periciais. O laudo de perícia de local diz que "não foi possível afirmar sobre a ocorrência de confronto" no interior do imóvel. Já os laudos cadavéricos trazem ferimentos que colocam em xeque a versão de que os suspeitos apontavam as armas para os policiais. 

Durante a operação, os 27 mortos foram atingidos por 73 tiros. Um dos corpos, o de Richard Gabriel,  foi atingido por seis tiros (dois no peito, um na barriga, um nas costas e um em cada braço).Um laudo complementar de necrópsia com os corpos de 27 mortos da operação policial no Jacarezinho, na zona norte do Rio de Janeiro, aponta que pelo menos quatro pessoas foram atingidas pelas costas e uma delas foi morta depois de ter sido atingida por um disparo a curta distância.

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