Intervenção federal no Rio emprega 13 militares da ativa e tem custo anual de R$ 1,3 milhão

A estrutura, atualmente vinculada à Casa Civil da Presidência da República, chefiada pelo ministro Ciro Nogueira, tem custo mensal de R$ 105.187,24 com recursos humanos. As operações dos militares na segurança pública no Rio de Janeiro foi encerrada oficialmente em 31 de dezembro de 2018, mas continua segue desfalcando os cofres públicos

(Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)


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Paulo Motoryn, Brasil de Fato | Brasília (DF) - O Gabinete de Intervenção Federal do Rio de Janeiro segue desfalcando os cofres públicos mesmo depois de quase três anos de sua desativação.

A estrutura, atualmente vinculada à Casa Civil da Presidência da República, chefiada pelo ministro Ciro Nogueira, tem custo mensal de R$ 105.187,24 com recursos humanos.

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A missão dos militares na segurança pública no Rio de Janeiro foi encerrada oficialmente em 31 de dezembro de 2018, após ter sido determinada pelo então presidente Michel Temer (MDB). O interventor, chefe da operação em território carioca, é o atual ministro da Defesa, o general Walter Braga Netto.

O custo mensal do gabinete, obtido pelo Brasil de Fato, corresponde ao pagamento de cargos comissionados, estabelecidos pelo Decreto nº 10.547, de 20 de novembro de 2020, e de gratificação salarial aos militares, por ocuparem funções em estrutura fora das Forças Armadas.

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A equipe do gabinete é composta por 18 servidores, sendo 13 militares da ativa e outros 5 (cinco) ocupando cargos comissionados.

Inicialmente, o grupo seria extinto em meados de 2019. A data foi postergada para junho do mesmo ano. Depois, para 31 de março de 2020. Em seguida, a nova previsão era de 1º de dezembro de 2020. No dia 8 daquele mês, contudo, uma portaria determinou a sequência de atividades por mais um ano, até dezembro de 2021.

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Em nota, a chefia do gabinete justifica a manutenção da equipe por atividades como o controle e acompanhamento de entregas remanescentes dos contratos, operações administrativas e a instauração e o acompanhamento de processos administrativos.

Entre os temas monitorados pela equipe está o caso revelado pelo Brasil de Fato sobre um contrato de mais de R$ 40 milhões que é investigado em processo administrativo que corre no governo federal. O acordo, firmado sem licitação com a empresa estadunidense CTU Security, foi firmado em 2018.

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O contrato com o governo brasileiro previa a entrega de 9.360 coletes à prova de bala para a Polícia Civil do Rio de Janeiro. O custo médio de cada colete seria de R$ 4,3 mil. No primeiro mês do governo Bolsonaro, o Executivo chegou a pagar R$ 35.944.456,10 à empresa. Três meses depois, no entanto, o pagamento foi cancelado e o contrato suspenso.

Desde 2020, o Executivo apura as responsabilidades pelo descumprimento do contrato. No fim de julho, o governo estendeu o prazo da apuração pela terceira vez pelo prazo de 180 dias.

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Na ocasião, o Executivo mudou o padrão das publicações do Diário Oficial e escondeu o nome da empresa, que é investigada nos Estados Unidos por envolvimento no assassinato do presidente do Haiti, Juvenel Moïse.

O legado

O Gabinete de Intervenção Federal afirma ter atuado, após a desativação, em um Plano de Legado para o Estado do Rio de Janeiro. Para tal, a equipe criou o Banco de Dados do Legado Tangível e Intangível da Intervenção Federal (BDLTI) para organizar o registro de todos os bens entregues à Secretaria de Estado de Polícia Militar, à Secretaria de Estado de Polícia Civil, ao Corpo de Bombeiros Militar, à Secretaria de Defesa Civil e à Secretaria de Administração Penitenciária.

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Em seu site, a equipe publicou dois infográficos sobre a entrega de equipamentos que representariam o "legado" do trabalho desempenhado pelos militares. Veja:

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