Governo Federal tenta, por decreto, isolar Paes e Ceciliano do debate sobre privatização do Santos Dumont

Grupo de trabalho criado pelo ministro Tarcísio Freitas não inclui técnicos da Prefeitura do Rio de Janeiro e nem da Assembleia Legislativa

Rio de Janeiro - Aeroporto Santos Dumont (Foto: Tomaz Silva/Agꮣia Brasil)
Rio de Janeiro - Aeroporto Santos Dumont (Foto: Tomaz Silva/Agꮣia Brasil) (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)


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Ricardo Bruno, Agenda do Poder - Para a infelicidade de todos os cidadãos fluminenses, pouco pode se esperar do grupo de trabalho criado pelo ministro Tarcísio Freitas para, supostamente, reestudar o modelo de concessão do Aeroporto Santos Dumont.

Por sua composição e pelo ato constitutivo da comissão vê-se que o objetivo é mais diversionista e menos interessado em produzir mudanças objetivas no modelo tecnicamente indefensável e eticamente duvidoso do edital.

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Não apenas a Prefeitura do Rio, como corretamente protestou Eduardo Paes, foi excluída da composição do grupo. Também a Assembleia Legislativa, instituição responsável pelos primeiros estudos a apontar a estranha modelagem, não foi chamada à mesa de negociações.

Para dar curso a essa manobra de interesses aparentemente escusos, o governo federal deixou de fora dois dos principais players na formulação de políticas públicas no Rio. Ambos dotados de equipes técnicas apetrechadas para o debate.

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Não foi, obviamente, por acaso a exclusão de duas instituições públicas, de contundente legitimidade, lideradas por políticos de oposição ao governo de Jair Bolsonaro. Ao formatar a equipe de modo excludente, o ministro Tarcísio Freitas, flagrantemente, tenta isolar o prefeito Eduardo Paes (PSD) e o presidente André Ceciliano (PT). Como se fosse possível, por decreto, interditar o debate não conveniente.

A portaria  de criação do grupo de trabalho, no artigo 5º, parágrafo único, deixa incontrastável o objetivo nada sério da proposição. Diz claramente que as conclusões do trabalho podem ser ignoradas pelos órgãos da administração federal. Ou seja, mesmo que haja consenso em torno da necessidade de mudanças no edital para salvaguardar a sustentabilidade operacional do Galeão, tudo pode ser posto na lata de lixo, para dar curso ao certame, eivado de pontos obscuros e interesses inconfessos.

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Bem intencionado, o governador Cláudio Castro tenta, no limite da atuação política de um filiado ao mesmo partido do presidente, convencer o ministro da necessidade de mudança. Para além das questões técnicas, mostrou a Tarcísio Freitas que o Rio, através de todas as suas lideranças políticas e empresariais, se uniu em torno da necessidade de salvar o Galeão.

Se antes o debate era exclusivamente técnico, agora a questão se impôs como bandeira política. Na história recente do Rio, em raríssimas vezes houve unanimidade semelhante. Defender o modelo proposto pelo governo federal é optar pelo isolamento.

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Ao tergiversar de modo tão flagrante, Tarcísio Freitas parece não se importar em permanecer no gueto dos irresponsáveis que, por interesses no mínimo suspeitos, tentam inviabilizar a operação sustentada dos dois principais aeroportos fluminenses.

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