Fernando Brito: onde Witzel e Bolsonaro se encontram

"A violência policial, embora seja tida como 'aceitável' para muitos, tomou uma proporção que permite dizer que uma imensa maioria se considera, também, potencial vítima desta escalada repressiva. Como é esta a orientação tanto de Witzel quanto de Bolsonaro , é espaço pequeno para que, politicamente, entrem em conflito", constata o jornalista Fernando Brito



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Por Fernando Brito, no Tijolaço-  Segurança pública, sabem todos os que a analisam como política pública, é um indicador essencialmente subjetivo – é a sensação de segurança.

Ainda que alimentado por uma base real – os índices de criminalidade – esta sensação provém de percepções que vêm da experiência nas ruas e do impacto da mídia.

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No Rio, ambos favorecem – e há muito tempo – que esta percepção seja negativa.

Não é preciso aprofundar-se em estudos, basta olhar os jornais de hoje.

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Ontem, oito assaltantes invadiram uma agência bancária na Avenida Dona Belarmina Marin, a mais importante do bairro do Grajaú, Zona Sul (e mais pobre) da capital. Explodiram caixas eletrônicos, atravessaram ônibus interrompendo o trânsito por horas, trocaram tiros de arma pesadas com a polícia.

Na capas do Estadão e da Folha, nem uma palavra sobre o fato. No popular Agora São Paulo, uma pequenina nota.

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No Rio, as cenas de guerra ganhariam, no mínimo, um quarto das primeiras páginas, senão mais.

É discussão longa e matizada, porque necessário agir sobre sensações tanto quanto sobre as causas reais desta percepção, tanto no crime quanto nos organismos que, tão criminosos quanto, surgem para controlar os bairros e comunidades pobres e constituir as máfias armadas e policialescas das milícias.

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A pesquisa Datafolha publicada hoje, sobre esta percepção dos cariocas – a pesquisa não abrange metade da população do Grande Rio, portanto – tem importância por revelar que, mesmo num quadro de alívio desta tensão, não vai além de 15% a aprovação de uma política de “mirar na cabecinha” como alternativa para a segurança pública.

Há um erro grosseiro na apresentação dos números, porque induzem à ideia de que a elevação da aprovação da política de segurança (ainda que a míseros 15%) saltou a este índice por conta do desempenho do governo estadual. O número usado para esta comparação foi março de 2018, quando recém se iniciava a intervenção militar na área de segurança pública.

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O que é objetivo é que se elevou a proporções incríveis o medo da população em relação às forças policiais. Quatro em cada cinco cariocas temem a PM e ainda um pouco mais, à milicia que se formou à sua sombra.

A violência policial (e parapolicial), embora seja tida como “aceitável” para muitos, tomou uma proporção que permite dizer que uma imensa maioria se considera, também, potencial vítima desta escalada repressiva.

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Como é esta a orientação tanto do Governo Witzel quanto do Governo Bolsonaro , é espaço pequeno para que, politicamente, entrem em conflito. De maneira menos confrontada, o mesmo se passa na capital paulista, onde o “Bolsodória” encolheu a proporções minúsculas.

Tomara que isto seja um indicador de que as eleições de 2020 não sejam, como as últimas, campo fértil para a histeria e tire do estrelato tanto milicianos quanto genocidas.

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