Exclusivo: população de BH denuncia disparo em massa de fake news que culpa PT pelas chuvas
Em ano de eleições municipais, moradores de Belo Horizonte denunciam que grupos de direita seguem livres no disparo de milhares fake news no WhatsApp, usando o logo oficial da Prefeitura, com mensagens que culpam o PT pelas tragédias com as chuvas na região
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Por Laís Gouveia, Brasil 247 - A socióloga Clara Barreto recebeu, recentemente, uma mensagem em seu WhattsApp e, ao se deparar com o logo oficial da prefeitura de Belo Horizonte, pensou imediatamente em abrir, por se tratar de algo relevante.
No entanto, ao ler o conteúdo, ela achou algo errado. “A mensagem foi enviada por Whatsapp, com logo da prefeitura, nomeado como ‘PBH Informa’ e com DDD de Curitiba. Várias pessoas aqui em BH estão recebendo, com vários DDDs do país inteiro”, relata clara.
“É um vídeo detonando a prefeitura atual, do [prefeito Alexandre] Kalil, mas colocando a culpa de todos transtornos da chuva na conta do PT. Falam que o PT está na prefeitura há 25 anos, o que é uma mentira. Tivemos 8 anos de Márcio Lacerda (PSB) e agora estamos com o Kalil (PSD)”, acrescenta.
A fake news também chegou ao celular do Engenheiro de Software, Charles Souza. Ele relata que, durante 10 dias, recebeu mensagens do grupo, ao menos quatro vezes por dia. "É uma ação orquestrada. Vídeos de qualidade duvidosa, com informações sem fonte, sugerindo vínculos entre o atual prefeito de Belo Horizonte e o Partido dos Trabalhadores, com claro objetivo de vincular este partido às mortes e ao caos urbano de BH no período de chuvas", aponta ele.
Ele diz que tentou entrar em contato com os reponsáveis pelo disparo mas não obeteve sucesso, como mostra a imagem abaixo:

A reportagem entrou em contato com o número, questionando a origem do grupo, mas, assim como Charles, não obteve resposta. Veja:

CPI
A tática de disparos de Fake news é recente, mas bem conhecida. Na eleição presidencial de 2018 foi constatado que o grupo de Bolsonaro se beneficiou com a propagação de mentiras no aplicativo, com mensagens que ligavam o então candidato a presidente Fernando Haddad à pedofilia nas escolas, ou que Manuela D'ávila, sua vice, era usuária de drogas.
Em setembro de 2019, uma CPI das fake news foi instaurada no Senado para apurar a prática. Composta por 15 senadores e 15 deputados, a Comissão estipulou como prazo 180 dias para investigar a criação de perfis falsos e ataques cibernéticos nas diversas redes sociais.
Desde então, a CPI obteve a lista com com 400 mil contas banidas pelo aplicativo, das quais 55 mil tinham comportamento semelhante ao de robôs. O dono da agência contratada pela campanha de Jair Bolsonaro para fazer a propaganda digital nas eleições quer impedir o envio, para o TSE, da lista das 24 contas de WhatsApp que mais fizeram disparos em massa no pleito de 2018.
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