Exclusivo: laudo do IML revela que promotor que perseguiu adversários de Aécio Neves matou a esposa

Legistas apontam que ela foi envenenada e depois esganada. Ação teria sido queima de arquivo

André de Pinho, Aécio e Andrea Neves (fotos: reprodução)
André de Pinho, Aécio e Andrea Neves (fotos: reprodução) (Foto: André de Pinho, Aécio e Andrea Neves (fotos: reprodução))


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Por Joaquim de Carvalho, 247 - Laudo realizado pelo Instituto Médico Legal de Minas Gerais revela que Lorenza Maria Silva de Pinho, esposa do promotor de justiça André Luís Garcia de Pinho, foi assassinada.

O principal suspeito é o marido, que tentou cremá-la depois que um médico amigo, do hospital Mater Dei, assinou um atestado de óbito com causa inverídica. 

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No documento, o médico Itamar Tadeu Gonçalves Cardoso fez constar a informação falsa de que ela teria morrido engasgada, após misturar remédios de uso controlado e álcool.

O laudo do IML indica que ela foi envenenada e depois enforcada.

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"Diante do exame necroscópico detalhado, em suas fases externa e interna, podemos inferir os achados de grande valia, como a presença de extenso infiltrado hemático na região cervical, em especial nos planos subcutâneo e muscular, porém com integridade da cartilagem tireóide e osso hieóide, além dos resultados dos exames toxicológicos que corroboram em seus achados a presença de substâncias diversas em quantidades elevadas e até conjuntamente em níveis tóxicos, que isoladamente ou em associação que poderiam ter como resultado final a morte da periciada", afirmam os dois médicos que assinam o laudo.

Ao quesito formulado pela polícia e Ministério Público sobre qual a causa da morte, responderam:

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"Asfixia por associação de intoxicação exógena e ação contundente cervical".

As autoridades perguntaram se ela morreu por veneno e asfixia. Os peritos responderam que sim.

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Lorenza foi encaminhada no dia 2 de abril para o funeral e, na sequência, cremação. 

Informado por um parente de Lorenza de que poderia se tratar de assassinato, um delegado impediu a cremação e mandou fazer o exame no IML, cujo resultado está sendo divulgado agora.

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André de Pinho estava em dispnibilidade remunerda, depois de ser acusado de cometer diversos abusos, inclusive ameaçar de morte comerciantes que o cobravam.

Ele teve notoriedade em 2014, quando conseguiu a prisão do lobista e delator Nílton Monteiro e do dono do Novojornal, Marco Aurélio Carone.

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Nílton havia delatado o Mensalão MIneiro e a Lista de Furnas, com nomes de corruptores e corrptos do esquema de Aécio Neves.

Ele também conseguiu uma medida de busca e apreensão na casa do advogado Dino Miraglia, assistente de acusação no caso da morte da modelo Cristiane Ferreira, apontada como transportadora de mala de propina desse esquema.

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Dino tinha conseguiu a condenação do executor da homicídio e lutava para encontrar os mandantes. Depois da busca e apreensão, realizada com o uso de helicópteros e a presença da imprensa (sobretudo a Globo), ele foi abandonado pela família e deixou a advocacia, que agora, sete anos depois, retoma, já alguns êxitos.

O editor do Novojornal, Geraldo Elísio, ganhador do Prêmio Esso de Jornalismo, também foi alvo de busca e apreensão obtida por André de Pinho.

Logo depois dessas ações que silenciaram os críticos de Aécio, André de Pinho adquiriu um apartamento de luxo, avaliado em mais de 4 milhões de reais.

Ele pagou as primeiras parcelas, no valor de 500 mil reais, e depois não conseguiu mais honrar o financiamento.

André de Pinho também tinha uma disputa com o irmão, por conta de desentendimentos familiares e um suposto relacionamento amoroso com uma procuradora.

Casos que ameaçam voltar à tona caso André de Pinho decida quebrar o silêncio. Nas altas rodas, ninguém acredita que ele agiu por iniciativa própria num caso que foi decisivo para a campanha de Aécio Neves a presidente, em 2014.

Nílton Monteiro e Carone foram colocados em liberdade alguns dias depois do segundo turno da eleição.

André de Pinho cumpre prisão temporária, em sala de estado maior, mas seu encarceramento, segundo fontes do Ministério Público, deve ser convertido em preventivo.

Lorenza, a esposa, era um arquivo do que agora é interpretado como crimes do marido.

André de Pinho estava em casa com a esposa e os filhos menores quando Lorenza morreu. Ele também tentou evitar a investigação com o laudo forjado.

O Ministério Público deve denunciá-lo por feminicídio.

Ao saber da notícia, o advogado Dino Miraglia, emocionado, comentou:

"Uma vida destruída por um assassino? Hoje limpo bunda de cachorro por culpa dele! Como o mundo dá voltas? Não ganho nada com esse laudo! Ninguém vai devolver minha vida! Ninguém vai pagar o que perdi! Mas eu tenho uma mãe de 85 anos e uma filha de 29! A resposta é para elas! Quem é o bandido mesmo?".

Quando foi alvo de acusações do promotor André de Pinho, Dino foi abandonado pela esposa, teve que fechar o escritório e acabou em uma clínica psiquiátrica após ser encontrado com o batido na grande de proteção de uma rodovia.

As acusações eram infundadas, como decidiria a Justiça mais tarde, e agora quem está preso é o acusador.


Laudo do IML conclui que Lorenza foi assassinada (reprodução)
Laudo do IML conclui que Lorenza foi assassinada (reprodução)(Photo: Laudo do IML conclui que Lorenza foi assassinada (reprodução))Laudo do IML conclui que Lorenza foi assassinada (reprodução)



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