Ex-ministro Bresser-Pereira critica reformas: “Perdemos a ideia de nação”

"Não se resolve os problemas só com as reformas", afirmou o ex-ministro e professor emérito da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), Luiz Carlos Bresser-Pereira, em palestra na segunda edição do "Ciclo Brasil e suas perspectivas", nesta terça-feira (6). "Eu leio e considero patéticas as afirmações de políticas liberais que dizem que basta que o Brasil faça um ajustamento fiscal através de reformas e dessa forma, o país voltará ao desenvolvimento. Não há duvida que o Brasil está em uma crise fiscal e precisa pôr ordem na sua casa, que foi muito mal plantada no governo Dilma [Rousseff], mas isto absolutamente não é suficiente", acrescentou o ex-ministro

"Não se resolve os problemas só com as reformas", afirmou o ex-ministro e professor emérito da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), Luiz Carlos Bresser-Pereira, em palestra na segunda edição do "Ciclo Brasil e suas perspectivas", nesta terça-feira (6). "Eu leio e considero patéticas as afirmações de políticas liberais que dizem que basta que o Brasil faça um ajustamento fiscal através de reformas e dessa forma, o país voltará ao desenvolvimento. Não há duvida que o Brasil está em uma crise fiscal e precisa pôr ordem na sua casa, que foi muito mal plantada no governo Dilma [Rousseff], mas isto absolutamente não é suficiente", acrescentou o ex-ministro
"Não se resolve os problemas só com as reformas", afirmou o ex-ministro e professor emérito da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), Luiz Carlos Bresser-Pereira, em palestra na segunda edição do "Ciclo Brasil e suas perspectivas", nesta terça-feira (6). "Eu leio e considero patéticas as afirmações de políticas liberais que dizem que basta que o Brasil faça um ajustamento fiscal através de reformas e dessa forma, o país voltará ao desenvolvimento. Não há duvida que o Brasil está em uma crise fiscal e precisa pôr ordem na sua casa, que foi muito mal plantada no governo Dilma [Rousseff], mas isto absolutamente não é suficiente", acrescentou o ex-ministro (Foto: Aquiles Lins)


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Rebeca Letieri, Jornal do Brasil - "Não se resolve os problemas só com as reformas", afirmou o ex-ministro e professor emérito da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), Luiz Carlos Bresser-Pereira, em palestra na segunda edição do "Ciclo Brasil e suas perspectivas", nesta terça-feira (6). "Eu leio e considero patéticas as afirmações de políticas liberais que dizem que basta que o Brasil faça um ajustamento fiscal através de reformas e dessa forma, o país voltará ao desenvolvimento. Não há duvida que o Brasil está em uma crise fiscal e precisa pôr ordem na sua casa, que foi muito mal plantada no governo Dilma [Rousseff], mas isto absolutamente não é suficiente", acrescentou o ex-ministro.

Promovido pela Coppe/UFRJ, a palestra tinha o objetivo de falar sobre a crise do país e maneiras de superá-la. Bresser é um dos signatários do Manifesto do Projeto Brasil Nação, publicado no dia 27 de abril, por meio do qual um grupo de personalidades públicas assume o compromisso de pensar o país e unir os brasileiros em torno das ideias de nação e desenvolvimento.

"Nós perdemos a ideia de nação", afirmou Bresser-Pereira, que frisou durante toda a palestra a necessidade de haver um desenvolvimento econômico, com superávit em conta corrente, o que vai de encontro à proposta neoliberal, "por defenderem altos déficits em conta corrente, que eles dizem que é poupança externa, mas é mais consumo e endividamento, até que o País quebre. Isso aconteceu com [o ex-presidente] FHC muito claramente na crise de 1998".

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O Novo Desenvolvimentismo, defendido por Bresser, nasceu do desenvolvimentismo clássico e concentra a atenção nos cinco preços macroeconômicos, ideia inexistente na macroeconomia keynesiana: as taxas de lucro, juros, câmbio, salários e inflação.

"No Novo Desenvolvimentismo, nós não veremos capital externo. Eu quero que a empresa multinacional traga tecnologia e abra vagas no mercado. O erro da [ex-presidente] Dilma, do [ex-presidente Luiz Inácio] Lula [da Silva] e do Fernando Henrique Cardoso foi acreditar no déficit da conta corrente, e dessa forma, aumentar o consumo ao invés de aumentar o investimento. Em termos práticos, a necessidade de uma taxa de câmbio que torne competitivas as empresas industriais é um aspecto fundamental", disse.

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Advogado, economista, professor emérito da FGV-SP e livre-docente da Universidade de São Paulo (USP), Bresser-Pereira foi ministro por três vezes, duas durante o governo Fernando Henrique Cardoso, no qual ocupou o Ministério da Administração Federal e Reforma do Estado (1995-1998) e o Ministério da Ciência e Tecnologia (1999). Foi ainda ministro da Fazenda (1987), durante o governo Sarney, no qual implementou o Plano Bresser. O economista presidiu o Banco do Estado de São Paulo e foi secretário da Casa Civil, durante o governo de André Franco Montoro.

O palestrante fez duras críticas à gestão de Dilma Roussef (PT), a qual ele aponta como "pior erro" as desonerações fiscais. Em Genebra para participar de debates e seminários em março desse ano, a presidente cassada assumiu o erro: "Eu acreditava que, se diminuísse impostos, teria um aumento de investimentos", disse. "Eu diminuí. Me arrependo disso. No lugar de investir, eles aumentaram a margem de lucro".

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Bresser voltou mais um pouco no tempo, e disse que o grande mérito de Lula está na questão social. Porém, afirma que "o mal da esquerda é distribuir renda com irresponsabilidade fiscal". Ele diz ainda que o "PT inventou um novo tipo de capitalismo 'sem lucro'".

"A estratégia correta de Lula foi fazer uma coalizão de classes desenvolvimentista com industriais, trabalhadores e burocracia pública. Porém, os juros e o câmbio não foram mexidos da forma certa. Lula queria governar um país capitalista distribuindo um pouco de renda, mas sem garantir lucro para as empresas industriais", acrescentou.

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Um dos fundadores do PSDB, em 1988, desligou-se da legenda em 2011, sob a alegação de que o partido tornara-se "um campeão do liberalismo econômico". Hoje, aos 83 anos, Bresser, auto declarado social democrata, é autor de vários livros. Sua última obra, "A construção política do Brasil", analisa o desenvolvimento do país desde a Independência, trata das coalizões de classe que se sucederam no poder, e, por fim, defende a construção de um novo pacto, com empresários, trabalhadores e setores da baixa classe média.

Na palestra desta terça, o economista compara o populista de esquerda ao liberal de direita, chamando os dois de irmãos: "eles são a favor do consumo a todo custo".

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"O Brasil tem um regime de política econômica liberal desde 1990 que só se tentou mudar no governo Dilma, quando ela baixou os juros, e fracassou. E voltamos outra vez a um regime liberal, ou seja, são 27 anos. o resultado qual é? Essa maravilha", ironizou.

Sobre as reformas, Bresser defendeu a necessidade de uma na Previdência, mas ressaltou que uma reforma trabalhista não só não é necessária como significa precarizar o trabalho. Criticou a Lei do Teto de Gastos, a qual denominou um "escândalo", em uma "tentativa de reduzir o tamanho do Estado e com isso eliminar a construção do bem-estar social do país", e defendeu o nome do ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PDT) para candidato a presidência de 2018, como possível solução para os problemas.

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"Não basta um ajuste fiscal, porque você precisa superar a armadilha macroeconômica de juros altos e taxa de cambio apreciada, e o atual governo está muito feliz com isso. Durante 12 anos, até 2010, o Brasil estava com as suas contas absolutamente em ordem, com superávits primários perfeitamente de acordo com as demandas do FMI, e, no entanto onde é que estava o crescimento extraordinário do país?", questionou Bresser, finalizando: "Uma reforma trabalhista quer dizer que a causa dos males no Brasil são as leis trabalhistas que encarecem os custos das empresas. O Brasil se desenvolveu extraordinariamente com essas leis, o que atrapalha não são elas. Só se nós acreditarmos que o Brasil não cresce por causa dos trabalhadores, e não por causa do juros do [presidente Michel] Temer".

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