Ex-assessor de Cabral diz que organização criminosa começou na época da Alerj

Em depoimento à Justiça, o empresário Carlos Miranda confirmou a existência de um esquema liderado pelo ex-governador do Rio Sérgio Cabral, para recolher propina de construtoras e prestadoras de serviço; de acordo com ele, a cobrança de 5% do valor dos contratos assinados com o estado ocorreu ao longo do governo, sem vinculação com períodos eleitorais, desmentindo umas das principais alegações do ex-governador; segundo Miranda, a organização criminosa começou a se formar a partir da cobrança de propina para a produção de legislações específicas; na época, o delator era assessor parlamentar de Sérgio Cabral na Alerj 

Em depoimento à Justiça, o empresário Carlos Miranda confirmou a existência de um esquema liderado pelo ex-governador do Rio Sérgio Cabral, para recolher propina de construtoras e prestadoras de serviço; de acordo com ele, a cobrança de 5% do valor dos contratos assinados com o estado ocorreu ao longo do governo, sem vinculação com períodos eleitorais, desmentindo umas das principais alegações do ex-governador; segundo Miranda, a organização criminosa começou a se formar a partir da cobrança de propina para a produção de legislações específicas; na época, o delator era assessor parlamentar de Sérgio Cabral na Alerj 
Em depoimento à Justiça, o empresário Carlos Miranda confirmou a existência de um esquema liderado pelo ex-governador do Rio Sérgio Cabral, para recolher propina de construtoras e prestadoras de serviço; de acordo com ele, a cobrança de 5% do valor dos contratos assinados com o estado ocorreu ao longo do governo, sem vinculação com períodos eleitorais, desmentindo umas das principais alegações do ex-governador; segundo Miranda, a organização criminosa começou a se formar a partir da cobrança de propina para a produção de legislações específicas; na época, o delator era assessor parlamentar de Sérgio Cabral na Alerj  (Foto: Leonardo Lucena)


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Agência Brasil

Em depoimento prestado nesta quarta-feira (6) à Justiça Federal, o empresário Carlos Miranda confirmou a existência de um esquema liderado pelo ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, para recolher propina de construtoras e prestadoras de serviço. De acordo com ele, a cobrança de 5% do valor dos contratos assinados com o estado ocorreu ao longo do governo, sem vinculação com períodos eleitorais, desmentindo umas das principais alegações do ex-governador.

De acordo com Carlos Miranda, a organização criminosa começou a se formar a partir da cobrança de propina para a produção de legislações específicas. Na época, o delator era assessor parlamentar de Sérgio Cabral na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). "Eu comecei a trabalhar com Cabral na época em que ele era deputado estadual. E essa organização começou a se estruturar quando ele era presidente da Alerj". Sobre as empresas que teriam sido beneficiadas, ele disse que eram do setor de transportes e supermercados.

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Miranda, que assinou acordo de delação premiada já homologado pela Justiça, falou com detalhes sobre o esquema pela primeira vez.

Apontado pelo Ministério Público Federal (MPF) como operador financeiro da organização criminosa, Carlos Miranda já tem condenação em outros processos envolvendo Cabral. Miranda foi condenado a 25 anos de prisão por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa no julgamento final da Operação Calicute. E também foi considerado culpado e condenado a 12 anos de prisão no julgamento final da Operação Mascate por lavagem de dinheiro. 

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O depoimento de Miranda foi prestado ao juiz Marcelo Bretas dentro da Operação Ratatouille, na qual o Ministério Público Federal (MPF) denuncia o pagamento de R$16,7 milhões em propina pelas empresas Mazan e Milano, representadas pelo empresário Marco Antônio de Luca. As duas empresas, que mantinham contratos com o governo de Rio de Janeiro, são fornecedoras de merenda escolar e alimentação para presídios. A Operação Ratatouille é um dos desdobramentos da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro.

Anel foi propina

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O operador também confirmou, durante o depoimento, que o anel de 220 mil euros, comprado pelo proprietário da empreiteira Delta, Fernando Cavendish, foi propina. A joia foi dada à Adriana Ancelmo, mulher de Cabral, durante uma viagem em 2009 à França, onde ela comemorava seu aniversário. “O valor foi descontado do cálculo das propinas que o senhor Cavendish pagava à organização”, disse Carlos Miranda. Esta semana, o anel virou polêmica entre Cabral e Cavendish, que trocaram acusação sobre a vinculação do presente a propina.

O delator assumiu que era responsável pelo recolhimento e pela administração dos recursos da organização criminosa, enquanto o ex-governador e o ex-secretário de governo, Wilson Carlos, eram os responsáveis pelas tratativas com os empresários. Após eclodir a Operação Castelo de Areia, que colocou o nome de Carlos Miranda em evidência, Cabral teria pedido que ele se resguardasse. Foi então que Carlos Bezerra, também apontado como operador do esquema, passou a ter mais contato com os contratantes. Os integrantes da organização se comunicariam por meio do Wickr, um aplicativo que destrói as mensagens.

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Carlos Miranda afirmou que era recolhida de Marco Antônio de Luca, investigado pela Operação Ratatouille e que está preso desde junho, a propina de 5% sobre o valor dos contratos. No entanto, disse não saber qual era a compensação oferecida por Cabral às empresas. "No segundo mandato, ele [de Luca] passou a ter relação pessoal com o Sérgio Cabral e passou a enviar dinheiro para ele diretamente. (...) Eu não sei qual era a contrapartida. Sérgio Cabral uma vez comentou comigo que o ajudava a manter os contratos, mas não entrou em detalhes sobre isso".

O advogado Rodrigo Roca, que representa Sérgio Cabral, optou por não fazer perguntas ao interrogado. Segundo ele, o fato de o termo de delação premiada ainda não ter sido juntado aos autos prejudica a defesa do ex-governador. O advogado pediu à Marcelo Bretas que seja feito novo interrogatório com Carlos Miranda tão logo o termo seja de seu conhecimento. O magistrado disse que poderá analisar a solicitação futuramente. Cabral já foi condenado em primeira instância em três processos, com penas que somam 72 anos de prisão.

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Também denunciado como operador financeiro de Cabral, Luiz Carlos Bezerra foi interrogado em seguida e reconheceu que recolheu dinheiro de propina. Ele afirmou que recebia do ex-governador cerca de R$ 30 mil mensais como salário, mas não tinha carteira assinada.

O empresário Marco Antônio de Luca, que também depôs, negou as acusações e disse que sequer conhecia Carlos Miranda pessoalmente. Segundo ele, o governo do Rio de Janeiro deve às suas empresas cerca de R$ 70 milhões, situação que não deveria ocorrer caso houvesse um sistema de pagamento de propina no valor de 5% do faturamento.

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