Esquema Witzel planejava arrecadar R$ 400 milhões cobrando propina de 5% sobre contratos com OSs da saúde, dizem investigações

A subprocuradora-geral da República Lindôra Maria Araújo estimou que a organização criminosa supostamente chefiada pelo governador afastado do Rio, Wilson Witzel, pretendia angariar a cifra milionária em valores ilícitos, ao final de quatro anos de mandato apenas com esquema de contratação de organizações sociais na área de Saúde

Wilson Witzel
Wilson Witzel (Foto: Tânia Rêgo - ABR)


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247 - A subprocuradora-geral da República Lindôra Maria Araújo estimou que a organização criminosa supostamente chefiada pelo governador afastado do Rio, Wilson Witzel, pretendia angariar quase R$ 400 milhões em valores ilícitos, ao final de quatro anos de mandato apenas com esquema de contratação de organizações sociais na área de Saúde. A projeção levou em consideração suposto objetivo do grupo em cobrar propina de 5% de todos os contratos para gestão de unidades de Saúde. O afastamento vale por 180 dias. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou o afasto de Witzel do cargo por irregularidades em contratos de saúde. 

"Nesse diapasão, a organização criminosa, somente com esse esquema criminoso de contratação de organizações sociais na área de Saúde, tinha por pretensão angariar quase R$ 400.000.000,00 (quatrocentos milhões de reais) de valores ilícitos, ao final de quatro anos, na medida em que objetivava cobrar 5% de propina de todos os contratos", afirmou a subprocuradora em representação enviada ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). O relato foi publicado no blog do Fausto Macedo

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De acordo com Maria Araújo, a manifestação dela é "para se ter uma ideia’ da dimensão do esquema criminoso somente na Saúde". "Isso porque, segundo o delator e ex-secretário de Saúde do Rio Edmar Santos, o suposto esquema de corrupção instalado no governo Witzel abrangeria todas as secretarias de Estado do Rio de Janeiro", acrescentou.

A subprocuradora destacou a delação do ex-secretário de Saúde do Rio Edmar Santos para o cumprimento de mandados de prisão, e de busca e apreensão pela Polícia Federal nesta sexta-feira (28).

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"A maioria das OSs é mencionada por Edmar Santos em seus anexos, indicando que seus administradores integravam a organização criminosa, efetivando pagamento frequente de propina com base em porcentagem dos contratos. Aliás, note-se que, dentre as maiores recebedoras do Estado, quase todas são mencionadas como integrantes da organização criminosa, de modo que a maior parte dos recursos pagos mensalmente às OSs está envolvido no esquema criminoso", afirmou. 

Segundo a PF, o esquema no governo Witzel foi dividido em três eixos: um liderado pelo presidente nacional do PSC, Everaldo Dias Pereira, o pastor Everaldo; um pelo empresário Mário Peixoto; e outro pelo empresário da área de ensino José Carlos de Melo.

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A subprocurador afirmou que, "por ser um esquema bastante grande, envolvendo diversas OSs, cada uma dela com vários contratos obtidos por meio de pagamento de propina e consequente direcionamento da contratação, a identificação de todos os participantes do ilícito, neste momento investigatório, mostra-se inviável". Então, disse ela, é "necessário o aprofundamento da apuração para mapear, de maneira mais completa, esta vasta rede de corrupção que, uma vez mais, tomou conta do Estado do Rio de Janeiro".

Esclarecimento

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Após sair na imprensa que José Carlos de Mello é pró-reitor administrativo da Universidade Iguaçu (Unig), a instituição negou a informação. "Importante frisar que José Carlos de Melo não é, nem nunca foi, proprietário da UNIG. O CAPE, pessoa jurídica por ele presidida, havia sido contratado para realizar a gestão da UNIG por prazo determinado, mas teve seu contrato antecipadamente rescindido pela Universidade em junho deste ano, em razão de inadimplementos constatados", disse. 

"A UNIG informa ainda que, desde o desligamento de José Carlos, não há mais qualquer relação entre ele e a Universidade. Vale ressaltar também que todo o faturamento da instituição advém das mensalidades pagas pelos alunos", afirmou. "A Universidade está à disposição para prestar todos os esclarecimentos que se façam necessários".

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