Eleição no MP do Rio pode levar bolsonarista a cuidar dos casos Marielle e Queiroz
O MP do Rio escolhe nesta sexta-feira (11) quais promotores ou procuradores de Justiça devem formar a lista tríplice da qual sairá o próximo procurador-geral do órgão. Um dos candidatos é o procurador de Justiça Marcelo Rocha Monteiro, bolsonarista assumido. Se ele vencer o pleito, terá em suas mãos as investigações do caso Marielle Franco e do caso Queiroz
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247 - Quase mil membros do Ministério Público (MP) do Rio de Janeiro escolhem nesta sexta-feira (11) quais promotores ou procuradores de Justiça devem formar a lista tríplice da qual sairá o próximo procurador-geral do órgão.
Entre os cinco candidatos do pleito está o procurador de Justiça Marcelo Rocha Monteiro, bolsonarista assumido. Se ele for escolhido para chefiar o órgão pelos próximos dois anos, terá em suas mãos as investigações do caso Marielle Franco e do caso Queiroz, que era assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) na Assembleia Legislativa do Rio, onde o parlamentar cumpria mandato antes de ser eleito para o Senado.
O inquérito sobre Queiroz resultou na denúncia, feita pelo próprio MP, contra o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) por lavagem de dinheiro e organização criminosa por causa de um esquema conhecido como "rachadinha" na Alerj.
Em caráter reservado, um membro do MP disse ao jornal El País que promotores e procuradores de Justiça estão preocupados com a candidatura de Monteiro. Monteiro não se comprometeu com a candidatura mais votada da lista tríplice.
"A escolha de qualquer um dos que venham a compor a lista tríplice é legítima - e essa continuará sendo minha posição, não tenham dúvida, se eventualmente estiver o meu nome no topo da lista. Assim é porque assim a lei determina".
Casos Queiroz e Marielle
Queiroz foi preso no dia 18 de junho em Atibaia (SP), onde estava escondido em um imóvel que pertence a Frederick Wassef, então advogado de Flávio - depois ele deixou a defesa do parlamentar. De acordo com relatório do antigo Conselho de Atividades Financeiras (Coaf), Queiroz fez movimentações financeiras atípicas. Foram R$ 7 milhões de 2014 a 2017, apontaram cálculos do órgão.
De acordo com extratos bancários de Queiroz, o ex-assessor também depositou 21 cheques na conta de Michelle, entre 2011 a 2016, totalizando R$ 72 mil. Márcia Aguiar depositou outros seis, totalizando R$ 17 mil.
Em março de 2018, a então vereadora Marielle Franco (PSOL) foi assassinada pelo crime organizado. Os criminosos perseguiram o carro dela por cerca de três quilômetros e efetuaram os disparos em um lugar sem câmeras, na região central do Rio. A então parlamentar denunciava a violência policial e a atuação de milícias nas favelas da capital fluminense.
Em março de 2019 policiais prenderam dois suspeitos de serem os assassinos de Marielle: o policial militar reformado Ronnie Lessa e o ex-militar Élcio Vieira de Queiroz. O primeiro é acusado de ter feito os disparos e o segundo de dirigir o carro que perseguiu a parlamentar. Lessa morava no mesmo condomínio de Bolsonaro. Élcio Vieira de Queiroz, de 46 anos havia postado no Facebook uma foto ao lado de Jair Bolsonaro. Na foto, o rosto de Bolsonaro está cortado.
Também no mês de março, em 2020, a 4ª Vara Criminal do Rio de Janeiro se pronunciou pela ida de ambos (Lessa e Élcio) para um júri popular.
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