Deputado quer instalar “CPI do Amarildo”
O deputado da Assembleia do Rio Geraldo Pudim (PR) iniciou a coleta de assinaturas para abertura de uma CPI para apurar as causas de tortura, morte e ocultação de cadáver contra o pedreiro Amarildo de Souza, vítima de PMs da UPP da Rocinha; "A família do Amarildo merece esse esclarecimento, bem como a sociedade e a comunidade internacional", disse
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Jornal do Brasil - O deputado estadual Geraldo Pudim (PR) deu início nesta quinta-feira (3/10) a coleta de assinaturas para abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as causas dos crimes de sequestro, tortura, morte e ocultação de cadáver contra o pedreiro Amarildo de Souza, vítima de policiais militares da UPP da Rocinha, segundo inquérito concluído pela Polícia Civil do Rio. O pedido incluiu também a investigação de possíveis outros crimes de mesma natureza ocorridos no estado nos últimos anos.
O documento necessita receber 24 assinaturas para que a CPI seja instaurada na Assembleia Legislativa (Alerj). O parlamentar justificou a iniciativa pela "forma com que se deu seu o desaparecimento e as fortes suspeitas de influência da Polícia Militar, no processo que dificultou, até agora, as investigações, acabam que por eivar as famílias que possuem um ente desaparecido em circunstâncias análogas, de total desesperança e imprimem um sentimento de homérico descrédito das instituições Governamentais de Segurança Pública junto à população", destaca o texto do deputado.
Segundo as estatísticas do próprio Instituto de Segurança Pública (ISP) de 2007 a 2013 o estado do Rio contabilizou 34,7 mil desaparecimentos sendo que 41% só na capital. Em 22 anos o somatório de desaparecidos chega 92 mil pessoas.
Para Pudim, o desaparecimento de Amarildo evidencia as falhas da Polícia Militar na condução de casos semelhantes. O deputado afirma que o Governo do Estado descumpriu deliberadamente a Convenção Interamericana Sobre o Desaparecimento Forçado de Pessoas, da qual o Brasil é signatário desde 1994.
"É importante ressaltar que o Caso Amarildo é apenas um entre muitos que acontecem todos os dias no Rio de Janeiro. O desaparecimento forçado segundo a Convenção Interamericana ocorre quando um agente do Estado ou pessoas ou grupos de pessoas que atuem com autorização, apoio ou consentimento do Estado recusam-se a fornecer informação ou reconhecer a privação de liberdade ou informar acerca do paradeiro de determinado indivíduo. O que aconteceu com Amarildo é análogo a regimes ditatoriais. Casos como o dele acontecem a todo momento e devemos investigar a fundo por quais causas e motivações eles ocorrem. A família do Amarildo merece esse esclarecimento, bem como a sociedade e a comunidade internacional dada a repercussão que o caso obteve e a forma como a não resolução expõe o Rio de Janeiro que está na eminência de receber grandes eventos esportivos internacionais." , argumentou o parlamentar.
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