Deputado do PSD pede cassação de Jean Wyllys
Presidência do Conselho de Ética da Câmara recebeu representação contra o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), entregue pelo parlamentar João Rodrigues (PSD-SC); em outubro, os dois tiveram um bate-boca; Wyllys chamou Rodrigues de "bandido" e "fascista", após o deputado do PSD criticar sua participação no BBB e chamá-lo de "escória deste país"; para Wyllys, a representação é uma “retaliação” de aliados do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pelo fato de o PSOL ter sido o autor do pedido de cassação do mandato do peemedebista
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Rio 247 - O presidente do Conselho de Ética da Câmara, José Carlos Araújo (PSD-BA), recebeu nesta quinta-feira (12) uma representação contra o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), entregue pelo deputado João Rodrigues (PSD-SC). Em outubro, Rodrigues e Jean Wyllys bateram boca em sessão depois que o deputado do PSD criticou a participação do parlamentar no Big Brother Brasil e o chamou de "escória deste país".
Rodrigues foi flagrado, em maio deste ano, assistindo a um vídeo pornô no plenário da Câmara durante votação da reforma política. O parlamentar do PSOL rebateu e chamando-o de "bandido" e "fascista".
Na representação, protocolada na Mesa Diretora, o PSD afirma que Wyllys quebrou o decoro parlamentar. “Os deputados carregam, pelo próprio cargo, uma responsabilidade institucional que não pode ser pormenorizada e denegrida de forma generalizada. É preciso agora provar quem são os ladrões apontados pelo deputado”, disse o presidente do PSD, Guilherme Campos.
Rodrigues confirmou ter proferido a expressão "escória da política desse país. "Mas retirei no mesmo ato a expressão escória por considerar ofensivo, mesmo no calor do debate, coisa que o deputado reafirmou seguidamente em veículos de comunicação e redes sociais. Nós precisamos limpar esse Congresso", afirmou,
Questionado se ele próprio não teria quebrado o decoro ao assistir a um filme pornô, o parlamentar afirmou que, se fosse crime, "metade dos deputados não estariam na Câmara". "Se isso fosse o maior crime, metade dos senhores que estão aqui não estariam hoje. Não é quebra de decoro você receber uma imagem no Whatsapp e deletar. Qual o crime?", questionou, conforme relato do Globo.
"Não fui pego assistindo, foi filmado na tela do meu celular, captada a imagem lá de dentro, e não era absolutamente um filme pornô, era uma imagem do Whatsapp dos grupos que eu tenho, são mais de 70 grupos. Detalhe: assumi e inclusive pedi desculpas porque creio que não seria o ambiente adequado. Isso não é quebra de decoro", complementou.
Outro lado
O deputado Jean Wyll afirmou que a representação contra ele é uma “retaliação” de deputados aliados ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pelo fato de o PSOL ter sido o autor do pedido de cassação do mandato do peemedebista, alvo de um processo por quebra de decoro parlamentar sob a acusação de ter mentido à CPI da Petrobras quando disse que não possui contas no exterior.
“Deputados ligados a Cunha estão retaliando o PSOL. Primeiro entraram com uma representação contra o Chico Alencar, agora contra mim, porque nós somos a bancada que pediu a cassação do mandato dele no Conselho de Ética”, afirmou Wyllys ao G1.
Bate-boca
Em outubro, durante sessão na Câmara, João Rodrigues mencionou o nome de Wyllys ao discursar em plenário em defesa da revogação do Estatuto do Desarmamento. “Quero comentar algumas afirmações de alguns parlamentares que, ao comentar o Estatuto do Desarmamento, se postam como verdadeiros defensores de bandidos", disse Rodrigues.
Segundo o congressista, alguns parlamentares "se equivocam". "Como, por exemplo, o deputado Jean Wyllys, o ex-BBB, que disputou a primeira eleição com 13 mil votos. Chegou a esta Casa com a sua exposição naquele programa extremamente culto, que acrescenta demais na cultura dos brasileiros. Chegou e questionou o comportamento de cada parlamentar, chamando os parlamentares de bandidos”, complementou.
O deputado criticou posições de Jean Wyllys, como a descriminalização das drogas. “A sua vida pregressa eu não conheço. A sua experiência política eu sei. Tenho sete mandatos, fui três vezes prefeito. E tive a honra de ser o segundo deputado mais votado na história de Santa Catarina. Posso até ser criticado, mas vindo do senhor é elogio. Um parlamentar que defende perdão para drogas, que defende que adolescente pode trocar de sexo, mesmo sem autorização dos pais. Isso não é deputado, é a escória deste país, mas ocupa lugar como deputado”, disse.
Por sua vez, o deputado do Psol chamou João Rodrigues de “ladrão de dinheiro público” e de “fascista”. “Ele e todos os fascistas vão ter que me engolir. Sou homossexual assumido, sim, e vocês vão ter que me engolir. Vocês não vão me intimidar”, disse.
Wyllys também criticou o fato de João Rodrigues ter sido flagrado assistindo a um vídeo pornô durante a votação da proposta de reforma política. “Homens decentes não assistem vídeos pornôs em plena sessão plenária, não são condenados por improbidade administrativa, como o deputado foi. Quem não tem moral para representar o povo brasileiro é ladrão. Qualquer programa de televisão é mais decente que deputado que rouba dinheiro do povo. É mais decente que deputado que usa sessão para ver vídeo pornô”, afirmou. “Resta saber se seu vídeo pornô era hétero ou não”, acrescentou.
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