Damous: Rio como ‘laboratório’ mostra que Estado de exceção avança

A afirmação do general Walter Souza Braga Netto, interventor no estado, segundo o qual o Rio é "um laboratório", pode ser interpretada de duas maneiras que, aliás, não são excludentes; "Isso mostra como o estado do Rio de Janeiro é visto pelo governo. Tornou-se um estado de segunda classe a ponto de ser tratado como laboratório", diz o deputado Wadih Damous (PT-RJ, ex-presidente da OAB-RJ

A afirmação do general Walter Souza Braga Netto, interventor no estado, segundo o qual o Rio é "um laboratório", pode ser interpretada de duas maneiras que, aliás, não são excludentes; "Isso mostra como o estado do Rio de Janeiro é visto pelo governo. Tornou-se um estado de segunda classe a ponto de ser tratado como laboratório", diz o deputado Wadih Damous (PT-RJ, ex-presidente da OAB-RJ
A afirmação do general Walter Souza Braga Netto, interventor no estado, segundo o qual o Rio é "um laboratório", pode ser interpretada de duas maneiras que, aliás, não são excludentes; "Isso mostra como o estado do Rio de Janeiro é visto pelo governo. Tornou-se um estado de segunda classe a ponto de ser tratado como laboratório", diz o deputado Wadih Damous (PT-RJ, ex-presidente da OAB-RJ (Foto: Leonardo Lucena)


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Por Eduardo Maretti, da RBA  - A afirmação do general do Exército Walter Souza Braga Netto, interventor federal no estado, segundo o qual o Rio de Janeiro é hoje "um laboratório", pode ser interpretada de duas maneiras que, aliás, não são excludentes. "Isso mostra como o estado do Rio de Janeiro é visto pelo governo. Tornou-se um estado de segunda classe a ponto de ser tratado como laboratório", diz o deputado federal Wadih Damous, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Rio.

Para o parlamentar, a segunda leitura é ainda mais preocupante. "Ela mostra também o que estamos dizendo: que essa intervenção configura a consolidação do estado de exceção. Ou seja, o que acontece no Rio provavelmente vai acontecer em outros estados", avalia o deputado.

Em entrevista coletiva na manhã desta terça-feira (27), o general Braga Netto declarou que quando se "centraliza e unifica" o comando, a tendência é que o trabalho da inteligência fique mais ágil. Depois, acrescentou: "O que deverá ocorrer agora é uma maior agilidade. O Rio de Janeiro, ele é um laboratório para o Brasil. Se será difundido o que está sendo feito aqui para o Brasil, aí já não cabe a mim responder".

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Em sua opinião, o país aprofunda cada vez mais a "militarização da política, militarização da economia e empoderamento das Forças Armadas, particularmente do Exército". Sinais disso, segundo ele, são a criação do Ministério da Segurança Pública e o Ministério da Defesa ser comandado agora por um militar, o general de Exército Joaquim Silva e Luna, fato inédito desde a criação da pasta, em 1999, pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso.

"O que estamos assistindo é uma escalada autoritária, com Estado de exceção possivelmente como uma ditadura", conjectura o ex-presidente da OAB-RJ.

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Damous discorda dos que avaliam que a "escalada autoritária" é um exagero, e as cartadas de Temer com relação à segurança pública seriam apenas a tentativa do presidente de aumentar sua popularidade, com a provável intenção de se candidatar à presidência. Nesse caso, Temer estaria fazendo meras jogadas de marketing.

"Aos que estão dizendo isso, eu proporia que daqui a um mês fizessem uma pesquisa para ver se Temer cresceu 1% na popularidade. Ele pode até estar pensando nisso, mas essa militarização da política e da economia são características da dominação neoliberal em todo o mundo, hoje", diz. "No Brasil, o Estado é frágil e foi praticamente dissolvido, e as Forças Armadas aparecem como sua face consolidada e repressiva. Então, a questão da popularidade de Temer é irrelevante."

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Nessa conjuntura, a possibilidade de a militarização se propagar pelo país é evidente, tanto em parte da classe média como em parcelas mais pobres da população. "Usar o argumento da segurança pública sempre sensibiliza contingentes da classe média. Pode ganhar o país, com apoio de parte da população. E a população oprimida pelo tráfico, pela polícia e pelas milícias vê nos Exército às vezes uma força libertadora."

Na opinião de Wadih Damous, a reversão dessa militarização em curso, pelo processo que vai desencadear nas eleições de 2018, vai depender da legitimidade do pleito. "Tenho minhas dúvidas sobre a legitimidade dessas eleições e como elas vão acontecer. Está com cara de eleição tutelada. No Rio de Janeiro, qual liberdade eleitoral vai existir com o estado sob intervenção? Lula vai concorrer? Então não sei se o processo eleitoral vai reverter isso."

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Lula

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) agendou para a próxima quinta-feira (1) o julgamento do habeas corpus apresentado pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelo qual tenta evitar que ele seja preso depois que todos os recursos forem esgotados no Tribunal Regional Federal da 4ª Região.

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Pedido de habeas corpus já foi negado em caráter liminar pelo vice-presidente do STJ, ministro Humberto Martins.

Já o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin preferiu enviar ao plenário pedido feito pela defesa do ex-presidente. A decisão de pautar ou não os julgamentos depende da ministra Cármen Lúcia, presidenta da corte.

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Nas últimas semanas, tem aumentado a pressão para Cármen colocar na pauta de julgamento as Ações Declaratórias de Constitucionalidade (ADCs) 43 e 44, que o ministro Marco Aurélio Mello liberou para julgamento no dia 7 de dezembro, e que versam sobre o tema.

O ex-ministro do STF Nelson Jobim defendeu hoje (27) que a prisão de condenados em segunda instância só seja executada depois de decisão definitiva no STJ.

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