Damous: “Dilma é a grande vitoriosa da eleição”
Duas vezes presidente da OAB-RJ, o advogado Wadih Damous chega otimista à fase final da eleição para deputado federal; "O povo sabe reconhecer quem não é vigarista", assinalou ele em entrevista ao Rio 247; "Minha campanha cresceu por meio de adesões espontâneas em todo o Estado"; defensor dos direitos humanos e do aprimoramento da democracia pela via de uma reforma política, ele quer o fim do financiamento privado aos partidos políticos; "O dinheiro torna a concorrência desleal", apontou; "as empresas não doam, investem", conclui; leia íntegra da entrevista
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247 – O advogado Wadih Damous gosta do voto direto. Dessa maneira, ele foi eleito duas vezes presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Rio de Janeiro. No momento, licenciou-se da presidência da
da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB e da Comissão da Verdade do Rio de Janeiro para fazer sua campanha a deputado federal. Sob o número 1322 e pelo PT, Damous percorreu todo o Estado e percebeu "a concorrência desleal que o dinheiro produz na atividade política". Para ele, "o que as empresas fazem quando colocam dinheiro em partidos não é doação, mas um investimento do qual esperam ter retorno depois". Animado com o viés de alta, na reta final da eleição, da candidatura da presidente Dilma Rousseff, o candidato a vê como "a primeira grande vitoriosa da eleição, por sair fortalecida de uma campanha na qual foi a mais atacada". Na outra ponta, avalia o PSDB como o "grande perdedor antecipado". Nas urnas do próximo domingo, Damous espera obter os votos necessários para eleger-se à Câmara Federal com o objetivo de melhorar a democracia brasileira. "Estou confiantes porque o povo sabe que nem todos são vigaristas", completou.
Abaixo, a entrevista ao Rio 247:
Rio 247 - Esta é a sua primeira eleição. Mais dissabores ou acertos nessa experiência inaugural?
Wadih Damous - Tenho feito a campanha com muita satisfação. Ela tem sido extremamente cansativa, mas o fatos de ter podido conversar com uma enorme quantidade e diversidade de pessoas sobre política nestes dois meses foi uma experiência enriquecedora. Dissabores, não tive praticamente nenhum. Quanto a acertos ou erros, prefiro deixá-los para um balanço a ser feito semana que vem.
247 - Como sentiu a reação do público a um advogado candidato?
Damous - De forma muito positiva. Em primeiro lugar, porque hoje a profissão é bem vista pela população. Depois, porque minha atividade profissional, como advogado, sempre esteve ligada a processos trabalhistas em que defendi empregados. Além disso, minha atuação mais diretamente política, tanto na presidência da OAB, como na direção da Comissão da Verdade do Rio de Janeiro, sempre foi uma marca forte. As pessoas se lembram muito de mim como alguém que defende os direitos humanos.
247 - Vai dar para se eleger? Sua resposta tem base em percepção política, pesquisas de opinião ou é apenas protocolar?
Damous - As pesquisas sobre eleição de deputados têm uma enorme margem de erro. Nós não chegamos a trabalhar com elas. Mas, outros sim. E tivemos notícias delas. Minha candidatura aparece sempre bem posicionada. Muita gente se engajou na campanha, e ela se espraiou por todo o Estado, o que me deixa otimista. Mas não vou contar vitória antes do tempo. É bom lembrar o vexame que passou FHC ao se sentar antes do tempo na cadeira de prefeito de São Paulo em 1982. Não pretendo imitá-lo.
247 - O que conheceu sobre o Rio de Janeiro que ainda não conhecia?
Damous - Tive a possibilidade de conhecer mais o interior e certas áreas da Região Metropolitana que só conhecia superficialmente. Mas vivo no Rio há muito tempo e o exercício da presidência da OAB também possibilitou que conhecesse bem o Estado.
247 - O que mais o impressionou no contato direto com a população?
Damous - Ao contrário do que alguns dizem, encontrei muito interesse na eleição e no debate político. E não só nos segmentos de classe média. O povo, se de um lado desconfia dos políticos em geral, de outro sabe que nem todos são vigaristas. E respeita aqueles que não são. Além disso, sabe distinguir e valorizar os governos que ajudaram a que a sua vida melhorasse.
247 - Quais foram os pilares programáticos da sua campanha a deputado federal?
Damous - Eles estão relacionados com minha história política e minha vida militante: aperfeiçoamento da democracia e do estado de direito, defesa dos interesses dos trabalhadores, luta pelo respeito aos direitos humanos e realização de uma reforma política de verdade.
247 - Foi possível apresentar propostas ou sentiu ter espaço limitado?
Damous - Na TV, meu tempo era muito curto, mas ao longo da campanha fiz centenas de reuniões. Não tive qualquer problema em debater qualquer tema. E ouvi e discuti questões levantadas pelos eleitores. Também aprendi muito com essa campanha.
247 - Quais serão suas três maiores prioridades na Câmara Federal?
Damous - Reforma política e luta pelos direitos humanos, pelos interesses dos trabalhadores e pela justiça social.
247 - Sentiu a necessidade, em campanha, de uma reforma política?
Damous - Muito. Quem quer que saia na rua e veja a quantidade de placas e cabos eleitorais pagos na campanha, percebe a disparidade de recursos entre os candidatos e tem uma prova cabal da influência do poder econômico nessas eleições. Uma reforma política digna desse nome acabaria – ou, pelo menos, reduziria muito – com isso que chamo de "concorrência desleal".
247 - Em que sentido é preciso mudar?
Damous - Em muitos pontos, mas eu destacaria a questão do financiamento, proibindo-se que empresas sustentem campanhas. O que elas fazem não é doação. É investimento. Depois vai ser cobrado, quem paga é a sociedade e o custo é muito alto.
247 - Como viu as propostas dos candidatos governador do Rio de Janeiro? As diferenças entre eles foram expostas à população?
Damous - Não totalmente. Aí também pesou muito o dinheiro e as máquinas eleitorais. Há um ano se alguém dissesse que o candidato de Cabral estaria na frente das pesquisas seria chamado de louco. A liderança de Pezão mostra duas coisas: o peso do dinheiro e a fragilidade do debate político.
247 - E sobre os candidatos a presidente, como eles, na sua opinião, claro, se conduziram?
Damous - Acho que, aí, as coisas ficaram mais claras. Os diferentes campos políticos e os interesses que eles representavam puderam ser percebidos pela população. O povo soube distinguir o que estava em jogo: a consolidação dos avanços dos últimos anos ou o retrocesso.
247 - Quem pode ser apontado, de antemão, como maior vitorioso desta eleição?
Damous - A presidente Dilma.
247 - E o maior perdedor?
Damous - O PSDB.
247 - O sr. está otimista ou já preparado para qualquer resultado?
Damous - Estou otimista, mas não vou me acomodar. Até as 17h de domingo fico nas ruas. Descanso, só depois. Muito.
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