Crivella será candidato a prefeito do Rio de Janeiro

Em entrevista à jornalista Tereza Cruvinel, colunista do 247, o senador faz uma análise do cenário político no Estado, coloca como principais temas da campanha do ano que vem "saúde, educação, transportes e, no caso do Rio, segurança, porque as UPPs não evoluíram e nem foram geridas como era necessário"; Marcelo Crivella aposta no desgaste do PMDB e no aumento do tempo de televisão de seu partido, o PRB, em função do crescimento da bancada federal para a vitória em 2016

Em entrevista à jornalista Tereza Cruvinel, colunista do 247, o senador faz uma análise do cenário político no Estado, coloca como principais temas da campanha do ano que vem "saúde, educação, transportes e, no caso do Rio, segurança, porque as UPPs não evoluíram e nem foram geridas como era necessário"; Marcelo Crivella aposta no desgaste do PMDB e no aumento do tempo de televisão de seu partido, o PRB, em função do crescimento da bancada federal para a vitória em 2016
Em entrevista à jornalista Tereza Cruvinel, colunista do 247, o senador faz uma análise do cenário político no Estado, coloca como principais temas da campanha do ano que vem "saúde, educação, transportes e, no caso do Rio, segurança, porque as UPPs não evoluíram e nem foram geridas como era necessário"; Marcelo Crivella aposta no desgaste do PMDB e no aumento do tempo de televisão de seu partido, o PRB, em função do crescimento da bancada federal para a vitória em 2016 (Foto: Gisele Federicce)


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Por Tereza Cruvinel

O senador Marcelo Crivella tem uma enorme disposição eleitoral. Foi candidato a prefeito do Rio de Janeiro em 2004, a governador em 2006, à prefeitura em 2008, elegeu-se senador em 2010 e chegou ao segundo turno das eleições para governador do estado em 2014. Agora, está pronto para disputar novamente a prefeitura do Rio, apostando no desgaste do PMDB de Cabral, Pezão e Eduardo Paes, e no aumento do tempo de televisão de seu partido, o PRB, em função do crescimento da bancada federal. Nesta entrevista ao 247 ele fala de seus planos e do quadro político-eleitoral no Estado do Rio de Janeiro.

247 – O senhor foi ministro da Pesca da ministra Dilma no primeiro mandato. Agora, o PRB tem o ministério do Esporte mas frequentemente vota contra o governo. O PRB não é mais da base?

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Crivella – O PRB é base mas o governo afastou-se de suas premissas, de algumas bandeiras, premido por suas próprias circunstâncias econômicas. Uma parte da bancada, entretanto, não compreende isso.

247 – O problema é com o ajuste fiscal?

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Crivella – Com o fato de ajuste fiscal ter começado pelos trabalhadores. O governo poderia ter começando com cortes em seu próprio orçamento. Em artigo recente demonstrei que, em matéria de superávit fiscal, os estados e municípios já estão com 11 bilhões de reais no primeiro trimestre. O governo federal fez apenas três bilhões. Para o ano inteiro os estados e municípios têm previsão de R$ 17 bilhões e o governo federal de 106 bilhões. As propostas restringem benefícios dos trabalhadores. O governo poderia ter começado, por exemplo, com um programa de concessões, na perspectiva de crescimento, geração de emprego e renda. O PRB, que não foi ouvido também, votou contra as medidas provisórias.

247 – O senhor, como ministro da Pesca, deu muita ênfase aos programas sociais para pescadores. As restrições ao seguro defeso incomodaram particularmente?

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Crivella – Muitíssimo. O seguro-defeso teve problemas no passado. O número de pescadores crescia, mas não a produção de pescado. Então fizemos um recenseamento. Eu assinei portarias cancelando milhares de benefícios, com uma economia de mais de um bilhão de reais. E outra coisa, a produção do pescado quase dobrou. O consumo dos brasileiros, que era de aproximadamente 9 quilos por ano, subiu para 13, segundo o MDIC. Então, esta medida foi muito ruim. O pescador não consegue mais colaborar com o governo. O seguro defeso é uma proteção ao pescador no período de interdições. Exigir que o pescador tenha que passar três anos sem receber o benefício é injusto.

247 – E o senhor, aqui no Senado, também vai votará contra as MPs do ajuste?

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Crivella – Se for ouvido, posso examinar mas hoje minha tendência é votar contra.

247 – A proximidade da eleição municipal contribui para o afastamento dos partidos da base?

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Crivella – Acho que se o governo não tiver uma proposta de crescimento, que nos tire da crise e mantenha as conquistas sociais, e somando-se os problemas econômicos aos escândalos de corrupção, haverá mesmo o afastamento de alguns partidos, como já está havendo. É uma questão de sobrevivência.

247 – Tenho ouvido que o senhor poderá ser candidato novamente a prefeito do Rio. O senhor está decidido?

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Crivella – O PRB, na convenção da semana passada, que reelegeu o presidente Marcos Pereira, me surpreendeu com discursos entusiasmados lançando meu nome como candidato no Rio e o de Celso Russomano em São Paulo. Certamente contou muito o desempenho que ambos tivemos nas eleições recentes. Eu me senti muito fortalecido. Além disso, por onde eu ando no Rio as pessoas me pedem para ser candidato. Quem ama não desiste e eu amo Rio.

247 – Mesmo para enfrentar um candidato como o secretário Pedro Paulo, apoiado por um prefeito bem avaliado como Eduardo Paes?

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Crivella – Mas o prefeito é de um partido muito mal avaliado. O PMDB no Rio hoje está extremamente desgastado. Principalmente depois que se descobriu que o governador Pezão e seu antecessor Cabral estão envolvidos no escândalo da Lava Jato, que atingiu a maior empresa brasileira e a maior empresa de nosso estado. A Petrobrás foi muito penalizada e o povo carioca sabe que o PMDB participou disso.

247 – A força do Cabral foi decisiva para derrotar o senhor no segundo turno da eleição governador e garantir a vitória ao Pezão. Acha que isso não se repetirá no pleito municipal?

Crivella – Se você analisar o resultado da votação para governador, verá que eu ganhei na cidade do Rio de Janeiro e em algumas áreas metropolitanas importantes, como Niterói e Petrópolis, e perdi no interior, onde eles têm uma máquina poderosa e o apoio de praticamente todos os prefeitos. Na capital, na zona oeste, de 800 mil votos eu tive 600 mil. Na zona norte, de 600 mil votos tive 500 mil. Estas duas regiões são muito importantes para decidir a eleição do prefeito da cidade do Rio de Janeiro. Na última eleição municipal eu tive 1,35 milhão de votos. E isso contra o prefeito do Rio, Eduardo Paes, que é bem avaliado, com o apoio de todos os vereadores do PMDB, conselheiros de tribunal de contas e tudo o mais. Enfim, naquela época meu partido tinha apenas oito deputados federais e hoje tem 21. E isso nos dará muito mais tempo de televisão. Este é um fator que me anima muito a disputar novamente a prefeitura do Rio. As condições são muito melhores. Na última campanha, quando larguei na frente do Pezão, o PMDB entrou em desespero e fez uma campanha movida a preconceito e discriminação. E eu nem tinha tempo de televisão suficiente para rebater. Acho que agora será diferente.

247 – O Lindbergh Farias, do PT, apoiou sua candidatura no segundo turno. Vejo que o senhor e ele têm algumas afinidades aqui no plenário do Senado. Uma aliança com o PT não é mais possível?

Crivella – Acho que é mais fácil o PT fazer aliança comigo do que com Eduardo Paes, embora eu tenha visto o Eduardo e o Pezão – que não convidou o PT para integrar o governo – afastarem-se do presidente Lula e da presidente Dilma. Aliás, aquela aliança no Rio era meramente de interesses, não de afinidades e princípios. Sei que o PT fará uma manifestação lá no Rio, no dia 21, contra a aliança com o PMDB e em apoio à candidatura do Alessandro Molón. Participam deste movimento os petistas que representam a maior parte da militância petista. O Molón preenche todos os requisitos mas acho que nossa aliança será mais viável no segundo turno.

247 – Quais os temas que devem mobilizar a eleição municipal?

Crivella – Saúde, educação, transportes. No caso do Rio, segurança, porque as UPPs não evoluíram e nem foram geridas como era necessário, e a segurança é um problema que aflige os cariocas. Em transportes, foram construídas grandes vias, que consumiram muitos recursos, mas as tarifas ficaram muito mais caras, foram aumentadas acima da inflação. É o único lugar do Brasil onde o vale-transporte é administrado pelos concessionários, que recebem adiantado, aplicam os recursos no mercado financeiro, ganhando um adicional além do lucro, e ainda ganham aumentos de tarifa superiores à inflação.

247 – O que levou as UPPs ao desgaste?

Crivella – Falta de parceria com a prefeitura, que poderia ter entrado com recursos apoiando as comunidades na questão das creches, da saúde, da escola, fortalecendo a presença do Estado. A UPP ficou reduzida à presença policial e isso não funcionou. Eu defendo a zona franca social. Sabe o que é isso? É encomendar tudo o que o Estado precisa comprar nas favelas: roupa de cama para hospitais, material esportivo, uniformes de garis, alimentação para presídios, consertos de móveis escolares...Estas compras fortaleceriam a vida comunitária, gerando emprego e renda na favela. Além do cimento social, uma obra que fiz com recursos próprios, empregando gente das comunidades. O problema da dengue, em grande parte, decorre da falta de telhado nas casas. A água da chuva deposita-se sobre as lajes nuas que se transformam em criatório de mosquitos.

247 – Como pré-candidato, o senhor acha que a emenda José Serra, que prevê a adoção do voto distrital nas cidades com mais de 200 mil habitantes, será aprovada na Câmara e pode vigorar na eleição do ano que vem?

Crivella – Eu votei contra e acho que não vingará. Acho difícil que ela passe na Câmara, e se passar, algum partido irá arguir a inconstitucionalidade no STF. Nosso sistema é pluripartidário e esta medida é uma pedra no caminho dos partidos menores. Voto distrital é para um sistema de dois ou três partidos.

247 – E a reforma política que a Câmara está votando, acredita que sairá?

Crivella – Tenho esperança. Acho que devemos acabar com o financiamento privado de campanhas, devemos ter um teto, pelo menos.

247 – A Câmara tende a aprovar o sistema majoritário, o tal distritão, na eleição de deputados. O senhor é a favor?

Crivella – Acho que não devíamos mudar nosso sistema proporcional atual, que expressa melhor a vontade dos eleitores. Sou contra a concentração de poder. Se acabarmos com as coligações proporcionais também estaremos fechando a porta aos pequenos partidos. E olhe que o PRB agora é médio.

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