Coronel da PM defende controle civil da polícia para evitar execuções

Ao comentar a prisão de cinco PMs acusados de forjar um auto de resistência - homicídio decorrente de intervenção policial - no Morro da Providência, região central do Rio, o ex-secretário de Direitos Humanos do estado Jorge da Silva sugeriu a criação de um controle civil da polícia, realizado por entidades da sociedade civil; "O problema que envolve os casos de pessoas executadas por policiais não é o auto de resistência, mas a investigação de um suposto crime cometido por policiais a cargo da própria polícia. Ela deve ajudar nas investigações, mas não deve se esgotar aí. Não devem ser feitas só por ela"

Ao comentar a prisão de cinco PMs acusados de forjar um auto de resistência - homicídio decorrente de intervenção policial - no Morro da Providência, região central do Rio, o ex-secretário de Direitos Humanos do estado Jorge da Silva sugeriu a criação de um controle civil da polícia, realizado por entidades da sociedade civil; "O problema que envolve os casos de pessoas executadas por policiais não é o auto de resistência, mas a investigação de um suposto crime cometido por policiais a cargo da própria polícia. Ela deve ajudar nas investigações, mas não deve se esgotar aí. Não devem ser feitas só por ela"
Ao comentar a prisão de cinco PMs acusados de forjar um auto de resistência - homicídio decorrente de intervenção policial - no Morro da Providência, região central do Rio, o ex-secretário de Direitos Humanos do estado Jorge da Silva sugeriu a criação de um controle civil da polícia, realizado por entidades da sociedade civil; "O problema que envolve os casos de pessoas executadas por policiais não é o auto de resistência, mas a investigação de um suposto crime cometido por policiais a cargo da própria polícia. Ela deve ajudar nas investigações, mas não deve se esgotar aí. Não devem ser feitas só por ela" (Foto: Leonardo Lucena)


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Da Agência Brasil

Ao comentar hoje (30) a prisão de cinco policiais militares acusados de forjar ontem (29) um auto de resistência - homicídio decorrente de intervenção policial - no Morro da Providência, comunidade da região central do Rio de Janeiro, o ex-secretário de Direitos Humanos do estado, Jorge da Silva, sugeriu a criação de um controle civil da polícia, realizado por entidades da sociedade civil.

"O problema que envolve os casos de pessoas executadas por policiais não é o auto de resistência, mas a investigação de um suposto crime cometido por policiais a cargo da própria polícia. Ela deve ajudar nas investigações, mas não deve se esgotar aí. Não devem ser feitas só por ela."

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Coronel da reserva da Polícia Militar (PM), Silva disse acreditar que só o controle externo exercido pelo Ministério Público não é suficiente. Afirmou que, a exemplo de outros países, é preciso criar um controle civil da polícia.

"Uma coisa é um policial no estrito cumprimento do dever, para defender a própria vida e de terceiros, acabar usando a força letal. Outra é executar uma pessoa e se amparar na lei alegando legítima defesa." Segundo o coronel, uma forma de evitar que crimes como esse fiquem impunes seria criar um controle de organizações da sociedade civil, que, autorizadas pelo governo, ajudariam a investigar esses casos".

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No início de agosto, a Anistia Internacional lançou um estudo intitulado "Você matou meu filho!", que, em 2014, investigou dez casos de auto de resistência na Favela de Acari, zona norte do Rio. O relatório indicou que nove desses dez casos continham indícios de execução extrajudicial.

Para o assessor de Direitos Humanos da Anistia, Alexandre Ciconello, a pesquisa ajudou a mostrar que, em muitas situações, os autos de resistência, quando o agente mata alguém alegando legítima defesa, têm sido usados para encobrir casos de criminosos já rendidos e pessoas inocentes.

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De acordo com Ciconello, o relatório da anistia ajudou a dar visibilidade a esses casos, que, muitas vezes, levam anos para julgamento e não são investigados adequadamente.

"Temos dados mostrando que, em 2011, 80% dos homicídios decorrentes de intervenção policial ainda não foram julgados. Somente em situações como a de ontem, quando há testemunhas ou vídeos, é que o caso consegue algum tipo de progresso e os policiais são julgados e responsabilizados."

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Segundo Ciconello, é preciso "tolerância zero" do comando da PM e da Secretaria de Estado de Segurança para esse tipo de prática. "Como muitos ficam impunes, os policiais que cometem execuções se sentem protegidos, como se tivessem 'licença para matar'. E eles ainda têm apoio de grande parte da sociedade, que acredita que 'bandido bom é bandido morto'. Na verdade, isso só alimenta um ciclo de violência. A solução para o tema deve passar pelo fortalecimento das instituições e treinamento dos policiais."

Os policiais presos ontem são acusados de forjar um confronto, supostamente colocando uma arma na mão de um jovem de 17 anos, já morto, e atirando duas vezes, de modo a parecer que a vítima foi morta após atirar nos policiais.

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As imagens mostram inicialmente um policial entregando um objeto preto para outro, que está ao lado da vítima. Em seguida, um dos policiais pega a arma, que seria da vítima, atira para o alto.

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