Conselho de Ética instaura ação contra Chico Alencar
Apresentação da representação foi feita pelo deputado Paulo Pereira da Silva (SP), aliado do presidente da Câmara, Eduardo Cunha; Paulinho acusa o deputado do Psol de irregularidade em doações de funcionários do seu gabinete durante a campanha e suposto uso de notas frias para comprovar gastos; Alencar já adiantou sua defesa em que disse ser inocente e que a representação é uma peça de vingança contra a sua atuação política; Chico Alencar é autor do processo contra Cunha no mesmo Conselho de Ética
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Agência Câmara - O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar instaurou na tarde desta quarta-feira 11 representação contra o líder do Psol, deputado Chico Alencar (RJ), por suposta irregularidade em doações de funcionários do seu gabinete parlamentar durante a campanha eleitoral e suposto uso de notas frias para comprovar gastos que teriam sido pagos com verba indenizatória da sua cota parlamentar.
Alencar já afirmou ser inocente e disse que a representação é uma peça de vingança contra a sua atuação política. Ele garantiu que a sua campanha teve total lisura e que os limites legais de doações foram absolutamente respeitados.
A apresentação da representação contra Chico Alencar coube ao deputado Paulo Pereira da Silva (SP), como presidente do Solidariedade. Pereira acaba de ser formalizado como novo integrante titular do Conselho de Ética, em substituição ao deputado Wladimir Costa (SD-PA), que está de licença médica e renunciou à vaga. Também assumiram, como suplentes, os deputados Carlos Marun (PMDB-MS), Manoel Junior (PMDB-PB) e Capitão Augusto (PR-SP).
Antes mesmo dos procedimentos de escolha do relator do caso, Alencar antecipou sua defesa por escrito. O deputado disse ter detectado, na representação do SD, “25 mentiras, falsidades, afirmações enganosas e impropriedades”. Ele afirmou ter orgulho da colaboração de sete servidores de seu gabinete, que fizeram doações voluntárias, dentro dos limites permitidos pela Justiça Eleitoral. Quanto às supostas notas frias, Chico Alencar encaminhou detalhes do arquivamento de investigação do Ministério Público sobre o caso.
O líder do Psol lembrou que Paulo Pereira da Silva é aliado do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que responde a processo de cassação movido pelo Psol e pela Rede Sustentabilidade por denúncias de supostas contas secretas na Suíça e delações no âmbito da Operação Lava Jato, da Polícia Federal. “É uma medida intimidatória e com ânimo vingativo”, disse Alencar.
O deputado Paulo Pereira da Silva rebateu os argumentos de Alencar. Segundo ele, o líder do Psol “gosta de questionar a ética” dos demais parlamentares no Plenário da Câmara, mas também precisa explicar acusações que, na opinião de Pereira, são graves. “Será uma oportunidade para Chico Alencar se explicar e esclarecer os fatos”, argumentou.
Pereira lembrou ter respondido a um processo no Conselho de Ética, há oito anos, movido por Alencar. “Entendo a indignação dele”, acrescentou. Paulo Pereira também negou haver intimidação ou retaliação. “A minha posição em relação a Cunha já é conhecida”, completou.
Sorteio do relator
O relator do caso será escolhido pelo presidente do Conselho de Ética, deputado José Carlos Araújo (PSD-BA), a partir de uma lista tríplice sorteada há pouco entre os membros do colegiado. Nela, estão os deputados Sérgio Brito (PSD-BA), Zé Geraldo (PT-PA) e Sandro Alex (PPS-PR). Araújo deve definir o nome do relator na quinta-feira, após conversar com os três sorteados.
Paulo Pereira da Silva é considerado aliado do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que responde a processo por suposta quebra de decoro no Conselho de Ética, movido pelo Psol e pela Rede Sustentabilidade. Cunha já afirmou que não se sente “nem aliviado nem angustiado” com o fato de Pereira passar a ser integrante do conselho.
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