Comunidades pacificadas ainda sofrem com violência
Em cinco de UPPs no Rio, as comunidades pacificadas ainda não viram a paz reinar junto aos moradores; sete policiais, por exemplo, foram mortos nesse período, três deles nos últimos dois meses na Cidade de Deus, no Parque Proletário da Penha e no Alemão; o secretário de segurança José Mariano Beltrame quer remover famílias que residem nas comunidades pacificadas para urbanizar essas áreas; moradores, no entanto, não gostaram da ideia
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Do RJ24Horas - Uma pessoa idosa morreu baleada na comunidade Mandela, em Manguinhos, e dois jovens foram baleados no Parque Alegria, no Caju. Este foi o estopim dos conflitos ocorridos na madrugada desta quinta-feira nos dois bairros da Zona Norte do Rio. A Linha Vermelha e a Rua Leopoldo Bulhões, que se tornou conhecida como Faixa de Gaza pelos frequentes atos de violência, seja da polícia, de bandidos ou em protestos de moradores, se transformaram em palcos da revolta dessas duas comunidades pacificadas contra seus pacificadores.
Manguinhos, um bairro com 13 comunidades, teve duas UPPs inauguradas no dia 6 de setembro, uma delas a Arará/Mandela. Esta tem sido a área mais complicada no processo de pacificação, com registros de mortes e tiroteios. A sede da UPP já foi atacada várias vezes, desde sua inauguração. Nesta madrugada, policiais da unidade abordaram um menor e ante a reação de moradores atiraram para o alto atingindo o aposentado José Joaquim de Santana, 81 anos, que morreu na sacada de sua casa.
Tiros, mortes de policiais e de inocentes, denúncias contra a truculência policial e protestos de moradores foram registradas em outras comunidades pacificadas como as do Alemão, em Ramos, Vila Cruzeiro, na Penha, Coroa, em Santa Teresa, Cidade de Deus, em Jacarepaguá, São Carlos, no Estácio, e Rocinha, na Gávea, onde o desaparecimento do pedreiro Amarildo Dias de Souza resultou na denúncia contra 25 policiais por tortura, homicídio e ocultação de cadáver. Sete policiais foram mortos nesses cinco anos de pacificação, três deles nos últimos dois meses na Cidade de Deus, no Parque Proletário da Penha e no Alemão, onde uma policial também foi morta, em julho de 2012.
No dia 19 de dezembro de 2008, o governo do estado inaugurou a primeira Unidade de Polícia Pacificadora no Morro Dona Marta, em Botafogo. Hoje, a capital fluminense conta com 36 unidades. Na contabilidade da Secretaria de Estado de Segurança (Seseg), 1,5 milhão de pessoas beneficiados, 252 territórios retomados pelo estado, 9.073 policiais treinados para policiamento comunitário e 9.442.247 metros quadrados é a extensão das áreas pacificadas.
Ao comemorar os cinco anos do início do projeto de pacificação de comunidades carentes, o secretário de segurança José Mariano Beltrame quer remover famílias que residem nas comunidades pacificadas para urbanizar essas áreas. Moradores, no entanto, não gostaram da ideia. Beltrame admite que muita coisa ainda deve ser feita para consumar a pacificação.
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