Com aval do governo, mineradoras contrariam isolamento e seguem operando no país

Dois funcionários da Vale estão infectados pela covid-19, em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, e vários dos 55 mil funcionários da mineradora já apresentam sintomas. Em geral, somente quem está no grupo de risco ou atua em áreas administrativas tem a permissão para trabalhar de casa

(Foto: Reuters/Paulo Whitaker)


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Pedro Stropasolas e Catarina Barbosa, Brasil de Fato | São Paulo (SP) - Mesmo com a pandemia do novo coronavírus, as empresas mineradoras não suspenderam suas atividades no país. Segundo relatos e fotos enviadas ao Brasil de Fato, é comum a circulação de operários em ônibus, refeitórios e entre cidades vizinhas às zonas mineiras.

Dois funcionários da Vale estão infectados pela covid-19, em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, e vários dos 55 mil funcionários da mineradora já apresentam sintomas. Em geral, somente quem está no grupo de risco ou atua em áreas administrativas tem a permissão para trabalhar de casa. 

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No sudeste do Pará – estado onde existem 32 casos confirmados da doença –, operários de mina, usina e pátio de estocagem continuam em atividade no município de Parauapebas. Evaldo Fidelis era um deles até o último domingo (29), quando entrou em quarentena após apresentar dores no corpo, mal estar e espirros. A cidade já tem 26 casos suspeitos da doença. 

“Eu comecei a sentir ruim, meu corpo doer, querendo gripar, e aí devido a isso eles mandaram ficar em casa. Estou aguardando um diálogo com o secretário do município para ver se consigo fazer o teste rápido, que chegou na cidade. Mas as orientações dadas pelo PASA, que é o convênio médico da empresa, você fala com ele por telefone, é que eu fique em casa. Caso eu sinta sintomas mais avançados é para eu ligar para eles", afirma o operário, que trabalha no complexo de Carajás, em meio à floresta amazônica, onde funciona a maior exploração de minério de ferro do mundo, com cerca de 10 mil trabalhadores.

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As medidas tomadas pela Vale no local, na opinião do trabalhador, foram muito aquém do que está sendo estabelecido pelos decretos estadual e municipal. "A Vale reduziu de 44 para 22 pessoas nos ônibus, sendo que todos continuam em espaços confinados e próximos uns dos outros em banheiros, refeitórios e nos locais das atividades", aponta Fidelis, que lembra que ainda há terceirizados atuando na manutenção, limpeza, no setor alimentício e no apoio das operações.

Para Luiz Paulo Siqueira, coordenador do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), o potencial de disseminação da doença através dos empreendimentos minerários é enorme.

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"A mineração é um dos setores mais insalubres do mundo. Todos os trabalhadores do setor e as comunidades do entorno convivem já com vários problemas, seja de câncer e, principalmente, de problemas respiratórios por causa da emissão do pó do minério", afirma. Siqueira revela ainda que desde Carajás até o Sul do país as mineradoras continuam em plena normalidade.

Apesar da reivindicação da categoria, a portaria emitida pelo ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, incluiu as atividades de mineração como essenciais durante a pandemia da covid-19.

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A medida era pleiteada pelas mineradoras e inclui atividades como processamento e transformação de bens minerais, e escoamento dos produtos gerados na cadeia produtiva.

O procedimento lembra o Decreto 10.292/2020, editado na última quinta-feira (26), quando o Poder Executivo tentou enquadrar igrejas e casas lotéricas como serviços essenciais durante a pandemia.

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O texto tinha clara motivação política para angariar apoio da base empresarial do governo e foi derrubado por uma Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF).

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