Coletivo repudia o prêmio "Construtor da Paz" da Assembleia Legislativa do Rio ao 1º Batalhão de Polícia do Exército

'O local serviu, durante a ditadura-militar (1964-1985) como sede do DOI-CODI', afirmou o Coletivo RJ Memória, Verdade, Justiça e Reparação

(Foto: Reprodução)


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247 - O Coletivo RJ Memória, Verdade, Justiça e Reparação afirmou que "repudia veementemente" o Projeto de Resolução nº 932/2021, que busca conceder o prêmio "Construtor da Paz" da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ) ao 1º Batalhão de Polícia do Exército, que entrou para a pauta de discussões da casa legislativa nesta semana. 

"Localizado na Rua Barão de Mesquita, 425, o local serviu, durante a ditadura-militar (1964-1985) como sede do Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) do 1º Exército. O DOI-CODI foi palco de gravíssimas violações aos direitos humanos, tais como torturas, assassinatos e desaparecimentos forçados", disse o coletivo. 

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"Dentre os crimes cometidos por agentes do Estado no DOI-CODI estão o assassinato sob tortura de Rubens Paiva, ex-deputado federal, e o desaparecimento forçado de Mario Alves", complementou. 

Segundo o coletivo, "a utilização do espaço para a prática de crimes contra a humanidade é largamente comprovada por centenas de testemunhos, não apenas de vítimas e familiares, mas também de agentes do Estado que reconhecem que o local teve essa funcionalidade durante a década de 1970". "O Major do Corpo de Bombeiros Valter Jacarandá, por exemplo, em audiência pública realizada na própria ALERJ acerca do caso de Mario Alves, confirmou em depoimento à Comissão Estadual da Verdade que no local havia a prática de tortura, com o uso de instrumentos como o pau-de-arara e o choque elétrico", continuou. 

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O coletivo disse que "as graves violações aos direitos humanos cometidas no local foram amplamente atestadas pela Comissão Nacional da Verdade e pela Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro a partir desse conjunto de depoimentos e de outras provas documentais". 

"Diversos casos de assassinatos ocorridos no local são objeto ações movidas pelo Ministério Público Federal (MPF). É de se ressaltar que em 2013 o Ministério Público Federal apresentou ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) um pedido de tombamento do prédio. De acordo com o MPF, tal medida busca combater o 'negacionismo' e o 'silenciamento' e fomentar uma consciência crítica sobre as graves violações aos direitos humanos, tendo em vista a busca da garantia da não-repetição das violências. Em 2014, uma estátua em homenagem a Rubens Paiva foi inaugurada na praça em frente ao Batalhão", afirmou. 

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"Esse conjunto de medidas atestam que é de largo conhecimento, da sociedade e do poder público, que aquele foi um espaço que serviu para fomentar a violência, o ódio, o horror e a tortura – tudo, menos a paz. Nesse sentido, caso aprove esta homenagem, a ALERJ estará se posicionando de forma contrária à consciência cidadã que busca construir caminhos para a
efetiva e duradoura paz, que só pode existir diante do reconhecimento e da memória social, da garantia da justiça e da reparação, da interrupção e não-repetição das sistemáticas violações de direitos humanos".

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