Chico Alencar ao 247: Temer deve renunciar
Indignado com as bombásticas revelações da lista de Fachin, o deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) afirma, nessa entrevista exclusiva ao 247 que as reformas em curso subiram no telhado: “O relator da reforma da Previdência e o relator da reforma política, como o relator da recuperação fiscal dos estados estão todos sob investigação! Como é que eles podem querer mexer em direitos dos trabalhadores”!? Ele prega renúncia ampla, geral e irrestrita: “O correto mesmo era todos renunciarem aos mandatos, encurtá-los, assim como presidente da República, governadores e deputados estaduais e a gente partir para eleições gerais no país”; leia a íntegra
✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.
Por Alex Solnik
Indignado com as bombásticas revelações da lista de Fachin, o deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) afirma, nessa entrevista exclusiva ao 247 que as reformas em curso subiram no telhado: “O relator da reforma da Previdência e o relator da reforma política, como o relator da recuperação fiscal dos estados estão todos sob investigação! Como é que eles podem querer mexer em direitos dos trabalhadores”!? Ele prega renúncia ampla, geral e irrestrita: “O correto mesmo era todos renunciarem aos mandatos, encurtá-los, assim como presidente da República, governadores e deputados estaduais e a gente partir para eleições gerais no país”. Não concorda com a decisão de Temer de manter os oito ministros sob investigação: “É evidente que eles tinham que ser afastados imediatamente”. Principalmente Aloysio Nunes Ferreira que, por ser ministro das Relações Exteriores representa a imagem do Brasil no exterior: “É uma vergonha, vão achar que o Brasil é uma cleptocracia”! Além dos ministros, também tinham que ser afastados
“os relatores dessas reformas, assim como os presidentes da Câmara e do Senado, o que seria um mínimo de pudor republicano. Mas que eles não têm”. Propõe ampliar o “Fora Temer”: “Agora não é mais só ‘Fora Temer’. É ‘Fora Temer e seus ministros’, ‘Fora Eunício’, ‘Fora Maia’, ‘Fora relatores da Previdência, da reforma política e da recuperação fiscal dos estados’, ‘Fora todos aqueles que estão sob investigação’”. Não aceita a alegação do chefe da PGR Rodrigo Janot de que Temer não pode ser investigado, apesar de ser citado fartamente: “Ontem, nós do PSOL tomamos a posição de fazer uma petição ao Supremo, ao Facchin, para investigar o Temer também”. “O Janot deu um foro ultraprivilegiado pro Temer ao não denunciá-lo, ao dizer que ele não pode ser investigado por fatos anteriores ao seu mandato. Só que contaminaram o mandato atual”. Aécio dificilmente sobrevive às acusações: “Tudo indica que ele tá ferido politicamente de morte. Como o Serra também. Enfim, todas aquelas vestais tucanas estão não sem ninho, estão sem árvore para pousar”.
O que aconteceu no plenário da Câmara quando anunciaram a lista do Fachin?
Debandada quase geral! Como se estivessem correndo da polícia! O que revela, primeiro, uma consciência de culpa; segundo, a total incapacidade de atuar como liderança política, representação popular; eles preferiram a omissão. Aliás, os partidos em geral não se manifestam sobre o essencial que é o desvendamento da histórica promiscuidade entre grandes corporações e os protagonistas do sistema político. Gravações, depoimentos etc mostram como na república brasileira os grandes interesses privados colonizam partidos, ganham eleições e em troca disso têm executivos que fraudam licitações e favorecem superfaturamentos e legisladores que vendem seus mandatos, fazendo projetos de lei, emendas e todas as facilitações para essas grandes corporações.
A gente achava que os grandes partidos eram o PT, o PMDB e o PSDB mas agora estamos vendo que o maior partido do Brasil é o PO Partido da Odebrecht.
Exatamente. O partido das empreiteiras que não têm partido. O partido das empreiteiras é o partido que está no poder ou o que tem perspectiva real de poder, por isso às vezes eles dão dinheiro para os dois lados. Claro que não é só a Odebrecht, a Odebrecht é a principal, mas há todas as outras empreiteiras e os bancos também. O que é pior: esses mesmos que vão ser investigados querem ser os promotores das reformas entre aspas... pontes para o futuro...
Você acha que tem condição de votar a reforma da Previdência depois disso?
Nada! Nada! Totalmente ilegítimo! Aliás, o relator da reforma da Previdência e o relator da reforma política, como o relator da recuperação fiscal dos estados, a saber, Artur Maia, hoje no PPS, Vicente Cândido do PT e Pedro Paulo do PMDB aqui do Rio estão todos sob investigação!Um terço do Senado! Dez por cento da Câmara! Credibilidade e legitimidade lá embaixo: Como é que eles podem querer mexer em direitos dos trabalhadores!? O correto mesmo era todos renunciarem aos mandatos, encurtá-los, assim como presidente da República, governadores e deputados estaduais e a gente partir para eleições gerais no país. A única forma de sair dessa crise profunda.
Você acha que esse episódio marca o final da Nova República?
Sem dúvida. Final triste, né. Não dá nem pra ter choro ou vela. A Nova República abriu expectativas de uma democracia liberal, com eleições rotineiras, partidos fortes, partidos de extração popular, afinal a Nova República só saiu porque a multidão foi pras ruas desde as Diretas Já, só que o povo foi sendo progressivamente deixado de lado e, como é próprio do sistema capitalista passou a predominar, inclusive no mundo politico, foi mercadoria, negócio e lucro. Capitalismo não existe sem isso: mercadoria, negócio e lucro. O sistema político brasileiro passou a ser dominado por esses elementos da economia capitalista. Claro, produz desigualdade até na concorrência, produz injustiça, produz privilégios, produz acumulação de uns e expropriação de outros, a política brasileira é exatamente assim. As maiorias sociais não conseguem ser maiorias políticas. E aí eu acho que a experiência do PT merece uma análise, uma autocrítica que eu não tenho visto pelo menos por parte do grupo majoritário do PT de como um partido de extração popular acabou sendo engolido em boa parte pelo sistema. É uma tragédia histórica.
Você acha que é possível o ministro das Relações Exteriores viajar pelo mundo afora representando o Brasil e estar sob investigação por corrupção?
É uma vergonha, vão achar que o Brasil é uma cleptocracia! Olha, são oito ministros investigados. É evidente que eles tinham que ser afastados imediatamente. Só que o presidente da República devia ser investigado também. Ontem, nós do PSOL tomamos a posição de fazer uma petição ao Supremo, ao Facchin, para investigar o Temer também. O Janot deu um foro ultraprivilegiado pro Temer ao não denunciá-lo, ao dizer que ele não pode ser investigado por fatos anteriores ao seu mandato. Só que contaminaram o mandato atual. Ele tem o domínio de todos os fatos.
E em 2010 ele já estava no mandato do qual este é a continuação...
É lógico! E tudo concorreu para chegar à situação de hoje ele como presidente e, de toda forma, no mínimo esses ministros tinham que ser afastados, como também os relatores dessas reformas, como os presidentes da Câmara e do Senado, o que seria um mínimo de pudor republicano. Mas que eles não têm. E só com mobilização de massa...só com um gigantesco “Fora”! Agora não é mais só “Fora Temer”. É “Fora Temer e seus ministros”, “Fora Eunício”, “Fora Maia”, “Fora relatores da Previdência, da reforma política e da recuperação fiscal dos estados”, “Fora todos aqueles que estão sob investigação”, pelo menos liminarmente, enquanto... até para se defenderem enquanto não ficar comprovado que a acusação é totalmente infundada.
Aécio Neves sobrevive a essa tempestade?
Nãããooo!!! O Aécio Neves é um dos mais acusados e os dois nós que vão aprisioná-lo de vez e retirá-lo da vida pública são: o Centro Administrativo de Minas Gerais, aquela obra gigantesca e ações da CEMIG, a companhia energética de Minas... Jirau, Santo Antônio... Tudo indica que ele tá ferido politicamente de morte. Como o Serra também. Enfim, todas aquelas vestais tucanas estão não sem ninho, estão sem árvore para pousar. O Aécio se chama Aécio Neves da Cunha. O Aécio Neves da Cunha deu uma de Cunha que falava que não tinha conta no exterior, que era um trust, que era usufruto, que não tinha depósito nenhum e taí. Condenado a 15 anos de cadeia. O Aécio falou que não existe conta nenhuma no banco, ele foi muito peremptório. A irmã dele chorou.
O que você achou dele sair na capa da Veja?
Os setores reacionários estão rachados, divididos em relação a alternativas. Tem um elemento também que a gente olha às vezes de uma maneira muito blocada, acha que um órgão de imprensa necessariamente vai representar os interesses da burguesia industrial, financeira de maneira monolítica. Não. Às vezes o jornalismo, inclusive a necessidade da venda da tiragem, leva a ter posições que revelam aparente independência maior. A Veja estava muito caracterizada e marcada como um panfletão de setores da direita brasileira. Eu vejo alguma inflexão nela, por razões que a gente não tem clareza quais são, mas é certo que o Aécio está descartado como figura política proeminente da direita. Porque vai aparecer muita coisa do Centro Administrativo ainda...
Lula também está ferido?
As investigações até aqui de sítio, triplex, elas não têm elementos fáticos comprobatórios porque o sitio não está no nome dele e o triplex, se houve intenção de compra, ela não prosperou. Por aí, não. Até porque é uma questão rigorosamente menor em relação às grandes e tenebrosas transações que estão se revelando. Agora, tem que ver o nível da relação dele com as grandes empreiteiras. Para além de eventuais presentes para fazer a reforma de um sítio, mas as relações mais orgânicas mesmo, da ordem de milhões e milhões, que vêm sendo apontadas pelos delatores. A conta “Amigo”... o esquema do Palocci... isso tudo exige uma apuração. Claro que mesmo quando eu falo dos tucanos eu falo de indícios que a meu juízo podem retirá-lo da vida pública. De qualquer maneira, é evidente que essa proximidade com o empresariado, alto empresariado, que o Lula inegavelmente teve, mais do que proximidade, a intimidade, revela que, em relação àquele PT das origens, do qual eu fiz parte, houve uma grande guinada, uma mudança de interlocutores. O que sustenta o Lula é um inegável carisma popular que ele continua tendo e a memória do... que o próprio André Singer, insuspeito, ele é muito próximo do PT, chamou de “reformismo fraco” da era Lula. Mas a memória do povo é Bolsa Família, e até o programa do PT da televisão dessa semana explorou muito bem isso. O Prouni... Então, isso tem apelo popular. Agora, Lula está sob investigação e as coisas podem complicar.
Quem perdeu mais com a lista de Fachin? A esquerda ou a direita?
Eu diria que os dois perderam. Se fosse num jogo de futebol eu diria que está “menos um” a “menos um”. Nem zero a zero. Com isso perde a política em geral. O sentimento do senso comum é: todos são iguais, todos roubam, todos só pensam nos seus bens particulares, todos só cuidam de si e os partidos são iguais e quadrilhas. Esse é um sentimento muito forte na população. O que dá lugar a outsiders falsos, fakes, os placebos, os que vivem fora do mundo da política, como Doria... o próprio Bolsonaro... e as especulações ainda mais absurdas de Luciano Huck...Tite... aí vale qualquer coisa. É patético até. O Doria, com o seu discurso falso de que não é político... é novo... é um gerente...
Como é que as pessoas acreditam nele???
A despolitização, que é generalizada na sociedade, leva a isso. Ele é um marqueteiro, só que ganhou a eleição em São Paulo e no primeiro turno. A não política ganha deição política com figuras como o Doria. Se ele vai chegar a uma candidatura presidencial não sei, tá tudo muito incerto, não é pacífico nem dentro do próprio PSDB. Agora, o capitalismo é o sistema que a direita defende, apoia, aposta. No qual ela crê. E a esquerda sempre tem como elemento de futuro uma outra sociedade, onde o lucro, a negociata, o dinheiro não seja hegemônico, eu acho que a gente tem a obrigação, falando aqui pelo campo da esquerda de se rever, fazer uma profunda autocrítica e retomar caminhos. O pequeníssimo PSOL já é na prática resultado de um início de autocrítica, de revisão de caminhos e de ressignificação do ideário da esquerda. Onde a ética pública, que não tem nada a ver com o moralismo udenista, tem que ter um lugar muito importante.
Parece que do lado da esquerda só o PSOL não tem ninguém na lista...
Agora falaram aqui no Rio de uma acusação contra o Brizola Neto, neto do Brizola, ele é vereador, mas ele se filiou ao PSOL recentemente. Saiu de um delator dizendo que ele acha que o dinheiro que ele deu pro Eduardo Paes, uma parte foi pra filha do Roberto Jefferson e outra pro neto do Brizola. Mas a gente já agiu prontamente, determinamos que ele abra seu sigilo bancário, fiscal, telefônico, mesmo não sendo do PSOL à época dos fatos. Agora, figuras com mandato, em qualquer instância, vereador, deputado estadual, federal, nenhum do PSOL. Não estamos na lista. É uma menção que há, nem é pedido de investigação contra o neto do Brizola. Ele está indignado, soltou uma nota, disse que fazia oposição a Eduardo Paes, e por isso até rompeu com o PDT, e é processado por Eduardo Paes e pelo Pedro Paulo.
Como vocês fazem campanha sem empreiteira?
Nosso estatuto já proíbe doação de banco, empreiteira ou multinacional. A gente faz campanha com doação cidadã, naquele estilo do PT de antigamente. E, é claro, as campanhas são sempre muito pobres. Invariavelmente, os candidatos do PSOL, mesmo os que se elegem a vereador, deputado, são os que gastam menos entre os eleitos. Muito menos. Por exemplo. O Eduardo Cunha, na eleição para deputado federal na que eu fui eleito também ele declarou ter gasto 7 milhões de reais. E eu gastei 230 mil. E tudo dinheiro de doações. Eu, inclusive, sou um bom doador da minha própria campanha. A campanha do Freixo à prefeitura foi espetacular, porque só teve doação cidadã e conseguiu quase 1 milhão de reais! E deu pra fazer campanha muito bem. Claro que o Crivella gastou muito mais. Como o Pedro Paulo... o Indio da Costa... nós fomos uma das que menos arrecadou e uma das que mais contribuidores teve. Já em vigor a proibição de financiamento empresarial nas eleições de 2016.
Quando nós conversamos, na semana passada, você disse que Temer não iria renunciar. E agora? Você vê a possibilidade de ele renunciar, mesmo levando-se em conta que fora do mandato ele será investigado inevitavelmente?
Mais do que nunca, assim como ele botou Moreira Franco como ministro para blindá-lo, pra ter prerrogativa de foro, por mais que ele fique alvejado e exposto, por mais denúncias reveladoras que façam, que tiveram reunião com ele, no escritório dele de São Paulo, não é mais só no Jaburu, 40 milhões, não só 10 milhões, isso tudo é avassalador, mas exatamente pra ter a prerrogativa do foro e pra tocar a pauta econômica. O sistema econômico, o PIB, digamos, com honrosas exceções, ainda sustenta o Temer na expectativa de que ele conclua essas mal chamadas reformas, da Previdência, trabalhista, pontos cruciais da pauta do ajuste neo-liberal. Após isso, vai estar tão perto da eleição, quer dizer, se não passar, ele fica muito fragilizado, aí sim, vão dizer “não serve”. “Não é mais funcional aos nossos interesses”. Mas eles têm medo do que pode sair das urnas. O Temer só faz o que o mercado manda. Ele é absolutamente submisso ao mercado. Agora, é insosso e impopular. E com denúncias pesadas de corrupção. Então...claro que depois dessas revelações todas a situação dele ficou mais frágil. Mas ainda avalio que ele tende a segurar. Também depende de um outro fator: o povo na rua. Dia 28 e outros movimentos. E mesmo dissidências conservadoras na base dele também serão muito importantes. E balizadores do nosso futuro próximo.
A dissidência do Renan é a sério?
O Renan é um camaleão politico bem sucedido. Ele, como biruta de aeroporto, costuma girar pra onde o vento bate. Isso ao longo da história política dele. É aquela versão perfeita e acabada da figura política que se eterniza. A trajetória dele começa com o Collor, quando Collor começa a se desgastar ele rompe, depois ele é ministro de Fernando Henrique, depois, na era Lula, ele se aproxima do governo. Mesmo agora com Dilma defendeu até à penúltima hora. Quando afinal viu que o impeachment ia sair pela conjunção de forças reacionárias que foram estruturadas ele acaba aquiescendo...
Mas não deixou dar o coice nele...
Hein?
Não deixou dar o coice...
Sim, pois é...ainda articulou uma solução de compromisso ali para não tirar os direitos politicos dela. Agora ele percebe que Temer está muito desgastado, muito impopular, está olhando a sua própria sobrevivência política, vai ser um dos mais investigados por denúncias de corrupção, mas tá com popularidade ele próprio abalada em Alagoas, onde seu filho, Renanzinho é governador, que vai tentar a reeleição... ele teme numa eleição majoritária pro Senado não se reeleger e no Nordeste a força do Lula é impressionante. É inegável. Então, Renan já está fazendo esse trânsito, como oligarca mdoerno, mas que perde poder neste momento. Ele tem liderança. Ele expressa lá um grupo bastante expressivo de senadores. Na Câmara, nem tanto. Porque tem um PMDB da Câmara e um PMDB do Senado.
Sem Eduardo Cunha o PMDB da Câmara ficou mais fraco?
Não, tem que se testar. Eu percebo agora, isso ficou claro na votação da regulamentação do Uber. Foi curioso, porque, dos dez líderes da base que encaminharam o voto contra uma regulamentação mais rigorosa do Uber não tiveram as suas bancadas respeitando isso. A rigor, só encaminharam a favor da regulamentação quatro partidos: o PSOL, o PT, o PcdoB e a Rede. Ou o PMN, um desses dois, não me lembro. Acho que a Rede liberou. Mas, a verdade é que perderam a votação em plenário. Hoje em dia líder não lidera. Nem sempre a sua orientação se faz valer.
Aquela maioria parlamentar de 2/3 não existe mais?
Até existe, porque o Temer, isso temos que reconhecer, é um articulador parlamentar muito experiente, foi presidente da Câmara duas vezes. Habilidoso. Tem um traquejo que a Dilma, por exemplo, não teve. Mas, mesmo assim, eles estão preocupadíssimos. O levantamento do Estadão em relação à reforma da Previdência, com apenas 98 votos fieis nesse momento – precisa de 308 – é preocupante lá pra eles. E essa movimentação do Renan é de sobrevivência política e de percepção de rumos. É impressionante! E eles não estão sabendo como lidar, como controlar, como fazer amainar essa dissidência que é meramente oportunista.
Quem está mandando mais no Brasil: Temer ou Gilmar Mendes?
Quem tá mandando mais são as grandes corporações de sempre. Incusive das empreiteiras... dos bancos especialmente...do agronegócio, que sofreu um abalo agora com a Operação Carne Fraca, mas que imediatamente se recompôs, mostrou sua força, porque a exportação de carne e similares representa 15% da nossa pauta de exportações. Trataram de abafar a operação, delimitar, circunscrever. Foi uma operação que pgou algo importante que é isso a indicação partidária para o deputado ter nichos A, B ou C em cada estado da federação. Isso não vale só para a Superintendência do ministério da Agricultura, mas pra delegado regional do Trabalho, todos os cargos. Mas, evidente, tem um comando político que ainda tá no controle do Michel Temer, mas a cada semana é um susto, é uma novidade. Nós vivemos tempos de incertezas. Tá muito indefinido tudo.
O Padilha se sustenta no ministério?
A abertura da delação da Odebrecht vai abalar esse governo. Será visto de uma maneira muito forte na sociedade como uma coalizão de investigados e réus, privatistas máximos, defensores do estado mínimo e ainda por cima incompetentes no tal discurso deles de fazer a economia reativar, o desemprego diminuir. Então, o Padilha tá no coração disso, porque ele é o principal articulador. Mas ele já está discreto, já está saindo aos poucos de cena. Agora, o que vai sobrar desse governo é difícil dizer. Na medida em que oito ministros serão investigados, recorde absoluto na república brasileira. O governo é uma pinguela, mas cada vez mais uma pinguela sobre um pântano.
Você já viu algo parecido?
Não. É impressionante! Tem um elemento positivo. Que pelo menos esses conluios históricos do capitalismo de compadrio do brasil estão ficando evidenciados. Agora, é bom lembrar que nenhuma ação policial ou judicial muda a estrutura de um país. Isso não transforma. Sem mobilização popular não tem saída. A gente vai ficar no descontentamento, no descrédito e numa relativa inércia. E as classes dominantes são operosas, tem 500 anos de experiência em mesmo com abalos e crises profundas continuar no poder.
Ele cometeu o maior erro com a reforma da Previdência: uniu os deputado contra ele.
Impressionante. Por isso é que está fazendo concessões que dizia que não podia, senão não seria reforma nenhuma. A cada dia ele recua, ele está precisando de um espelho retrovisor senão vai bater no muro já já.
O PSOL cogita lançar candidato próprio a presidente em 2018? A Luciana Genro lançou você...
Cogita. Tem gente que cogita meu nome. Mas a gente tem como obrigação estabelecer uma plataforma mínima para o país, que modelo econômico queremos, qual é a concertação internacional do capitalismo brasileiro, tem muita realidade diferente no mundo. O nome é o menos importante. Agora, tem gente que diz: tem que ter um nome. Porque é uma coisa meio tradicional. Temos muito tempo ainda. Quero me dar ao direito de discutir melhor no interior do partido sobre essa decisão.
O que virá agora, depois da Nova República?
Eu espero que uma república popular, democrática que acumule forças para um socialismo com democracia. Mas não dá pra prever. Quem acha que tá com alguma visão do que pode vir a ser no Brasil está mal informado.
A onda conservadora tá muito forte, né?
Tá muito forte. Os polos principais da disputa política passada estão todos no mesmo barco, fazendo água. Fica muito difícil. Pra nós, uma alternativa mais sólida, democrática, popular, republicana de fato só a médio prazo. Agora, o médio prazo só vem se você começa a construir desde já
Você conhece o Colégio Santa Cruz em São Paulo?
Conheço. É dos jesuítas, né?
Não, dos dominicanos, eu acho. Mas sempre foi um colégio progressista. No mês passado um grupo de pais de alunos enviou uma carta à direção reclamando da orientação esquerdista e pedindo discussões em classe de textos de Demetrio Magnoli e de Luiz Felipe Pondé.
O que nos salva, já que a gente está na Semana Santa é o papa. O Papa Francisco é a figura política mundial que ainda mantém acesa a chama da utopia.
Principalmente agora que ele posou com a camisa do Palmeiras...
Posou, é? Vou mandar uma do Flamengo pra ele...
iBest: 247 é o melhor canal de política do Brasil no voto popularAssine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:
Comentários
Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247