Após pressão, Covas abre 100 vagas em hotéis para idosos de rua

Acolhimento ocorre depois de dois meses, três editais e acampamento da população de rua em frente à prefeitura. Número ainda é “irrisório” e movimentos veem manobra para desmobilizar protestos

(Foto: Romulo Faro)


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RBA - “Os dois hotéis contratados rapidamente foi justamente para tentar desmobilizar o nosso acampamento na prefeitura (de São Paulo)”. É assim que o presidente do Movimento Estadual da População de Rua (MEPRSP), Robson Mendonça, avalia a abertura de 100 vagas temporárias na rede hoteleira para acolher idosos em situação de rua, no centro de São Paulo. A medida foi anunciada em caráter emergencial, como forma de atender essa população enquanto durar a pandemia de coronavírus. Porém, ela levou mais de dois meses para ser implementada e só foi anunciada pelo prefeito Bruno Covas (PSDB) menos de 24 horas após o início de uma manifestação de movimentos sociais. 

Na terça-feira (7), por volta das 18h, a população de rua levantou um acampamento em frente à sede administrativa do município, no Viaduto do Chá. Um ato para denunciar o descaso da gestão tucana e cobrar políticas públicas de enfrentamento à covid-19 e à chegada das frentes frias do inverno. No dia seguinte, antes do final da tarde, a assessoria da prefeitura confirmava o encaminhamento de 50 idosos, já acolhidos pela rede socioassistencial, para ocupar as primeiras vagas contratadas junto ao hotel Windsor, na região central da cidade. Outras 50 vagas foram abertas nesta sexta-feira (10) na rede Rivoli. 

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“Acompanhamos os primeiros moradores em situação de rua que estão vindo para os hotéis conveniados com a Prefeitura de São Paulo”, declarou Covas, mais cedo. 

Tentaram desmobilizar

Ao longo desse período, no entanto, o presidente do MEPRSP conta diversas tentativas para “desmobilizar o acampamento”. Já durante as primeiras horas do ato, o número de agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM) foi aumentado. A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) foi acionada para mediar a situação e garantir a permanência dos manifestantes. 

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Durante a primeira noite, segundo Mendonça, a Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social (Smads) negociava uma reunião interna com os movimentos, que exigiam um encontro inter-secretarial. “Disseram que iriam nos receber lá (na Smads) – ‘Vocês desmontam o acampamento e vamos ver se atendemos –’. “Esse negócio de ‘vamos ver’, nós não estávamos de acordo, queríamos ser recebidos na prefeitura. Só quando eles viram que não iam conseguir (nos tirar), que várias matérias estavam saindo na imprensa e dando repercussão, na calada, ele conseguiu essas 100 vagas”. 

Desde o início da pandemia, os movimentos reivindicavam o acolhimento da população em situação de rua em hotéis e prédios públicos. Diferentes dos centros de acolhimento, esses espaços reúnem condições, segundo as entidades, para garantir o mínimo para a sobrevivência das pessoas em situação de rua. Em 30 de abril, o prefeito sancionou a Lei 17.340/2020 que permite ao poder público a disponibilização da rede hoteleira para acolher essa população. Mais de dois meses depois, no entanto, nenhuma vaga havia sido aberta até horas antes do protesto. 

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Para Mendonça, a abertura “de última hora”, deixou claro que a população em situação de rua já estaria acolhida e protegida se houvesse vontade da gestão Covas. “Essa é a verdade. Faltou interesse político”, resume. 

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