Após 6 dias de greve contra apps, iFood cede e motoboys retomam trabalho em São José dos Campos

Foi a mais longa paralisação da categoria no país; empresa se reunirá com motoboys no dia 28

(Foto: Reprodução/Twitter)


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Por Daniel Giovanaz, do Brasil de Fato - Motoboys que trabalham por aplicativo em São José dos Campos (SP) retomaram as atividades nesta sexta-feira (17) após seis dias de greve contra as plataformas. A trégua foi decidida coletivamente, diante de uma resposta positiva da empresa iFood, líder do setor.

Segundo os organizadores, o iFood prometeu manter uma promoção de R$ 3 para os motoboys da cidade até o próximo dia 28. Nesse dia, a empresa agendou uma reunião com os organizadores do movimento e sinalizou que está disposta a reajustar as taxas.

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Além do reajuste no valor pago por quilômetro ou por entrega, as demandas da greve incluem o fim dos bloqueios indevidos, a exigência de código de confirmação nas entregas e melhores pontos de descanso na cidade.

O motoboy Altemício Nascimento, de São Paulo (SP), participou da negociação.

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“A pressão está valendo a pena. Vai chegar promoção na cidade. No dia 28, eles vão mexer nas taxas e tirar os três pedidos. Porque caía direto na tela do ‘motoca’ os três pedidos. Se isso for mantido, eles prometeram pagar o valor real”, conta.

“Hoje, o cara faz dois pedidos de graça para o iFood. Não tem como.”

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Além das sinalizações do iFood, um dos motivos de retomar o trabalho nesta sexta (17) é não prejudicar os bares e restaurantes da cidade – que, de maneira geral, apoiaram o movimento.

São José dos Campos tem 3 mil motoboys registrados. A greve não foi convocada por sindicatos ou associações, mas por trabalhadores independentes que aderiram a uma paralisação nacional em 11 de setembro e continuaram mobilizados.

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O principal canal de divulgação das ações dos trabalhadores mobilizados é o perfil @tretanotrampo, no Twitter.

Não há uma confirmação do número oficial de motoboys em greve na cidade. Porém, imagens de conversas on-line entre restaurantes e aplicativos mostram que a rede de entregas na cidade vem sendo afetada. 

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Para continuarem paralisados diante da falta de respostas dos aplicativos, os grevistas pedem contribuições aos apoiadores. Eles divulgaram um PIX para receber ajuda financeira e também aceitam doação de alimentos e bebidas.

“A manifestação foi bem feita, bem planejada, sem violência”, ressalta Altemício Nascimento.

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“Não é que acabou a greve. A gente vai dar uma trégua. O iFood mandou uma promoção, e vamos ver no dia 28 se eles concretizam tudo. Se não, os caras vão parar de novo. E vão puxar uma greve nacional.”

Esta foi a mais longa paralisação da categoria no país contra os aplicativos de entrega.

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O movimento ocorre em um contexto de aumento do preço dos combustíveis e do custo de vida no Brasil, sem reajuste proporcional por parte das empresas de tecnologia que controlam o setor de delivery.

Outro lado

O Brasil de Fato entrou em contato com o iFood, mas não obteve retorno para confirmar as informações.

A reportagem recebeu uma nota sobre a greve, enviada pela Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que reúne nove aplicativos: FlixBus, Ifood, Quicko, Uber, Buser, UberEats, ZéDelivery, 99 e 99Foods.

Confira, na íntegra:

"A Amobitec reforça que, apesar da atual instabilidade econômica no país, não houve a redução de taxas de remuneração dos parceiros. Somam-se a isso diversas medidas adotadas pelas plataformas para auxiliar a reduzir os custos dos parceiros, como convênios com postos de combustíveis - que oferecem desconto no abastecimento dos veículos – e parcerias com empresas para oferecer preços especiais em peças, acessórios e manutenção.

As associadas da Amobitec também implementaram, desde o início da pandemia, diversas ações de apoio aos profissionais, como a distribuição gratuita ou reembolso pela compra de equipamentos e materiais de higiene e limpeza, e a criação de fundos que somam mais de R$ 200 milhões para o pagamento de auxílio financeiro para parceiros diagnosticados com covid-19 ou em grupos de risco. Desde março de 2020 foram distribuídos ou reembolsados mais de 4 milhões de itens de proteção como máscaras e álcool em gel para os parceiros cadastrados nas plataformas.

Além disso, cabe ressaltar que o bloqueio de entregadores nas plataformas é feito apenas quando são identificadas reiteradas violações dos Termos de Uso dos aplicativos e que as empresas não têm nenhum interesse em ter seus parceiros bloqueados.

As empresas associadas à Amobitec estão abertas ao diálogo e trabalham para ajudar os motoristas e entregadores parceiros na geração de renda, investindo em tecnologia e suporte para melhorar a experiência de todos nas plataformas."

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