Após 2 anos da tragédia da Vale, quatro cidades do entorno de Brumadinho ainda sofrem consequências

Mais de 3 mil pessoas ainda sofrem as consequências da contaminação do Rio Paraopeba nas cidades de São Joaquim de Bicas, Betim, Mário Campos e Juatuba, em Minas. Nos quatro municípios, mais de 60% dos atingidos não exercem algum tipo de atividade remunerada, segundo a Associação Estadual de Defesa Ambiental e Social (Aedas)

Boa parte dos moradores no entorno de Brumadinho (MG) ainda não contam com auxílio financeiro
Boa parte dos moradores no entorno de Brumadinho (MG) ainda não contam com auxílio financeiro (Foto: Antonio Cruz - ABR)


✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.

247 - Um total de 3.066 pessoas ainda sofre as consequências da contaminação do Rio Paraopeba nas cidades de São Joaquim de Bicas, Betim, Mário Campos e Juatuba, em Minas Gerais. Um rompimento de uma barragem da Vale deixou 270 mortos em 25 de janeiro de 2019. Nos quatro municípios, 62,51% dos atingidos não exercem algum tipo de atividade remunerada, segundo relatório feito pela a Associação Estadual de Defesa Ambiental e Social (Aedas), contratada como assessoria técnica independente, por determinação da Justiça.

O documento apontou que 67% dos atingidos de São Joaquim de Bicas tiveram diminuição de renda após o crime ambiental. Em Mário Campos, o índice chegou a 66%. Em Juatuba, o número foi 64% e em Betim, 63%. Os relatos foram publicados em reportagem da jornalista Thais Pimentel, no portal G1

continua após o anúncio

De acordo com o coordenador institucional da Aedas, Luiz Ribas, "a questão da contaminação da água, morte de rebanhos e animais, contaminação de hortas, por exemplo, vem acarretando progressivamente danos à saúde das pessoas e ao desenvolvimento econômico local". "Os danos são constatados desde a perda dos espaços e formas de produção até o aumento do custo de vida no território", acrescentou.

O relatório mostrou que a regularidade no abastecimento de água alcança menos de 40% das famílias atingidas pelo rompimento da barragem. Desde a suspensão do uso da água do Paraopeba, os moradores relatam problemas no abastecimento.

continua após o anúncio

O Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) constatou que, no trecho entre Brumadinho e Pompéu, o Rio Paraopeba está impróprio para consumo e agricultura. 

Após determinação judicial, a Vale ficou responsável pelo abastecimento e pela distribuição de água potável têm sido responsabilidade da Vale, mas, conforme o relatório da Aedas, 12% dos atingidos de São Joaquim de Bicas, 11% dos de Betim, 7% dos de Mário Campos e 6% dos de Juatuba disseram que não têm água para beber.

continua após o anúncio

"Até setembro de 2020, cerca de 1.165 famílias entraram em contato com as assessorias técnicas, principalmente apontando problemas na distribuição de água feita pela Vale", disse Luiz Ribas.

A mineradora afirmou que 55 veículos percorrem, juntos, 11 mil quilômetros por dia, em média, levando água para moradores ribeirinhos manterem as criações e hortas.

continua após o anúncio

A Aedas definiu 247 medidas para mitigação dos danos causados pelo rompimento da Barragem de Córrego do Feijão, em Brumadinho.

Em nota, a Vale disse que o "pagamento emergencial mensal segue sendo pago a mais de cem mil pessoas residentes em Brumadinho e até 1 km do leito do rio Paraopeba. Os recursos destinados ao auxílio emergencial ultrapassam R$ 1,7 bilhão".

continua após o anúncio

Veja a íntegra da nota da Vale: 

"A Vale não tem medido esforços para garantir que as pessoas impactadas pela interrupção da captação no rio Paraopeba tenham água sempre à disposição e em quantidade suficiente, bem como para viabilizar a continuidade das atividades de produtores rurais atingidos.

continua após o anúncio

Desde o rompimento, foram realizadas 2.262 visitas e mais de 15 mil atendimentos para identificar o volume de água necessário para atender plena e regularmente as famílias e produtores rurais elegíveis ao longo de 250 quilômetros de extensão do rio (de Brumadinho a Pompéu). Em janeiro de 2021, passamos da marca de 1 bilhão de litros de água distribuídos para uso doméstico, irrigação e dessedentação animal.

As condições de armazenamento de água também foram aprimoradas. A Vale já doou 1.696 novas caixas d'água, 194 bombas hidráulicas e fez a interligação hidráulica de 609 propriedades. Também foram instalados 250 filtros para que as pessoas que possuem poços subterrâneos possam tratar melhor sua própria água.

continua após o anúncio

A empresa também instalou cerca de 360 captações de recursos hídricos, superficiais e subterrâneas (poços), para abastecimento da população dos 22 municípios impactados pelo rompimento, e também implantou sistemas de tratamento de água para adequação aos padrões de potabilidade.

Para os produtores rurais ao longo da calha do rio Paraopeba, os cerca de 16 mil animais, que têm relação direta com a produtividade e renda de suas atividades, já receberam mais de 340 milhões de litros de água para dessedentação. Também foram instalados 893 bebedouros e fornecidas aproximadamente 80 mil toneladas de ração. Outra ação foi a instalação de 605 mil metros de cercamento para evitar o contato dos animais com a água do rio Paraopeba. Além disso, só para irrigação das plantações, os produtores receberam mais de 470 milhões de litros de água.

De toda água distribuída pela Vale desde janeiro de 2019, cerca de 80% foram destinados para consumo animal e irrigação, o que possibilitou aos pequenos produtores impactados continuar com suas atividades produtivas.

São 55 caminhões-pipa que percorrem, juntos 11 mil quilômetros por dia, em média, levando água para as pessoas elegíveis e para manter atividades produtivas (dessedentação animal e irrigação), além da distribuição dos fardos de água mineral para uso doméstico.

Todos são higienizados mensalmente por empresas especializadas. A água distribuída é captada, já tratada pela Copasa, em duas estações de tratamento, em Juatuba e Curvelo. Adicionalmente, antes de cada entrega a Vale faz a análise do teor de cloro e analisa também outros parâmetros, como cor, pH, coliformes totais e E.Coli por amostragem em laboratórios credenciados e independentes. Em casos de violações de algum parâmetro, a água é imediatamente descartada e o caminhão higienizado novamente.

O pagamento emergencial mensal segue sendo pago a mais de cem mil pessoas residentes em Brumadinho e até 1 km do leito do rio Paraopeba. Os recursos destinados ao auxílio emergencial ultrapassam R$ 1,7 bilhão".

iBest: 247 é o melhor canal de política do Brasil no voto popular

Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

continua após o anúncio

Ao vivo na TV 247

Cortes 247