André Constantine: vamos deixar de romantismo, favela não é um bom lugar para se morar

Ativista de movimentos de favela, André Constantine fez críticas ao que chamou de romantização desses territórios. “Os governos Lula e Dilma ensinaram ao favelado a levantar a autoestima. Nós voltamos a ter orgulho e voltamos a vislumbrar sair daquele território para buscar uma vida melhor”, disse, durante o 7º Encontro de Assinantes do 247. Assista

André Constantine
André Constantine (Foto: Ederson Casartelli)


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247 - Integrante dos movimentos Favela Não se Cala e Parem de Nos Matar, André Constantine debateu no 7º Encontro de Assinantes do 247, em Niterói, no último sábado 26, o que chamou de ‘romantização das favelas cariocas’ e fez críticas à academia. “Qual o fetiche que a academia tem em pesquisar o negro e o favelado? Estamos cansados de sermos tratados como objeto de pesquisa”.

André ressaltou que o discurso romântico sobre o que é morar na favela faz parte da narrativa do opressor que forçou o povo pobre e negro a se isolar nos morros do Rio de Janeiro. “Existe por parte de alguns intelectuais da esquerda um discurso que há a necessidade de ser desconstruído, o discurso da romantização de morar nos territórios de favela. Eu sei muito bem como meus ancestrais foram lançados nessa condição, a favela não é um lugar bom para se morar, não é, em tempo e hipótese alguma, e foi isso que os governos Lula e Dilma ensinaram ao favelado. Eles começaram a levantar nossa autoestima, nós voltamos a ter orgulho e voltamos a vislumbrar sair daquele território para buscar uma vida melhor”.

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“Como eu vou aderir esses discurso se a minha filha às vezes não consegue se desenvolver intelectualmente porque teve uma noite inteira de tiroteio? E quantas vezes ela não conseguiu chegar à escola por causa dos confrontos que existem entre a Polícia Militar e os varejistas de drogas? Aderir à esse discurso é aderir à narrativa dos opressores que lançaram os meus ancestrais nessa condição. Isso, em tempo e hipótese alguma, eu vou aceitar”, completou.

O ativista ainda criticou as recorrentes pesquisas que são feitas para analisar o povo e o território das favelas. “Outra crítica é a essa relação muito utilitarista entre a academia e os territórios de favela. Qual o fetiche que a academia tem em pesquisar o negro e o favelado? Estamos cansados de sermos tratados como objeto de pesquisa, não somos ratos de laboratório, queremos outra relação com a academia brasileira, isso é importantíssimo. Qual é o retorno dessas pesquisas para esses territórios? É importante que nós venhamos a construir uma outra relação com a academia que não seja essa utilitarista”.

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